O PS continua a liderar as intenções de voto para umas eventuais eleições legislativas, aponta o novo barómetro DN/Aximage, publicado esta sexta-feira, que também registou a ultrapassagem da AD pelo Chega.
O partido liderado por José Luís Carneiro continua no topo das sondagens com 29,2%, caindo apenas uma décima desde o inquérito de junho. Está assim com uma vantagem de seis pontos percentuais face à AD, que igualou o mínimo registado em maio, caindo de 25,3% para 23,2%. A coligação PSD/CDS-PP vê-se assim ultrapassada pelo Chega, que sobe de 23,6% para 26,4%, resultado que fica apenas atrás dos 26,8% obtidos em setembro de 2025.
No que toca aos restantes partidos, a Iniciativa Liberal continua destacada no quarto lugar, subindo de 6,5% para 7,4%, ao passo que o Livre — após Jorge Pinto substituir Rui Tavares enquanto co-porta-voz — cai de 5,8% para 4,6%. O PAN regista uma diminuição muito reduzida (2,2% para 2,1%), sendo igualmente curto o crescimento da CDU (1,6% para 1,8%). Já o Bloco de Esquerda volta a cair na mesma proporção (1,5% para 1,3%). A margem de erro é de mais ou menos 4,4%, para um intervalo de confiança de 95%.
Numa outra secção desta sondagem, é apontado como os desenvolvimentos políticos das últimas semanas estão a ter um duro impacto na perceção pública do Governo, que regista a avaliação mais negativa desde que tomou posse em junho de 2025.
Dos 501 entrevistados para esta sondagem de julho, apenas 27% avaliam a sua atuação como positiva (3% disseram que esteve muito bem e 23% que esteve bem), face aos 68% que chumbam o Governo (40% dizem que esteve mal e 28% muito mal). Segundo o Diário de Notícias, é a nota mais negativa desde que o executivo de Luís Montenegro tomou posse no ano passado.
O estudo da Aximage não refere as causas para uma avaliação tão crítica da atuação do Governo, com o jornal a sugerir que a sucessão de casos a envolver vários ministros — Luís Neves e Fernando Alexandre à cabeça — será o principal fator.
No entanto, numa parte deste inquérito dedicada especificamente ao caso a afetar o ministro da Administração Interna, 71% dos inquiridos consideraram as explicações de Luís Neves insuficientes, face a 17% que se consideraram esclarecidos. Em causa está a polémica relação entre o ministro e a empresa Construbarcelos, que foi contratada para remodelar um imóvel que Neves detém em Odemira e que recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos para realizar obras em infraestruturas da Polícia Judiciária quando o ministro era o seu diretor nacional.
Os mais recentes desenvolvimentos adensam as controvérsias em redor de Luís Neves: por um lado, a PJ abriu um inquérito depois de ter sido noticiada a descoberta de um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga atracado a um camião da empresa Construbarcelos; por outro, depois de se saber que o ministro não tinha declarado a empresa da mulher na declaração única que apresentou junto da Entidade para a Transparência quando entrou para o Governo, foi revelado que Neves também não cumpriu as suas obrigações declarativas quando assumiu funções como diretor nacional da PJ, em 2018, e nem quando foi reconduzido no cargo, em 2021.
As entrevistas aos inquiridos, realizadas nos dias 20 e 21 de julho, são prévias ao conhecimento de alguns destes desenvolvimentos, mas pintam um quadro muito negativo quanto à perceção pública do caso, inclusive junto de eleitores da AD: 28% consideraram as explicações suficientes, face a 60% que disseram ser insuficientes.
A nível global, mais de dois terços dos inquiridos reconheceram a relevância deste caso, com 32% a considerá-lo muito importante e 35% importante; apenas 5% viram este caso como nada importante e 7% como pouco importante, sendo que 17% não dão nem muita nem pouca importância.
A liderança de Luís Montenegro também sai beliscada dos desenvolvimentos do último mês: depois de ficar à frente na preferência dos inquiridos em junho para o cargo que ocupa, o primeiro-ministro cai para terceiro lugar neste inquérito, merecendo a confiança de apenas 22% dos entrevistados. À sua frente ficaram tanto o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro (27%) quanto o presidente do Chega, André Ventura (24%).
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