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Emmys: destas 20 séries nomeadas, quais são as melhores para ver no verão?

Os prémios da televisão americana são entregues a 6 de setembro. Até lá, tem o miolo do verão para fazer apostas. Como escolher o que ver? Damos uma ajuda, seguindo uma escala veraneante de TV.

Susana Romana
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É quase impossível ser um adulto funcional, com emprego e conhecimentos de Excel e newsletters da Segurança Social, e não sonhar com essa alarvidade da nossa infância que eram as férias grandes. Três meses de puro ócio, até fartar — que achamos agora que não aproveitámos e agradecemos que chegue, já que presentemente temos de discutir até à náusea com a Leandra dos Recursos Humanos se podemos tirar a segunda quinzena de agosto inteira.

Por isso, vivemos com as “férias grandes” possíveis, versão downsizing, com muito menos dias que passam à velocidade de um TGV asiático. Relaxar a ver uma série tem de ser tempo bem empregue, por ser escasso. Resolvemos ajudar na altura da escolha: pegámos nas séries nomeadas para os Emmy (nas categorias Drama, Comédia e Limitada) e decretámos quais valem a pena trocar por umas horas de praia.

CATEGORIA: DRAMAS

“A Diplomata”

Netflix

Série de thriller político sobre uma diplomata norte‑americana (interpretada pela incrível Kerry Russel, que não sabe fazer nada mal) nomeada embaixadora no Reino Unido durante uma crise internacional, enquanto gere tensões no seu casamento. A Diplomata é uma série cheia de altos e baixos, que alia interpretações sólidas e bons diálogos a uma narrativa cheia de buracos e muita conveniência nos acontecimentos. Apesar de ser de uma plataforma de streaming, tem o seu quê de série de consolo de canal de televisão, daquelas que sabem bem ver num domingo à tarde em que a nossa exigência para com os detalhes foi dormir uma sesta.

Nomeações para os Emmys: 7
Classificação Na Escala Veraneante: boa para ficar a ver naquelas horas em que a radiação ultravioleta desaconselha ir à praia.

“The Gilded Age”

HBO Max

Drama histórico situado na Nova Iorque da década de 1880, centrado nos conflitos sociais entre famílias aristocráticas e novos-ricos. É um óptimo substituto para quem vive com saudades de Downtown Abbey, apesar de fazer parte da irritante moda “e se este plot britânico de sucesso afinal se passasse nos Estados Unidos, a verdadeiro centro do mundo?”. Design de produção impecável que quase faz esquecer que estamos a ver uma (boa) telenovela, mas com a Christine Baranski em vez da Sofia Alves.

Nomeações para os Emmys: 2
Classificação Na Escala Veraneante: experimentar ver se a televisão “normal” estiver a dar diretos da praia a perguntar se a água está boa.

“A Knight of the Seven Kingdoms”

HBO Max

Série derivada de Guerra dos Tronos que acompanha as aventuras de Ser Duncan the Tall e do jovem Egg, décadas antes dos eventos da saga principal. Apesar de estar na categoria de Drama, A Knight of the Seven Kingdoms traz a novidade de, pela primeira vez, o universo da Guerra dos Tronos arriscar-se num registo de comédia (na série original tínhamos, essencialmente, a personagem Tyrion Lannister). Não é necessário ter visto as dez temporadas do épico que lhe dá origem, pois é uma história paralela — bem contada, bem filmada, e até com graça.

Nomeações para os Emmys: 9
Classificação Na Escala Veraneante: fresquinho como um Fizz de Limão.

“Paradise”

Disney+

Série de thriller político pós‑apocalíptico que acompanha o agente do Serviço Secreto Xavier Collins (Sterling K. Brown, de This Is Us e American Fiction) enquanto tenta descobrir a verdade por trás do assassinato do Presidente dos EUA, dentro de um bunker subterrâneo após um desastre global. Ligeiro spoiler: é uma série que não é o que parece à primeira vista, o que empolgará alguns e desagradará a outros. Os twists são inteligentes e entretidos, que é o que se quer num formato destes (e é raro de encontrar).

Nomeações para os Emmys: 7
Classificação Na Escala Veraneante: mais vale ver isto do que fingir que ainda vai ler aquele livro de um autor nórdico de thrillers que trouxe de férias e nunca pegou.

“The Pitt”

HBO Max

Drama médico que retrata, em tempo quase real, um turno de emergência de 15 horas num hospital de trauma em Pittsburgh, mostrando a pressão extrema sobre médicos e residentes. Numa altura em que as séries em hospitais pareciam prontas para irem para a morgue (obrigadinha, Anatomia de Grey), The Pitt trouxe o subgénero de volta para a ribalta, com um óptimo elenco multigeracional, um ritmo de tensão eficaz, e um recentramento na realidade (é vista por muitos profissionais de saúde como a série mais próxima da realidade).  E percebemos as saudades que tínhamos de Noah Wyle de Serviço de Urgência.

Nomeações para os Emmys: 25
Classificação Na Escala Veraneante: ver tudo de enfiada, porque com o bronze nem se notam as olheiras.

“Slow Horses”

Apple TV+

Thriller de espionagem sobre agentes descartados do MI5 que trabalham na divisão Slough House (uma espécie de liga dos últimos, que lhes garante a alcunha/jogo de palavras que dá origem ao título da série) e acabam envolvidos em operações de alto risco. O chefe é o malcriado e orgulhosamente seboso Jackson Lamb (uma série com Gary Oldman será sempre melhor que uma série sem Gary Oldman) e o seu subalterno de eleição é River Cartwrigt (desempenhado por Jack Lowden, apontado por alguns como o próximo James Bond). Ideal para fãs de espionagem com um sentido de humor muito british.

Nomeações para os Emmys: 9
Classificação Na Escala Veraneante: ao nível de uma boa mariscada à beira-mar, com outra pessoa a pagar.

“Your Friends & Neighbors”

Apple TV+

Comédia negra com elementos de drama criminal sobre um gestor financeiro recém‑desempregado e recém-divorciado (Jon Hamm, que será para sempre descrito como “aquele do Mad Men“) que começa a roubar os vizinhos ricos para manter o estilo de vida, acabando envolvido em segredos perigosos e investigações criminais. Faz parte da tendência de séries de gozo aos ricos (pensem em Sucession e em White Lotus), sem ter já a frescura das suas predecessoras, mas tendo graça e glamour que chegue para valer a pena espreitar descomprometidamente.

Nomeações para os Emmys: 2
Classificação Na Escala Veraneante: engate de Verão com o qual deve trocar mensagens no Tinder enquanto lhe der gozo.

CATEGORIA: COMÉDIAS

“Abbott Elementary”

Disney+

Mockumentary sobre professores de uma escola pública subfinanciada de Filadélfia, acompanhando o quotidiano caótico da equipa docente. Antes de ter aparecido The Bear e do mundo ter acordado para Hacks, era a grande queridinha das entregas de prémios na área da comédia. Criação da também protagonista Quinta Brunson, é uma sitcom clássica — e isso é um elogio. Episódios curtos autocontidos, piadas em todas as falas, apelo ao sentimento aqui e ali. Não reinventa a roda, mas usa muito bem as rodas que tem.

Nomeações para os Emmys: 7
Classificação Na Escala Veraneante: nunca dizer que não a uma bola de Berlim na praia nem a mais um episódio.

“The Bear”

Disney+

Saga familiar e profissional de um chef de alta cozinha que regressa a Chicago para gerir o restaurante do irmão após a morte inesperada deste. Estreou recentemente a sua última temporada. Apesar de se apresentar desde sempre nas categorias de comédia, não vá ao engano: “The Bear” não tem graça, nem tenta ter. É um buffet de ótimos atores, realização tensa e muitos tratados sobre como é difícil isto de estar vivo. Ah, e o buffet não tem croquetes nem salada com cenoura ralada, tem ostras e um patê com nome estrangeiro.

Nomeações para os Emmys: 8
Classificação Na Escala Veraneante: ao nível de sair para beber um copo depois da praia e acabar meio bêbado a chorar e a dizer mal de toda a família.

“Margo’s Got Money Troubles”

Apple TV+

Comédia dramática sobre Margo, uma jovem com aspirações a escritora que engravida do professor de literatura e recorre ao site OnlyFans para se sustentar, enquanto lida com a família disfuncional e a maternidade precoce. Criação do prolífico produtor e showrunner David E. Kelley (de Ally McBeal e Big Little Lies, entre tantas outras), tem um elenco de luxo: Elle Fanning, Michelle Pfeiffer, Nick Offerman, Nicole Kidman, Greg Kinnear, todos eles em pico de forma. A história, baseada num livro, tem graça, mas não é tão sólida como a série mereceria. Porém, os atores carregam às costas até os momentos mais forçados, dando-lhes credibilidade, graça e coração.

Nomeações para os Emmys: 8
Classificação Na Escala Veraneante: este gelado parecia melhor no cartaz do snack bar da praia, mas está calor e come-se bem.

“Nobody Wants This”

Netflix

Comédia romântica que segue o relacionamento improvável entre Joanne, uma podcaster agnóstica, e Noah, um jovem rabino, enquanto ambos tentam conciliar amor, fé e famílias complicadas. Se Nobody Wants This fosse um filme de 90 minutos feito há 15 anos, seria uma experiência agradável, mesmo que pouco marcante. Enquanto série que vai em 20 episódios divididos em duas temporadas, já esticou até partir o interesse nesta história há muito tempo. Dá só vontade de gritar às personagens “irra, não sejam tão complicadinhos”.

Nomeações para os Emmys: 2
Classificação Na Escala Veraneante: antes uma amona numa piscina cheia de putos.

“Only Murders in the Building”

Disney+

Comédia policial sobre três vizinhos (Steve Martin; Martin Short e Selena Gomez) que criam um podcast de true crime enquanto investigam homicídios no seu prédio, um edifício chique no centro de Manhattan. O charme do elenco original e da catadupa de estrelas que se juntam a cada temporada (que vão de Tina Fey e Renée Zellweger a uma tal de Meryl Streep) fazem sempre valer a pena voltar a mais uma temporada, mas a verdade é que o modelo começa a gastar-se e a ficar previsível. De qualquer modo, se nunca viu vale a pena mergulhar pelo menos na primeira season.

Nomeações para os Emmys: 5
Classificação Na Escala Veraneante: mergulhar enquanto a água está boa, sair se começar a ficar com frio.

“Shrinking”

Apple TV+

Comédia dramática sobre um terapeuta viúvo (Jason Segel, de How I Met Your Mother) em depressão profunda que começa a quebrar regras profissionais ao dizer aos pacientes exatamente o que pensa, com consequências imprevisíveis que colocam em risco a sua carreira. Criação de Segel, mas também de Brett Goldstein e Bill Lawrence, ambos por trás do sucesso de Ted Lasso, entra na senda já habitual de séries fofinhas, em que todas as personagens são facilmente gostáveis, mesmo com defeitos. Mas o seu grande trunfo chama-se Harrisson Ford, feito um ator de comédia brilhante.

Nomeações para os Emmys: 10
Classificação Na Escala Veraneante: mais engraçado do que jogar raquetes, mas com igual chance de começarem muito divertidos e acabarem com alguém a chorar.

“Widow’s Bay”

Apple TV+

Comédia de terror sobrenatural situada numa ilha da Nova Inglaterra onde uma antiga maldição provoca fenómenos estranhos, enquanto o novo presidente da câmara (Tom, aqui desempenhado por Matthew Rhys, que consegue a proeza de este ano estar nomeados como ator cómico e como ator dramático) tenta transformar o local num destino turístico. Faz lembrar o filme Tubarão (o medo numa vila que depende do turismo), mas abraçando o humor sem que este tire uma migalha de tensão que seja às ótimas cenas de terror. Criação de Katie Dippold, uma das guionistas de Parks And Recreation, Widow’s Bay tem uma linguagem própria, um elenco maravilhoso, uma história bem urdida e a capacidade de acertar em cheio nos estilos tão díspares que mistura.

Nomeações para os Emmys: 19
Classificação Na Escala Veraneante: finja que está doente e não pode ir à praia com a família, ver isto com os estores para baixo é mais importante.

“Hacks”

HBO+

Comédia sobre a relação profissional entre uma veterana comediante de Las Vegas (a diva Deborah Vance, desempenhada pela não menos diva Jean Smart) e uma jovem argumentista (Ava Daniels, interpretada por Hannah Einbinder) contratada para revitalizar e modernizar o seu material. Hacks chegou agora ao fim, com a sua quinta temporada, pelo que é espectável que os Emmy celebrem o canto do cisne dando-lhes prémios. Porém, é muito merecido: Hacks ficará na história como uma excelente série de humor, com óptimas personagens, óptimos diálogos e uma história que soube manter-se relevante sem se arrastar. O episódio final é uma lição sobre como fechar uma série.

Nomeações para os Emmys: 24
Classificação Na Escala Veraneante: melhor do que três meses inteiros de férias.

CATEGORIA: SÉRIES LIMITADAS

“All Her Fault”

Skyshowtime

Thriller baseado no romance de Andrea Mara, sobre uma mãe (Marissa, desempenhada por Sarah Snook de Sucession) cujo filho desaparece após uma troca de crianças aparentemente inocente durante um playdate. All Her Fault faz de tudo para manter o espectador em tensão, a sofrer com a dor e a culpa da progenitora, agarrado até ao fim. E consegue, só que a vontade de dar um fim imprevisível leva, infelizmente, a um final pouco credível e demasiado rocambolesco.

Nomeações para os Emmys: 7
Classificação Na Escala Veraneante: como entrar num restaurante na zona turística com fotografias no menu e ficar desiludido quando a comida chega.

“The Beast In Me”

Netflix

Minissérie de thriller psicológico sobre uma escritora em luto (Claire Danes, de Homeland e tantas outras coisas) que se envolve obsessivamente com o seu vizinho (Rhys, o mesmo de Widow’s Bay, provando a versatilidade do galês) suspeito de ter assassinado a esposa, desencadeando uma investigação pessoal perigosa. “The Beast In Me” é misterioso e envolvente que chegue para manter interessado, mas o que vale mesmo a pena é a masterclass de representação de ambos os protagonistas, magnéticos e com uma óptima química entre eles. Vê-se depressa, não marca para a vida, mas é bom entretenimento.

Nomeações para os Emmys: 8
Classificação Na Escala Veraneante: mais vale ver esta série do que ir passear ao centro comercial só porque tem ar condicionado. 

“Beef”

Netflix

A segunda temporada de Beef acompanha Ashley e Austin, dois jovens funcionários com dificuldades financeiras, que testemunham uma discussão violenta entre o patrão e a esposa. Resolvem usar as imagens gravadas para os chantagear, desencadeando um ciclo tenso de coerção e desvio de fundos corporativos. Com um elenco de luxo (Oscar Isaac de Frankenstein, Carey Mulligan de Promising Young Woman, Youn Yuh-jung de Parasita), a segunda temporada de Beef não consegue trazer de volta a escalada de tensão da primeira season. Acaba por parecer um enteado de White Lotus. Não é desprovida de interesse, mas não foi à toa que não conquistou o burburinho dos episódios precedentes.

Nomeações para os Emmys: 16

Classificação Na Escala Veraneante: este cornetto de morango de marca branca é desapontante em relação ao original. 

“DTF St. Louis”

HBO+

Minissérie de comédia negra sobre um triângulo amoroso que leva a uma morte misteriosa, cuja investigação descobre ligações a uma aplicação de encontros para casados chamada DTF St. Louis (DTF é a sigla para Down To Fuck, que me vou inibir de traduzir à letra). Jason Bateman (Arrested Development; Ozark) é Clark Forrest é um meteorologista televisivo com fama local, que se torna amigo do seu tradutor para língua gestual, Floyd (David Harbour de Stranger Things). Quando Floyd aparece morto e se descobre que Clark andava com a sua mulher, Carol (Linda Cardellini, Serviço de Urgência), o espectador é convidado a juntar as peças de um puzzle mais complexo do que parece. Tem graça, entretém e tem ali uma bizarria qb que o diferencia.

Nomeações para os Emmys: 13
Classificação Na Escala Veraneante: se acha que não gosta de caracóis, é provar um pires para tirar a teima.

“Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette”

Disney+

Série limitada biográfica sobre a relação entre John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette, retratando a vida pública e privada do casal. É mais uma série com a chancela de Ryan Murphy, o showrunner que faz mais séries por ano que a Freida McFadden escreve livros. Ora Ryan não é conhecido por grande rigor histórico, sobretudo se isso o estiver a impedir de um sumarento momento de gossip, o que levou a polémicas com a liberdade artística do guião. Com uma estética irrepreensível (ainda não me habituei que séries passadas nos anos 90 contem como séries de época), é mais estilo do que substância.

Nomeações para os Emmys: 7
Classificação Na Escala Veraneante: ao nível de ler a revista “Holla” estendido na toalha.