O Chega vai avançar com uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) potestativa aos mandatos de Luís Neves enquanto Diretor Nacional da Polícia Judiciária (2018-2026), na sequência daquilo que André Ventura considera serem “notícias inquietantes e perturbadoras relativamente à atuação do ministro da Administração Interna”.
“Não é contra a PJ, mas para saber o que aconteceu na PJ durante os mandatos de Luís Neves que possa ser tão grave que leva ao silêncio de todos e à gravidade destes factos. Em que se usou e abusou dos meios públicos para fins que ainda não percebemos exatamente quais são, mas serão políticos, privados ou patrimoniais”, explicou o líder do Chega numa conferência de imprensa esta sexta-feira, na sede do partido. Ventura adiantou ainda que o partido propõe que a CPI comece no início da próxima sessão legislativa (setembro).
O líder do Chega justificou a tomada de decisão neste momento por terem sido conhecidas “nas últimas horas” notícias que aumentaram a gravidade do que inicialmente considerava ser apenas “um conjunto de histórias mal contadas”. Ventura afirmou que os casos em que Luís Neves está envolvido são “um sintoma da podridão do sistema”, referindo-se nomeadamente às “obras escondidas” na PJ e à “ocultação de elementos declarativos” ao Tribunal Constitucional.
“O mais gravoso eventualmente é o condicionamento ilegal e a afetação de meios à guarda da PJ utilizados, ou para proveito próprio, ou em transporte ilegal e sem enquadramento normativo”, afirma Ventura, em referência ao caso do atrelado. Os casos noticiados são “um sinal da sensação de impunidade e abuso de poder por parte de um governante”, acrescentou.
O líder do Chega disse ainda que o partido vai abdicar do seu intuito de forçar uma comissão parlamentar de inquérito sobre a Operação Influencer, que levou à demissão do ex-primeiro-ministro António Costa, em 2023, em detrimento desta. Ventura fez uma ligação entre as duas situações, lembrando que o Ministério Público “decidiu afastar Luís Neves” da investigação Influencer.
“Ficou aí claro que havia uma ligação, que havia alguma conexão de promiscuidade que pelo menos quem liderava a investigação não gostou e não queria arriscar num caso como este. Olhando hoje para trás e para toda esta história, compreendemos o que não compreendemos na altura: que há sintomas severos de podridão do regime, com a cumplicidade que existia ao mais alto nível em algumas instituições, nomeadamente a PJ”, acusou.
O presidente do Chega antecipou “meses de pressão entre as instituições”, mas apelou a partidos, Presidente da República, primeiro-ministro, PJ, Ministério Público e serviços de informações da República, para que estejam “à altura das suas circunstâncias”. Ventura rejeitou que esteja em causa “um braço de ferro” entre o seu partido e Luís Neves, e disse não existir correlação entre este caso e as negociações do próximo Orçamento do Estado.
A presidente da IL exigiu hoje “esclarecimentos urgentes” ao ministro da Administração Interna e disse esperar que não haja impedimentos dos partidos ou do presidente do Parlamento para realizar uma reunião da Comissão Permanente sobre este tema.
“Precisamos de esclarecimentos urgentes. O senhor ministro da Administração pode achar que os vai dar quando bem entender, nós queremos que eles sejam dados já e por isso fizemos um requerimento para convocar uma conferência de líderes para se marcar uma Comissão Permanente o mais depressa possível para que o senhor ministro possa ir ao Parlamento explicar tudo o que há para explicar”, disse Mariana Leitão aos jornalistas à margem de uma ação em Lisboa sobre o preço dos combustíveis.
https://observador.pt/2026/07/24/il-exige-esclarecimentos-urgentes-do-mai-e-espera-que-comissao-permanente-avance/