João Pedro Luís foi eleito há dois meses líder da estrutura juvenil do PSD e revela que os próprios militantes da estrutura que tiveram de fazer exames nacionais viram a situação com “preocupação”. Em entrevista ao programa Vichyssoise, da Rádio Observador, o líder da JSD diz que “o que aconteceu foi grave e não deve ser desvalorizado“, embora acrescente que o ministro “tem condições para continuar”. O líder da estrutura juvenil afasta ainda a hipótese de ter existido “sabotagem” no processo.
O presidente da JSD saúda o facto de o porta-voz escolhido para o partido ser um jovem e diz que Sebastião Bugalho é “um dos melhores”. Mas recusa-se a escolher entre ele e Alexandre Poço. Numa altura em que a JSD tem investido na defesa da natalidade, João Pedro Luís considera que as declarações da ministra do Trabalho sobre a amamentação no início do processo de revisão do Código do Trabalho foram “infelizes“.
Sobre as exigências do PS para aprovar o Orçamento do Estado, o líder da JSD diz que “seria importante que o PS não confundisse o Orçamento de Estado com a revisão constitucional”. Sobre esse processo diz que “o PS não é nem dono do regime, nem dono da Constituição” e que, por isso, “não há drama nenhum se houver uma revisão constitucional sem o PS.”

Exames. “Não vale a pena fugir: o que aconteceu foi grave e não deve ser desvalorizado”
A JSD esteve sempre, na sua história, na defesa dos alunos, que foram os principais prejudicados com os erros nos exames. O ministro tem condições para continuar depois do que aconteceu?
A JSD tem na sua história um grande património na defesa dos estudantes e dos alunos em Portugal. Efetivamente gerou-se a perceção de que poderiam ser prejudicados e essa tem sido a grande prioridade da JSD ao longo do acompanhamento que tem feito do processo. Aquilo que para nós é relevante é que se garanta que nenhum aluno será prejudicado. Não vale a pena fugir do incontornável: o que aconteceu foi grave e não deve ser, de forma nenhuma, desvalorizado. Recorde-se que o ministro da Educação pediu desculpa aos alunos e às famílias e assumiu a responsabilidade pelo sucedido, mas o mais importante foi a capacidade de resolver o problema. Surgiu um problema em virtude de uma reforma que tem mais-valias para os estudantes e para os alunos — podermos ter a avaliação a não ser feita por um professor na prova integral, mas sim cada professor poder classificar itens em específico, torna a avaliação mais justa e mais equitativa. Os alunos poderem aceder à sua prova de forma digital e a essa classificação torna a avaliação mais transparente. Agora, hoje estamos em condições de poder acreditar, e é nisso em que eu acredito, que nenhum aluno será prejudicado pelos erros na classificação, nem pelas desconformidades que ocorreram na digitalização das provas através da época específica.
E, por isso, o ministro tem todas as condições para continuar se os problemas não se repetirem na segunda fase?
Creio que os problemas estão resolvidos. Vamos agora entrar na segunda fase, vamos ter uma época especial que garante que nenhum aluno será prejudicado e, portanto, naturalmente creio que o ministro tem condições para continuar, desde que se garanta que nenhum aluno será prejudicado.
Recebeu queixas de membros da JSD que estivessem a fazer os exames nacionais?
Naturalmente que a JSD tem nos seus 20 mil militantes muitos alunos que estão a passar por este processo, e como a generalidade dos alunos que foram confrontados com esta circunstância, isso gerou preocupação e apreensão, porque o que aconteceu foi grave. O que os descansa hoje é a garantia que nenhum aluno será prejudicado e que esta época especial garante que efetivamente o pior já passou e podemos prosseguir.
“Não creio que tenha havido sabotagem”
O porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, disse “não vou falar em sabotagem”, mas ao dizer isto acabou por referir esta possibilidade. Houve ou não sabotagem por parte dos professores ou de outras estruturas pelas quais o processo passou?
Não creio que tenha havido sabotagem. Efetivamente estamos perante uma reforma que é de saudar e naturalmente as mudanças têm sempre custos e têm sempre resistências naturais. Agora, não acredito que tenha havido sabotagem.
Não lhe passa pela cabeça que alguma estrutura possa ter feito essa sabotagem?
Creio que, quer os professores, quer os estudantes portugueses, quer as famílias, quer a tutela, estiveram todos empenhados para resolver a circunstância o melhor possível. É normal que numa mudança, numa reforma, numa transformação, numa digitalização, como aquela que aconteceu e continua a ocorrer, haja, como há sempre, resistências naturais à mudança.
Há outro ministro que também tem estado debaixo de fogo. Considera que já foram dadas todas as explicações necessárias?
Em democracia, quando se suscitam dúvidas sobre os titulares dos cargos públicos, há um dever de prestar esclarecimento. Mas a esse dever de prestar esclarecimento, também existe um direito a prestar esses mesmos esclarecimentos. Creio que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, já deu nota pública que dará todos os esclarecimentos e eu creio que tem naturalmente de dar.
Mas o que fez até agora deixou-o descansado?
O ministro Luís Neves disse que vai continuar a prestar esclarecimentos. Ele tem de os prestar e deve prestar, porque há um dever de esclarecimento e também há o direito de o senhor ministro se poder esclarecer. Há esclarecimentos que têm de ser dados e estou descansado na medida em que o próprio já deu nota pública que prestará esses esclarecimentos. O resto da avaliação tem de ficar para quando esses esclarecimentos ocorrerem pela parte do ministro Luís Neves.
E tendo em conta o contexto atual e estas últimas semanas, o Governo tem condições para ir até 2029 ou deve preparar-se para umas eleições antecipadas?
A legislatura que está previsto durar até 2029 tem todas as condições para ir até ao fim. Só não irá até ao fim se efetivamente por parte dos partidos da oposição, o Chega e o PS, houver um desejo de derrubar ou de não permitir que a governação prossiga. Tivemos eleições em 2024 e o que os portugueses disseram em 2024 é que queriam uma mudança segura. E, em 2025, o que os portugueses disseram, e aliás com maior vigor, porque os resultados foram bem mais expressivos entre o primeiro classificado e o segundo, e o terceiro, naturalmente, foi que queriam que o primeiro-ministro Luís Montenegro e o Governo da AD pudesse continuar a trabalhar. Aquilo que o Governo tem de continuar a fazer para justificar que a legislatura vá até ao fim é cumprir a legítima ambição e expectativa dos portugueses, que é que o Governo mude o país, transforme.
Ficou aliviado por ouvir André Ventura dizer que este não é o momento ideal para uma moção de censura?
Naturalmente que este não era o momento para nenhuma moção de censura. Essa avaliação faz André Ventura, faz José Luís Carneiro. Agora ninguém tem dúvidas que os portugueses não querem eleições. E os partidos de oposição conseguem também compreender que hoje em Portugal ninguém quer eleições e que ninguém compreenderia que houvesse eleições antecipadas. O País não pode andar de eleição em eleição todos os anos. Porque, em 2025, o resultado foi muito claro. Pode ter havido algum equilíbrio entre quem era a segunda força política e entre quem era o líder da oposição, mas entre quem os portugueses querem para liderar a governação não houve dúvida nenhuma. É importante que sejam dadas condições para que o Governo da AD, liderado por Luís Montenegro, possa executar o seu programa de governo de transformação, que foi isso que as pessoas pensaram.
“Seria importante que o PS não confundisse o OE com a revisão constitucional”
E nessas condições há um documento estratégico que é o Orçamento de Estado. O líder do PS disse numa entrevista que uma das condições que coloca para aprovar o Orçamento ou uma das prioridades que ele define nessa negociação com o Governo tem a ver com impedir que haja uma revisão constitucional só com o PSD e o Chega. O PSD deve ceder nessa exigência e incluir o PS em qualquer projeto de revisão constitucional?
Seria importante que o PS não confundisse o Orçamento de Estado com a revisão constitucional. Sabemos que não é possível fazer uma revisão constitucional sem o PSD, que já manifestou por diversas vezes a sua abertura ao diálogo e à conversa com todas as outras forças políticas com assento parlamentar que tenham vontade de poder revisitar a lei fundamental do nosso país. E para fazermos uma revisão constitucional e para alcançar os dois terços, há várias conjugações possíveis: umas que incluem o PS e uma outra que não inclui o PS. Mas essa possibilidade não foi dada por Deus nosso Senhor, foi dada por voto dos portugueses. Foram os portugueses que pela primeira vez permitiram que a Assembleia da República, através do voto que deram ao Partido Socialista e o resultado francamente negativo que teve, que pudesse ocorrer uma revisão constitucional sem o Partido Socialista. É desejável que o PSD converse com todas as forças políticas, com o PS, com o Chega, com a Iniciativa Liberal, no âmbito da revisão constitucional, respeitando o nosso espírito e o nosso pensamento constitucional e que tem uma grande tradição, mas acho que não deve haver dramas. E, quanto a mim, com muita clareza, não há drama nenhum. O PS não é nem dono do regime, nem dono da Constituição. Não há drama nenhum se houver uma revisão constitucional sem o Partido Socialista.
A escolha de um porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, que é uma inovação que não existia nos últimos anos, agrada ao líder de uma estrutura juvenil?
Agrada, naturalmente. A recriação da figura do porta-voz é uma opção estratégica da liderança e da direção do partido, que acho que tem a sua utilidade neste momento em que o PSD assume a governação do país. Em relação à escolha ser de um jovem, para quem é líder da JSD, não podia não saudar naturalmente esta iniciativa.
E este jovem em particular?
E este jovem em particular. Sebastião Bugalho não é militante da JSD, nunca foi militante da JSD, não fez o percurso normal de muitos dos dirigentes da JSD e depois do PSD, mas isso também revela a capacidade que o PSD continua a ter de ir buscar os melhores lá fora, de ir à sociedade civil e conseguir ir buscar aqueles que são os melhores. E o Sebastião Bugalho é um dos melhores.
O Alexandre Poço, que é ex-líder da JSD e fez esse percurso, já era vice-presidente. Teria feito mais sentido ser ele o porta-voz em vez de ser Sebastião Bugalho?
Essa pergunta tem de ser colocada a quem escolheu o porta-voz, que foi o presidente do Partido, a Luís Montenegro. Não tenho dúvidas que o Alexandre Poço, que foi o líder da JSD, que é vice-presidente do partido, que é vice-presidente do grupo parlamentar, faria um bom papel.
O Miguel Morgado disse que o Sebastião não devia acumular Bruxelas com a função de porta-voz.
O Alexandre Poço está a fazer o seu papel e, creio eu, bem, quer na direção do partido, quer na direção do parlamentar, quer como deputado na Assembleia da República. O Sebastião Bugalho é eurodeputado e acumula agora essas funções com ser vice-presidente de porta-voz. Acho que não há nenhuma incompatibilidade, nem de agenda, nem política, em que o porta-voz do PSD seja um vice-presidente que é eurodeputado.
Foi a cabeça de lista em 2021 e não conseguiu ser eleito. Em 2024 a JSD não conseguiu fazer valer a sua força, nem para que o líder, João Pedro Loura, fosse num lugar elegível. Agora ficou a 667 votos de eleger em Portalegre. Não enfraquece a JSD o líder não estar no Parlamento?
A esmagadora maioria dos líderes da JSD começaram já com os seus mandatos como deputado na Assembleia da República e houve outros que não começaram os seus mandatos no Parlamento, como é o caso, aliás, do meu antecessor, do João Pedro Louro. A ação política da JSD não se esgota na Assembleia da República, e não ter o líder no Parlamento não é um problema. A JSD tem muitos deputados com quem o presidente e a direcção nacional vão colaborar e estar em estreita articulação. A JSD continua a conseguir assegurar a sua força no seio na Assembleia da República e no grupo parlamentar. Tem hoje oito deputados e isso não é uma preocupação. E o presidente da JSD estará focado em coordenar a ação política da jota, que não se esgota na sua representação parlamentar.
Ainda é visto como um menino do Rio? E sente que há alguma desconfiança da atual direção por sido convidado pelo então líder?
Essa pergunta será melhor colocada a alguém da atual direção, mas, creio que não. Eu fui cabeça de lista do PSD e depois fui mandatário nacional da JSD. Acho que uma coisa e outra não são incompatíveis. Fui cabeça de lista do meu partido, no meu distrito, em 2021, e depois apoiei o Luís Montenegro nas eleições internas.
“As declarações da ministra [sobre amamentação] foram infelizes”
Como é que um jovem que defende a natalidade — aliás, na moção com que foi a votos, até propõe alargar o programa Creche Feliz até aos 5 anos —, olhou para as declarações da ministra do Trabalho depois de toda a polémica com a amamentação, e o facto de ter dito que o alargamento da licença parental para os 180 dias não é sustentável?
A natalidade é uma grande prioridade para a JSD. Tivemos, recentemente, um relatório da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que nos dá nota que Portugal está a enfrentar uma crise ainda mais grave do que aquilo que imaginávamos. Quem tem responsabilidades políticas e de políticas não pode olhar para aquilo que está a acontecer e ficar de braços cruzados. É preciso fazer uma aposta muito firme na natalidade e isso só se faz, efetivamente, com incentivos reais, efetivos e fortes. Porque nós não pretendemos obrigar ninguém a ter filhos.
Portanto, toda a ministra está errada?
Precisamos é de criar condições para que a natalidade desejada seja uma realidade. Para que ter filhos não seja um sonho e posso ser uma concretização pessoal para quem o deseja. Em relação a essas declarações, em particular, da senhora ministra do Trabalho, creio que foram infelizes.
Na moção que o elegeu, defendia penas mais pesadas para crimes sexuais, não temos de estar a entrar aqui um bocadinho na agenda do Chega?
De todo, aliás, acho que muito mal está este país se só o Chega falar desse assunto. Mas recorde-se que entre o que o Chega defende, ou defendeu inicialmente, e o que a JSD defende vai a uma longa distância. O Chega começou por defender castrações químicas, tem vindo a moderar a sua posição, a JSD diz algo muito claro: temos em Portugal, segundo os dados do Observatório Anual de Segurança Interna de 2025, uma violação a cada 15 horas. É pouco relevante entrarmos na discussão sobre se o que está a aumentar são as violações do ponto de vista efetivo ou se são as denúncias, porque de qualquer das formas nós temos no mínimo, pelo menos, uma violação a cada 15 anos. E eu pergunto se esta não é uma chaga social, se é ou não é um flagelo que merece um combate firme e efetivo. E eu quero que esse combate firme e efetivo tenha, naturalmente, uma componente de prevenção e sensibilização, mas eu quero que essa componente não é suficiente. Isto não vai lá só com conversa. É preciso que o Estado esteja onde tem de estar, que é ao lado das vítimas. E, efetivamente, temos notícias todos os dias de casos cada vez mais sérios em Portugal sobre violações e abusos sexuais. E o Estado tem de ter uma resposta.
A justiça tem sido leve?
Tem sido leve, manifestamente leve. Veja-se os diversos casos que conhecemos de violações que acabam sempre com apenas pena suspensa. Precisamos de poder garantir que há penas efetivas para quem comete o crime sexual. É preciso revisitar a moldura penal e garantir que o Estado passa uma mensagem, que é de tolerância zero. Que “não é não”. E que, em Portugal, quem cometer uma violação não vai passar impune.
Outro dos assuntos que têm afetado os jovens em Portugal é a questão da habitação. O Governo tem feito o suficiente?
O Governo da AD iniciou uma trajetória que é preciso ressalvar e que o presidente da JSD deve saudar, de iniciar um caminho de recuperação para que fosse possível para o jovem em Portugal conseguir adquirir a habitação própria. E, portanto, permita-me que recorde dois números. Desde agosto de 2024, a isenção de IMT e o imposto de selo já abrangeu mais de 77 mil jovens. A garantia pública, só em 2025, cobriu mais de 25 mil contratos. Agora, naturalmente, na habitação, a postura da JSD tem de ser de elogiar o que deve ser elogiado. Este Governo tem dado uma grande centralidade às políticas de juventude e aos jovens portugueses. É uma aposta política, muitas vezes criticada, aliás, a propósito IRS jovem, como sabem. Agora, efetivamente, na JSD nós saudamos que essa aposta política tem sido feita a dar uma grande prioridade às novas gerações. A garantir que quem quer ter futuro em Portugal tem condições para ter. Agora, a nossa postura com o Governo é naturalmente sempre da ambição e da exigência e na habitação também é preciso continuar este caminho. Agora, acho que é importante ressalvar que, nestes dois anos, se começou a inverter uma trajetória.
A JSD, no tempo de Pedro Passos Coelho, por exemplo, era mais progressista do que o partido-mãe, do que o PSD. Noutros tempos, com a liderança do Hugo Soares, até podemos considerar que era um bocadinho mais conservadora, relativamente ao próprio partido. A JSD de hoje é mais conservadora ou mais progressista? Ou, se preferir, está mais à esquerda ou à direita do partido?
Entendo a leitura de que, no tempo de Pedro Passos Coelho como líder da JSD, a JSD era percepcionada como estando à esquerda, mais progressista do que o partido e com outros líderes pode ter sido a leitura inversa. Mas creio que essa questão, honestamente, não se coloca. Não sinto que a JSD esteja mais à direita ou mais à esquerda, ou seja, mais conservadora em relação ao PSD. Acho que, tema a tema, caso a caso, assunto a assunto, naturalmente a JSD terá, em alguns casos, posições coincidentes com as do PSD e, em outros casos, posições divergentes. E não tenho dúvida nenhuma que, nas posições que assumiremos nos próximos anos, em divergência com o partido, algumas delas serão percepcionadas como sendo mais à esquerda e mais progressistas e outras como sendo mais à direita e menos progressistas.
Deixe-me tentar aqui uma mais progressista. A JSD esteve sempre à frente do partido, por exemplo, na Interrupção Voluntária da Gravidez, ao longo dos anos. O PS quis aumentar para 12 semanas, o período em que é possível fazê-lo, e o Bloco para 14. Atualmente está nas 10. Há alguma reflexão interna na JSD sobre isto? A lei está bem como está?
O que lhe posso dizer muito diretamente sobre a questão da revisão da lei do aborto é que na JSD há naturalmente diversidade de opiniões em matérias como essa. E, portanto, eu não lhe posso dizer em abono da verdade qual é a posição da JSD como um todo, até porque essa posição não existe. O que lhe posso dar, até porque não é segredo para ninguém, é a posição do atual presidente da JSD. Aliás, foi com um artigo de opinião justamente no Observador, aquando dessa discussão do alargamento do prazo, que assumi a minha posição, muito tempo antes até de ser candidato. E eu não tenho nenhum problema em assumir que sou frontalmente contra o alargamento do prazo. Não entendo que haja nenhuma razão palpável, objetiva para que se vá revisitar uma lei que hoje está consensualizada na sociedade portuguesa e não creio que haja nenhuma necessidade de alargar o prazo das 10 para as 12 semanas, quando aquilo que os números nos revelam é que a esmagadora maioria das interrupções voluntárias das gravidez no nosso país ocorrem às sete semanas.
“Nunca fumei [drogas leves]”
Portanto, não acho que haja necessidade nenhuma de alargar o prazo. Já estava na JSD nessa altura, que eu lembro-me bem, em que a JSD promoveu uma consulta interna sobre a legalização do consumo do cannabis a partir dos 21 anos, que foi no tempo da Margarida Balseiro Lopes. Como é que votou nessa altura?
Na altura, votei contra. Mas é um tema que a JSD poderá revisitar, mas sobre a qual, ao dia de hoje, não tenho uma posição oficial da JSD.
E já fumou [drogas leves?
Nunca.
E se tivesse que escolher um político do PS para integrar os quadros do PSD, quem é que seria?
Duarte Cordeiro.
O secretário-geral do PSD nas últimas eleições norte-americanas disse que teria muitas dificuldades em escolher entre Donald Trump ou Kamala Harris. Consegue escolher?
Não tenho nenhuma dúvida, não tenho nenhum problema em assumir que se a pergunta me fosse colocada na primeira eleição de Donald Trump, eu poderia ter mais dúvidas. Mas depois daquilo que ocorreu, quando Donald Trump não foi capaz de reconhecer o resultado eleitoral que o povo lhe teria dado, reconhecendo a derrota, é que não há dúvida nenhuma.
Já tem saudades de Marcelo Rebelo de Sousa?
Não tenho propriamente saudades de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República, porque ainda há pouco tempo tive a felicidade de poder ver um jogo da Seleção Nacional na companhia dele e pude voltar a estar de perto com uma personalidade ímpar da democracia portuguesa como é o caso de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas quero dizer que o atual Presidente da República, apesar de estar, no início do mandato, tem deixado algumas mensagens que eu considero que são muito positivas sobre a importância da estabilidade para que se possa transformar o país.
Bugalho ou Poço? “Essa vão ter de me deixar passar”
Vamos agora passar à fase do Carnal Peixe, em que vai ter de escolher uma de duas opções. Quem gostaria que estivesse como orador na próxima Universidade de Verão do PSD: Passos Coelho ou Rui Rio?
Rui Rio.
Preferia ser ministro da Juventude de um Governo liderado por Sebastião Bugalho ou por Alexandre Poço? Essa é a pergunta mais difícil, vocês vão ter de me deixar passar.
Se fosse para dar uma aula sobre como liderar uma estrutura juvenil, convidaria Hugo Soares ou Pedro Duarte?
Pedro Duarte.
E para terminar, quem é que convidaria para ir beber um copo ao Lust: Fernando Alexandre ou Luís Neves?
Fernando Alexandre.