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(A) :: Há montanhas que falam e escutam o grito de quem quer antecipar a festa: Pogacar bate recorde de Pantani no Alpe d'Huez e chega à quinta

Há montanhas que falam e escutam o grito de quem quer antecipar a festa: Pogacar bate recorde de Pantani no Alpe d'Huez e chega à quinta

No meio dos vírus, das quedas e das desistências, há quem continue doente por ganhar: Pogacar atacou no início do Alpe d'Huez sem resposta, alcançou os fugitivos um a um e coroou-se na mítica subida.

Tiago Gama Alexandre
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Há estradas que contam histórias e há histórias que são contadas em subidas que se tornaram emblemáticas pelo simples facto de terem visto tragédias, vitórias, desistentes e campeões. É neste contexto que se enquadra o Alpe d’Huez, outrora conhecido pela estância de esqui localizada a mais de três mil quilómetros de altitude. Contudo, foi através do ciclismo que aquela montanha dos Alpes Ocidentais, localizada em Huez, no departamento de Isère, transcendeu a fronteira francesa e ganhou contornos globais. Foi ali que se eternizaram grandes nomes e que se criaram lendas. É ali que todos os sonhos deixam de o ser e passam a realidade. Foi ali que começou, há mais de sete décadas, uma história de paixão que perdura até aos dias de hoje e que transformou Joaquim Agostinho numa lenda. Afinal, foi ali que o português, ao serviço da Flandria-Ca Va Seul, anotou em 1979 uma das maiores vitórias da sua carreira.

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Graças a esse 15 de julho, Agostinho viu a curva 14 do Alpe d’Huez passar a ter o seu nome e foi ainda homenageado com uma estátua que permanece no local até aos dias de hoje. A mística da montanha é tanta que todas as curvas têm o nome dos mais notáveis vencedores, com Joaquim Agostinho a figurar ao lado de Fausto Coppi, Bernard Hinault, Roberto Conti, Marco Pantani e, mais recentemente, Frank Schleck. O recorde da subida pertencia a Pantani, que tinha os três melhores registos: 37.15 minutos (1994), 36.55 (1997) e 36.50 (1995). Agora em 2026, o Alpe d’Huez ia ser subido duas vezes, nos dois dias que vão decidir as contas finais da Volta a França. Fruto disso, milhares de espectadores quiseram reservar o seu lugar na subida que tem o condão de se transformar num estádio a céu aberto, com alguns a permanecerem no local desde a semana passada. A festa tem sido muita e a última madrugada não foi exceção, no final de um dia marcado por mais um grande triunfo de Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) na Grande Boucle.

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“Esperava algo assim. Sabemos que as fugas estão a enlouquecer todos os dias desde o início. Além disso, os 10 melhores ciclistas da classificação geral estão preocupados com as suas posições. Isso significa gás total do início até perto do fim. Foi um dia relativamente tranquilo para mim. Infelizmente perdemos o Brandon [McNulty] hoje [quinta-feira]. Ficou doente, desejo-lhe uma rápida recuperação e espero que esteja bem para a festa depois de Paris [risos]. É mau perder o Brandon porque ele era realmente um ciclista valioso até agora, mas acho que o Adam [Yates] está a voltar. Ele está a melhorar e não precisou de se esforçar muito ontem e hoje. Mudar a estratégia? Depende. Se a situação continuar assim e se os rapazes não melhorarem da doença, sim. Nunca sabes o que tens de fazer. Precisas do instinto. Acredito que vai ficar tudo bem com a equipa e vamos sobreviver aos próximos dois dias”, explicou Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG).

A antepenúltima etapa deste Tour de France partiu de Gap antes da chegada ao lendário Alpe d’Huez, num dia com apenas 127,9 quilómetros, mas 3.500 metros de desnível positivo acumulado. Antes das míticas 21 curvas da subida alpina, o dia começava a subir, com o pelotão a chegar ao Col Bayard (4,7 km a 7,1%) logo nos primeiros cinco quilómetros. Seguia-se uma curta descida e, em cima do quilómetro 25, os ciclistas chegavam ao Col du Noyer (7,2 km a 8,5%), com pendentes acima dos 11%. O início favorecia a formação da fuga e, a partir daí, entrava-se na parte mais plana, que terminava no sprint intermédio de Le Périer. O Col d’Ornon (5,5 km a 6,2%) abria as hostilidades no fim, seguindo-se o juiz final: Alpe d’Huez (13,8 km a 8,1%), subido pelo lado tradicional, ao contrário da etapa de sábado.

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Como se antevia, a etapa foi atacada desde o quilómetro 0, com 41 ciclistas a integrarem o grupo que se formou na frente e que só não contava com elementos de TotalEnergies, Lotto Intermarché, Alpecin-Premier Tech e Picnic PostNL. Na contagem de segunda categoria, Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step) bateu Carapaz e ultrapassou Pogacar na classificação virtual da montanha. O esloveno colocou-se cedo em apuros, já que Tim Wellens e Florian Vermeersch não resistiram à subida inicial e, consigo, ficaram apenas Isaac del Toro, Felix Grossschartner e Nils Politt, dado que Adam Yates integrou a fuga. Na contagem seguinte, o francês voltou a ser o primeiro e reforçou a sua liderança. Na fase mais acessível, Vermeersch reentrou para comandar o pelotão, ao passo que Edoardo Afini (Visma-Lease a Bike) abandonou e Marco Haller e Edward Planckaert (Alpecin) caíram. No sprint foi a vez de Mads Pedersen (Lidl-Trek) cimentar a sua liderança.

Já sem Paret-Peintre, que entrou em ritmo de gestão para sábado, Carapaz foi o mais rápido a passar o Col d’Ornon, ao passo que Thymen Arensman (Netcompany Ineos) abriu as hostilidades no Alpe d’Huez, subida que começou a ser feita com a Lidl no comando do grupo principal, por pouco tempo, já que Pedersen ficou para trás e, quando a Emirates assumiu o ritmo, com Grossschartner, Juan Ayuso e Mattias Skjelmose quebraram. Logo a seguir, a cerca de 13 quilómetros do alto, Pogacar atacou sem qualquer resposta e alcançou um a um todos os corredores que estavam na fuga, incluindo Yates, que ainda lhe deu uma ajuda. Na mesma altura mexeu-se Sepp Kuss (Visma) na dianteira, levando consigo Carapaz e Lenny Martinez (Bahrain-Victorious). Pouco depois, já dentro dos últimos nove quilómetros, o equatoriano atacou para descartar Kuss e seguir só com o francês, por pouco tempo. Já com a diferença nos 40 segundos, Richard e Lenny voltaram a tentar a cinco quilómetros do topo, mas Sepp continuou a resistir.

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Atrás, Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe) foi o primeiro a atacar, mas teve de baixar ligeiramente o ritmo por conta do público na estrada, que o impediu de ultrapassar duas motos. Depois de ultrapassar Kuss e de chegar a Martinez, Pogacar alcançou Carapaz a 1,7 quilómetros do alto, atacando poucos metros depois, mas sem conseguir descolar os rivais. No último quilómetro, o equatoriano e o francês perderam a roda do esloveno, que arrancou sozinho para mais uma vitória histórica nesta Volta a França, com direito a recorde no Alpe d’Huez, já que fez a subida em 35.27 minutos, contra os 36.50 de Marco Pantani. Completada a manita do esloveno, que venceu pela quinta vez nesta edição e colocou-se a nove vitórias de igualar o recorde de Mark Cavendish, Lenny Martinez bateu Richard Carapaz ao sprint. Evenepoel chegou ao sexto posto (a 2.29 minutos) e ganhou 12 segundos a Del Toro (2.41), seguindo-se Skjelmose e Seixas (2.45) e Ayuso (6.26).

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Olhando à geral, Tadej Pogacar reforçou a liderança, chegando aos 7.11 minutos de vantagem para Remco Evenepoel, que deu um passo importante rumo à conquista do segundo lugar no pódio de Paris. O belga tem 2.31 de avanço face a Isaac del Toro (9.42), que continua com o pódio preso por poucos segundos, já que Paul Seixas está a apenas 24 segundos (10.06). Lenny Martinez subiu ao quinto lugar a 13.00, com Mattias Skjelmose (13.09), Juan Ayuso (15.58), Richard Carapaz (21.15), Tom Pidcock (21.30) e Jordan Jegat (23.21) a completarem o top 10. Nos pontos, Mads Pedersen tem 67 pontos de vantagem para Jasper Philipsen (Alpecin), ao passo que Carapaz assumiu a liderança da montanha por apenas um ponto — 91 contra os 90 de Pogacar.