A Quercus alertou que a localização do novo aeroporto de Lisboa coloca em risco o maior aquífero da Península Ibérica e o abastecimento de água ao distrito de Setúbal e reforçou a necessidade de uma avaliação ambiental rigorosa.
Em comunicado, a associação manifesta “profunda preocupação” com o relatório técnico do novo aeroporto da região de Lisboa, divulgado esta semana, defendendo que seja “analisado com o máximo rigor científico e sujeito a um amplo escrutínio público, tendo em conta os significativos impactes ambientais, territoriais e climáticos associados”. A proximidade ao aquífero, que tem importância estratégica por assegurar o abastecimento de água de grande parte da população do distrito de Setúbal, é um dos aspetos que mais preocupa a Quercus quanto à localização do novo aeroporto.
Os riscos para o aquífero já tinham sido suscitados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ainda durante os trabalhos da comissão técnica independente que recomendou o Campo de Tiro de Alcochete. Para a APA, esta era a localização mais preocupante do ponto de vista dos recursos hídricos.
https://observador.pt/especiais/aeroporto-de-alcochete-impacto-nos-recursos-hidricos-e-na-floresta-sao-pontos-negativos-apontados/
O tema volta ao radar com a divulgação do sumário síntese do primeiro relatório técnico sobre o aeroporto Luís de Camões.
Qualquer intervenção que comprometa a qualidade ou disponibilidade do aquífero pode ter “consequências muito graves para a segurança hídrica da região”, alerta a Quercus, lembrando riscos ambientais como a destruição de habitats, o aumento do ruído e das emissões atmosféricas, e os efeitos sobre a paisagem e a biodiversidade.
No caso de Alcochete, considera que a solução continua a levantar sérias preocupações ambientais, devido aos potenciais impactos do aeroporto sobre valores naturais de elevada relevância ecológica.
O novo aeroporto implica uma alteração profunda da topografia natural, da morfologia dos solos e do funcionamento dos ecossistemas existentes, salienta, lembrando ainda que o desvio previsto da Ribeira do Vale Cobrão pode comprometer o equilíbrio ecológico da bacia hidrográfica e a segurança operacional do próprio aeroporto e da futura ligação ferroviária.
A Quercus continua a defender o aproveitamento do Aeroporto de Beja durante o período de transição até à construção do novo aeroporto, e uma estratégia de substituição dos voos de curta distância por ligações ferroviárias sempre que possível.
A decisão sobre o novo aeroporto exige uma avaliação ambiental particularmente rigorosa, um processo de discussão pública verdadeiramente informado e uma ponderação séria dos custos ecológicos, sociais, económicos e climáticos associados à solução escolhida, afirma.
Também a associação ambientalista Zero alertou para a necessidade de o avanço do novo aeroporto de Lisboa e infraestruturas associadas obedecer a um processo de avaliação ambiental tecnicamente robusto, transparente e participado, mantendo fortes reservas quanto à viabilidade ambiental da expansão do atual aeroporto.