O discurso apontava num sentido, a realidade foi diametralmente oposta. Não se pode falar de um discurso de sobranceria ou arrogância mas era evidente a confiança com que a comitiva do Benfica deixou Lisboa para fazer a estreia na nova temporada em termos oficiais. Marco Silva admitia um favoritismo que teria de ser confirmado em campo. Rui Costa, no balanço que fez da última temporada quando tinha acabado de resolver finalmente a questão do comando técnico com a saída de José Mourinho, chegou mesmo a falar dos encarnados como candidatos a chegarem longe na Liga Europa. A tudo isso juntava-se a experiência, o “prestígio”, o enorme apoio da comunidade benfiquista na Suíça. Nada conseguiu evitar a derrota. E o ambiente que se vivia no final dos 90 minutos expressava bem a resignação face a um arranque em falso.
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Na zona da tribuna, e de uma forma quase imediata, Rui Costa, presidente dos encarnados, não demorou a sair de cara fechada passando por vários adeptos do St. Gallen que iam fazendo a festa por um resultado que dificilmente poderia estar nos planos mas que deu esperança numa passagem à terceira pré-eliminatória da Liga Europa. Mais em baixo, Marco Silva, após cumprimentar o homólogo Enrico Maassen, foi ao relvado e pediu aos jogadores para que se dirigissem à zona onde se concentravam mais adeptos benfiquistas para agradecerem o apoio. À frente, entre muitos que batiam palmas sem grande convicção, sentiu-se também a contestação por parte de adeptos que esperavam mais enquanto os jogadores iam olhando, parados, quase sem reação perante aquela situação. Nada ficou perdido, tudo está em aberto mas os primeiros sinais deixados pelo Benfica na temporada oficial de 2026/27 não foram positivos, como todos assumiram no final.
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“Falhou muita coisa. Não foi apenas perder o jogo, foi a forma como perdemos. Não jogámos ao nível que podemos, independentemente das condicionantes. Quisemos fazer tudo a correr, sem pausas no jogo. Permitimos não sei quantas transições, daí o jogo ter partido. Dávamos transição ao adversário sempre que perdíamos a bola. Em termos físicos não estamos ao nível, temos que cuidar melhor da bola. Sofremos golos que são inaceitáveis. Não foi a estreia que pretendíamos, não a minha, mas a do Benfica. Isto não tem nada a ver comigo mas com o Benfica. Não foi a estreia que queríamos… Temos agora mais um jogo e temos que fazer a nossa obrigação. É um sinal que há muita coisa a melhorar”, começou por dizer Marco Silva.
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“O St. Gallen é um adversário que pressiona no campo todo e que leva o jogo para momentos individuais. Sabíamos que se quebrássemos a primeira fase de pressão, a bola chegaria ao último terço. Criámos muito poucas oportunidades. Com melhor decisão, podíamos ter criado mais. Não é suficiente, temos que melhorar. Foi abaixo do nível. Sou experiente o suficiente para saber que hoje não iríamos ver um Benfica ao nível do que tem que estar. Com as poucas soluções que tínhamos ou não, temos que fazer melhor”, acrescentou o técnico dos encarnados na mesma zona de entrevistas rápidas da SportTV.
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Mais tarde, na conferência de imprensa, Marco Silva foi mais ao pormenor em relação a tudo o que falhou na estreia do Benfica, que manteve um registo negativo em partidas feitas na Suíça (apenas uma vitória com duas derrotas em cinco jogos) apesar do golo de Rafa em cima do intervalo, que colocou o avançado que regressou em janeiro à Luz como marcador do primeiro golo do Benfica pela quarta vez nos últimos dez anos.
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“Independentemente da qualidade que está lá e do favoritismo, teríamos de jogar muito melhor do que jogámos. Com bola concordo que em alguns momentos houve alguma displicência, a querer fazer tudo a correr, poucos momentos com bola. Intensidade? Sabíamos que não íamos estar perfeitos hoje, temos quatro semanas, não há grandes milagres. Sentiu-se isso na reação à perda, não fomos uma equipa de reação rápida para ganhar no último terço. Dois aspetos: a nossa exibição, isso é claro, não jogámos ao nível que devemos independentemente das condicionantes, não jogámos suficientemente bem. A outra questão é a intensidade, cometemos alguns erros, faltou-nos arrastar jogadores. Das poucas vezes que chegámos ao último terço… Temos de ter mais calma a decidir, não fazer tudo a correr. O adversário tem mais dias de preparação, não serve de desculpa. Temos de melhorar muito”, apontou o antigo técnico do Fulham.
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“Impacto? O impacto é o resultado de hoje, tem de ter impacto. Se formos jogar ao nível que jogámos hoje sabemos que nos podem esperar surpresas desagradáveis. Temos de melhorar como equipa, na forma como vamos ser capazes de tirar jogadores da frente. O jogo em alguns momentos colocou-nos em termos individuais algumas questões em que não respondemos à altura. Temos de melhorar muito. Esta semana tem de chegar se queremos passar. Depois da exibição de hoje não esperem de mim que seja negativo e diga que uma semana não vai chegar para que na próxima quinta-feira sejamos melhores”, assumiu.
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Em paralelo, Marco Silva comentou também as palavras que teve após o particular com o Flamengo, sobre as informações que estariam a sair do Seixal para fora, bem como a contestação dos adeptos no final da partida. “Recados? Eu não uso as conversas convosco para dar recados, muitas vezes falo analisando o jogo e depois a minha mensagem é quase sempre para os adeptos. Algumas coisas podem ser subentendidas de outra forma e isso não controlo… Não preciso de dar recados com as conversas convosco, não venho aqui para andar a dar recados. Contestação? É normal, não foi a estreia que queríamos, os adeptos esperavam mais. Esta pressão de estarmos a este nível não pode ter só o lado bom. Quando não se joga ao nível que se tem de jogar, há a reação. Estive lá com os jogadores nesse momento, há momentos em que temos de ouvir. Acho normal, faz parte da grandeza do clube”, relativizou o técnico dos encarnados a esse propósito.
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“Problemas físicos, táticos ou de concentração? Foi um misto, não me parece que tenha sido uma questão de concentração. De concentração podemos falar na forma como sofremos o segundo golo, a forma como sofremos um golo de bola parada a dez minutos do final, nisso podemos falar de concentração aliada ao cansaço. Não fomos suficientemente bons com bola para podermos explorar, depois de batermos a primeira pressão do adversário. O Sudakov jogou sempre muito de costas. Tentámos dar muitos toques na bola, a bola é que tinha de andar mais e nós corrermos menos com bola. Foi isso que aconteceu, tínhamos de ter capacidade para ficarmos com bola, pausar o jogo e tentarmos levar a bola para o meio-campo ofensivo. Permitimos transições ao adversário, o jogo esteve sempre partido”, concluiu.
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