(c) 2023 am|dev

(A) :: Pedidos de reapreciação de exames sobem 44% para 8.900, mas ministro da Educação relativiza aumento

Pedidos de reapreciação de exames sobem 44% para 8.900, mas ministro da Educação relativiza aumento

Com 600 casos de desconformidade ainda por resolver e reapreciações a subir 44%, o ministro promete que classificadores recebem as provas da 2.ª fase sem erros na segunda-feira.

João Paulo Godinho
text

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, relativizou esta sexta-feira a expressão do aumento do número de pedidos de reapreciação de provas da primeira fase, ao apontar para mais 2.700 pedidos e um total de 8.900, sensivelmente, face aos números do ano passado nesta mesma fase. Contudo, esses números expressam também uma subida de cerca de 44% em relação aos 6.200 pedidos de reapreciação em 2025.

“Muitas pessoas disseram que íamos ter um aumento enorme que punha em causa o sistema. Hoje terminam os pedidos de reapreciação: o ano passado tivemos cerca de 6.200 e este ano temos, para já, 8.900. Com toda a incerteza que existiu, penso que só é possível porque o aluno teve a oportunidade de ver a sua prova, de analisar, de dizer que esta é a prova que fez e que é a nota que esperava. E está tranquilo. A grande maioria foi percebendo que o sistema garante todo o rigor e, sobretudo, que tem uma transparência que nunca teve”, afirmou.

Em paralelo, manifestou a expectativa de que as desconformidades identificadas nas provas da primeira fase fiquem resolvidas durante esta sexta-feira. De acordo com Fernando Alexandre, que citou dados do JNE, existiriam “cerca de 600 casos” na noite de quinta-feira.

“Tínhamos ontem à noite cerca de 600 casos de desconformidade, isto é, de alunos que receberam a prova que não correspondia na totalidade ao seu caso. Nós damos todas as garantias de que os alunos no final terão a nota justa. O JNE está a resolver cada um desses casos, individualmente. Espero que hoje ao final da manhã tenhamos muito menos e que, idealmente, hoje todos os casos da primeira fase fiquem resolvidos”, acrescentou.

De acordo com o ministro, esta situação de resolução das desconformidades representaria um atraso “de uma semana ou menos” em relação ao que se verificou em anos anteriores.

Em declarações aos jornalistas na Universidade do Minho, em Braga, o governante confirmou também que os professores responsáveis pela reapreciação e pela classificação das provas da segunda fase ainda não foram chamados, mas assegurou que serão “convocados até ao fim da manhã”.

“Esse processo esteve a ser fechado ontem pelo Júri Nacional de Exames (JNE), é uma tarefa que é da responsabilidade do JNE. Estes classificadores são anónimos. Todas as condições estão reunidas para que, desta vez, na segunda fase, os professores recebam as provas sem nenhuma perturbação e vão poder, pela primeira vez, beneficiar totalmente deste sistema digital, que é muito mais confortável, eficiente e também muito mais equitativo”, observou.

No dia em que termina a segunda fase dos exames nacionais, o ministro da Educação expressou ainda a “confiança” de que não se registará a “perturbação” da primeira fase e reiterou a garantia de que “nenhum aluno será prejudicado” no acesso ao Ensino Superior.

“As digitalizações estão a correr com toda a normalidade, os classificadores receberão as provas, como previsto, na segunda-feira e penso que sem erros, para melhorar a relação com os classificadores, que são cruciais neste processo e que, de facto, na primeira fase, pela perturbação que o processo teve, tiveram muito mais trabalho e dificuldades”, afirmou Fernando Alexandre.

Fernando Alexandre vincou igualmente a expectativa de que “todos os benefícios” que reconhece ao processo de digitalização das provas “sejam já totalmente aproveitados” por professores e alunos na segunda fase, “estando por isso confiante” pela forma como o processo está a decorrer desde terça-feira.

“Há provas que estão já totalmente digitalizadas e em condições de ser distribuídas e sem erros aos professores. Estamos confiantes que a segunda fase vai correr com normalidade e que vamos poder responder a estes alunos que fizeram agora [a prova] na segunda fase. É um número relativamente semelhante ao do ano passado, sendo que estes alunos terão a possibilidade de fazer novamente a prova em setembro, se entenderem, e ficarão com a melhor nota”, notou.

Por último, o ministro da Educação, Ciência e Inovação fez questão de enfatizar o trabalho realizado nos últimos dias para resolver os problemas na digitalização e classificação das provas na primeira fase em prol dos alunos. “Procurámos reunir todas as condições para que nenhum aluno seja prejudicado pelas perturbações que surgiram neste processo e que possam, de facto, em condições de equidade aceder ao ensino superior ou concluir o seu percurso no ensino secundário”, finalizou.