Ninguém pensou que fosse apenas um arrufo, ninguém pensou também que se tornasse o corte mais longo de sempre na história do clube desde a fundação da Juventude Leonina, primeira claque do Sporting e a nível nacional depois de alguns experimentalismos com os Vapores do Rego, grupo de estudantes brasileiros que estava na altura em Lisboa e começou a ir a Alvalade acompanhar os jogos com batuques na Superior Sul. Até determinado momento tinha tudo para não manter relações, a partir de certa fase foi havendo contexto para alterar a situação – com todas as tentativas condenadas ao insucesso. No entanto, e quase sete anos depois, a “normalidade” regressou: segundo apurou o Observador, os leões chegaram a um princípio de acordo para assinarem um novo protocolo com as quatro claques do clube na antecâmara do jogo de apresentação aos sócios, frente ao Mónaco, numa informação que deverá ser oficializada pelas partes nas próximas horas.
Especialmente nos últimos tempos, também pela necessidade de esquecer problemas do passado para ir em busca de soluções que não colocassem em causa as obras de fundo que o Estádio José Alvalade e toda a zona circundante vão sofrer no futuro (com um valor estimado na ordem dos 150 milhões de euros, a que se vão juntar os cerca de 50 milhões já investidos em obras no interior do recinto nos últimos anos), as duas partes foram aumentando a cadência de reuniões para tentarem encontrar uma base de entendimento que servisse para retomar o protocolo que existia em 2019 mas com novas balizas de direitos e deveres. Foi isso que, após avanços e recuos, ficou agora fechado. Com isso, chegou o “reforço” desejado: volta a Curva Sul.
De acrescentar que, apesar de alguns protocolos que foram sendo fechados ao longo dos últimos anos, nunca os quatro Grupos Organizados de Adeptos leoninos, Juventude Leonina, Directivo Ultras XXI, Torcida Verde e Brigada Ultras Sporting, tinham assinado um protocolo em simultâneo, que passará a vigorar a partir da temporada de 2026/27, com o início da época do futebol antes das restantes modalidades de pavilhão. Há apenas uma nuance: o Directivo Ultras XXI deverá ficar dividido (por opção do próprio grupo) no estádio, com uma parte de regresso à Superior Sul e outra parte a manter-se onde estava na Superior Norte. Em condições normais, tudo aponta para que as claques fiquem concentradas agora entre os setores A12 e A16. Com isso, o Sporting será o primeiro clube em Portugal a utilizar o modelo de safe standing num recinto.
De recordar que o protocolo que vigorava com as claques, e que tinha ficado demasiado “fragilizado” depois da invasão à Academia em Alcochete, em maio de 2018, rompeu de forma definitiva em outubro de 2019, na sequência de um episódio num jogo de futsal em que elementos das claques passaram para a bancada central para entoar cânticos contra o presidente do clube, Frederico Varandas, que teve mesmo de abandonar o Pavilhão João Rocha sob escolta policial. A partir daí, a relação entre as duas partes foi sendo cada vez mais tensa, entre manifestações, protestos, cânticos a pedir a demissão e comunicados, algo que nem mesmo a estabilização do Sporting no plano desportivo, não só no futebol (sobretudo aí) mas também nas modalidades, conseguiu mudar. Houve tentativas de intermediação mas as pontes tornaram-se impossíveis.
O foco de toda a problemática foi passando também pelas zonas de apoio das claques, vulgo “Casinhas”, não só da Juventude Leonina mas também da Torcida Verde (ambas na escadaria de acesso ao Alvaláxia) e do Directivo Ultras XXI (neste caso, mais ao pé das garagens). O Sporting tentou de várias formas avançar com ordens de despejo, surgiram também informações a propósito do corte da luz e da água nesses locais, mas nada foi mudando com o passar dos meses, com as claques a resistirem às intenções. Agora, a afetação dessas zonas terá sido uma das chaves do acordo entre a Direção verde e branca e representantes das claques.
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