A presença de formigas num prato pode levar um chef de cozinha australiano à prisão na Coreia do Sul. Os insetos não chegaram até à mesa dos clientes por acaso: são mesmo um dos ingredientes de uma sobremesa do restaurante Evett, no bairro de Gangnam, na capital Seul. A criação do chef Joseph Lidgerwood foi denunciada pelo Ministério da Segurança dos Alimentos e Medicamentos — que não permite o consumo de formigas por humanos — ao Ministério Público daquele país asiático.
Cerca de 50 mil formigas desidratadas terão sido importadas dos Estados Unidos e da Tailândia entre 2021 e 2024, sendo utilizadas como ingrediente em alguns dos pratos da ementa, alega o ministério. No processo judicial que está a decorrer, diz-se que o restaurante terá vendido mais de 12 mil porções de uma sobremesa que incluía os insetos para dar um sabor “ácido” sobre um tipo de gelado. O prato que fazia parte do menu de degustação (atualmente, com custo aproximado de 113 a 196 euros) terá rendido cerca de 120 milhões de wons (cerca de 71.500 euros) ao espaço.
A página do Instagram do restaurante refere ser a ementa especializada em “ingredientes coreanos com inspirações de todo o mundo”. Para o chef do Evett, “não existem ingredientes comuns ou banais“, afirma o guia Michelin, que distingue o fine dining com duas estrelas. Os investigadores do ministério terão dado conta dos pratos com formigas através de publicações em blogs e nas redes sociais — em 24 de junho de 2022, o próprio Joseph partilhou uma imagem com a legenda “a adicionar um toque ácido ao tira-gostos de arroz fermentado congelado”.
No comunicado divulgado, o órgão refere 10 insetos como autorizados para o consumo alimentar na Coreia do Sul, sem incluir qualquer tipo de formigas: gafanhoto-migratório, bicho-da-seda-da-mussardina-branca, bicho-da-seda comum, larva do escaravelho-da-farinha (mealworm), grilo-preto-de-duas-manchas, larva do escaravelho-rinoceronte, larva de escaravelho-das-flores (Protaetia brevitarsis), larva do escaravelho-da-farinha-gigante, tântalo/pupa de zângão e gafanhoto-do-deserto, sendo todos estes “sujeitos a normas e padrões temporários”.
As autoridades analisaram as formigas que eram servidas pelo restaurante, concluindo que estas “continham até 55 vezes mais metais pesados do que os insetos comestíveis comuns”, segundo o The Chosun Daily. Joseph Lidgerwood deveria ter solicitado a aprovação daquele ministério para utilizar as formigas nos pratos. “O estabelecimento não cumpriu estes trâmites, pelo que solicitamos às autoridades competentes a aplicação das devidas sanções administrativas”, diz o texto.

A decisão do juiz responsável pelo caso está prevista para ser publicada a 2 de setembro. Se for reconhecida a violação da lei de higiene alimentar, Joseph pode passar até um ano na prisão e a empresa que administra o seu restaurante ter de pagar uma coima de 20 milhões de wons (cerca de 11.800 euros).
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