O movimento MetaPROF criticou esta sexta-feira as palavras do ministro da Educação acerca do aumento de 44% dos pedidos de reapreciação dos exames nacionais. “É de uma profunda consternação o senhor ministro dizer, até com uma atitude de alguma satisfação, que comprova que apesar de todos nós termos dito que ia haver um aumento descomunal até nem foi assim tão mau, porque os alunos viram as provas e estão satisfeitos”, afirma a professora Antónia Marques, do movimento, ao Observador.
“Há ainda muitos alunos que não tiveram acesso na íntegra às suas provas e por isso não podem pedir reapreciações, outros aguardam resultados e outros, provavelmente na ordem das centenas de milhar pelos testemunhos que nos chegam, que nem sequer conseguiram fazer o processo necessário da consulta que antecede o pedido de reapreciação, porque não tiveram apoio técnico e científico.”
https://observador.pt/2026/07/24/pedidos-de-reapreciacao-de-exames-sobem-44-para-8-900-mas-ministro-da-educacao-relativiza-aumento/
Fernando Alexandre afirmou que este aumento, que desvalorizou, “só é possível porque o aluno teve a oportunidade de ver a sua prova, de analisar, de dizer que esta é a prova que fez e que é a nota que esperava”. “A grande maioria foi percebendo que o sistema garante todo o rigor e, sobretudo, que tem uma transparência que nunca teve”, disse o governante.
O MetaPROF criou uma Bolsa de Reapreciação de provas com professores voluntários que, até à manhã desta sexta-feira, dia 24, conseguiram analisar 300 das 2.700 provas que deram entrada na plataforma. Mas há 3 mil que a plataforma não conseguiu alojar no servidor, o que levou a um pedido de ajuda feito ao Ministério da Educação, ao EduQA e ao Júri Nacional de Exames (JNE) e que não obteve resposta.
https://observador.pt/2026/07/20/exames-movimento-metaprof-constitui-bolsa-de-reapreciacao-para-apoiar-alunos/
Além destas instituições, o MetaPROF contactou ainda a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) e o Conselho de Escolas, sem sucesso. Além da bolsa, também foi criada uma área no site destinada aos estudantes onde há relatos de alunos que ainda não viram as provas. O ministro mencionou esta sexta-feira que havia 600 casos de desconformidades, que deveriam ficar solucionados até ao fim do dia.
“Há muita gente que não conseguiu decifrar as 67 páginas [do despacho normativo sobre a avaliação externa], que não conseguiu ler os critérios de classificação com a visão clínica e científica de um professor e que esteve incapaz de fazer esses pedidos. E muita gente também nos foi relatando que ‘para o ano vê-se’, que desiste do acesso ao Ensino Superior este ano. A ausência de um número mais expressivo de pedidos de reapreciação não resultará na íntegra de alunos que ficaram satisfeitos com o seu processo e que não vão avançar, mas de uma vitória da balbúrdia administrativa”, considera Antónia Marques.
A professora do MetaPROF teve ainda relatos de como folhas de transcrição de respostas de estudantes do ensino especial, que são feitas por docentes, desapareceram. “O aluno viu-se impedido de ter uma classificação porque pelos vistos corrigiram o que ele escreveu, e não a folha de transcrição”, explica.
Ao longo do processo de classificação das provas, o MetaPROF foi divulgando os problemas encontrados pelos professores na plataforma. Na segunda-feira, dia 27, os representantes do MetaPROF irão reunir com os assessores da Casa Civil da Presidência da República em Belém.