Ao fim de 26 dias, o ativista indiano Sonam Wangchuk pôs fim à greve de fome em apoio ao movimento Cockroach Janta Party (CJP), que tem liderado a onda de manifestações em Nova Deli. Inicialmente espoletados pela fraude no sistema de educação, os protestos do partido das baratas (Cockroach) escalaram para contestações ao próprio Governo de Narendra Modi.
Wangchuk começou a greve de fome a 28 de junho, na sequência do movimento juvenil contra as repetidas fugas de informações dos exames nacionais e pela demissão do ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan. A sal e água durante 21 dias, sob o sol quente de Deli, o ativista de 59 anos foi retirado à força do local de protesto do CJP, Jantar Mantar, na capital indiana.
Levado para o Hospital Medanta, no sábado, Sonam continuou o jejum, acompanhado por uma “equipa multidisciplinar de médicos”, na Unidade de Cuidados Intensivos. “Ainda estou vivo“, escreveu o antigo engenheiro, agora com menos 11 quilogramas, na rede social X.
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Segundo a emissora BBC, na quarta-feira, o fundador do partido, Abhijeet Dipke, juntamente com dezenas de deputados, ativistas e celebridades, reforçou o apelo para a suspensão da greve de fome do homem que se tornou a figura de destaque do movimento. Faltava-lhe, contudo, a confirmação que obteve no dia seguinte: de que o Governo atenderia às suas exigências.
À margem do 26.º dia, Wangchuk anunciou que tinha posto fim à greve: o Governo garantiu que não seriam tomadas medidas legais contra os manifestantes em Jantar Mantar, nem contra aqueles que marcharam até ao parlamento, na passada terça-feira.
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O homem afirmou ainda ter recebido garantias de que a fuga de informação sobre os exames do National Eligibility cum Entrance Test (NEET) — que estão no centro da controvérsia atual do país — seria discutida no parlamento, bem como a realização de reformas mais abrangentes no sistema de exames.
O Partido Cockroach Janta rapidamente se tornou um dos maiores movimentos na Índia, nos últimos anos. Surgindo em maio, na Internet, começou por protestar contra o sistema de educação indiano, após o exame realizado a 3 de maio por quase 2,28 milhões de candidatos ter sido cancelado dias depois. Em causa estava a divulgação antecipada das questões da prova NEET, de acesso à faculdade de medicina, para a qual os estudantes estudam meses — e, em alguns casos, anos.
Com mais de 26 milhões de seguidores nas redes sociais, o Partido tem vindo a desafiar o Governo de Modi, que subiu ao poder em 2014.
O primeiro-ministro Narendra Modi publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmava que “medidas rigorosas” sobre a divulgação antecipada dos exames estavam a ser preparadas. O projeto de lei vai ser discutido pelo Conselho de Ministros esta sexta-feira, antes de ser finalizado e apresentado ao parlamento, garantiu.
Sem abordar diretamente os protestos, Modi afirmou estar “plenamente ciente de que a questão da fuga de informações sobre as provas não é um assunto menor”, citou a BBC. “Isto causa imenso sofrimento a [centenas de milhares] de estudantes e aos seus pais”, afirmou, sublinhando a promessa de reforçar o quadro jurídico para punir os culpados.
Apesar das conversações que deverão decorrer esta sexta-feira entre os representantes do Partido Cockroach Janta e o Governo, milhares de pessoas dão continuidade aos protestos, dado que o objetivo de demissão do ministro da Educação ainda não foi atingido. “O protesto pacífico em Jantar Mantar vai continuar até que Pradhan se demita”, assegurou Abhijeet Dipke. “Não vamos deixar que a greve de fome do Sonam tenha sido em vão. Não vamos deixar que a agressão brutal aos estudantes tenha sido em vão”, acrescentou.
https://observador.pt/2026/07/20/nova-deli-confrontos-entre-policia-e-manifestantes-marcam-protestos-contra-fraudes-nos-exames-universitarios/
Indignado, Dipke criticou ainda a recente substituição do secretário de Estado da Educação, Vineet Joshi, por Sushil Kumar Lohani, um oficial do Serviço Administrativo da Índia (IAS) sobre o qual recaem “múltiplas acusações de corrupção”. “O Governo está a recompensar a corrupção em vez de assumir responsabilidades!”, acusou. “Substituir um burocrata por outro que enfrenta graves acusações de corrupção constitui um INSULTO direto aos jovens de toda a Índia”, lançou ainda, voltando a sublinhar a exigência de demissão do ministro da Educação.
https://twitter.com/abhijeet_dipke/status/2080561251504071166
Editado por Ana Suspiro.