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Ministério Público não delega na PJ a investigação do caso do atrelado encontrado na empresa de amigo de Luís Neves

PGR confirmou ao Observador que o DIAP de Lisboa conduz sozinho o inquérito sobre o atrelado apreendido que foi parar à empresa do amigo do ministro da Administração Interna. PJ recusa 'afastamento'.

João Paulo Godinho
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Luís Rosa
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Mariana Furtado
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A investigação do inquérito ao caso do atrelado de droga apreendido na Operação Pacoba que foi encontrado nas instalações da empresa Construbarcelos, do empreiteiro amigo do ministro Luís Neves, vai ficar concentrada, por agora, no Ministério Público.

“O inquérito instaurado relativo a bens que se encontravam apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba’ é dirigido pelo DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] Regional de Lisboa. A investigação encontra-se a cargo do Ministério Público deste departamento e não será, por ora, delegada em qualquer órgão de polícia criminal”, refere ao Observador fonte oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR).

https://observador.pt/2026/07/17/pj-confirma-inquerito-sobre-atrelado-de-droga-apreendido-que-foi-encontrado-em-empresa-de-amigo-do-ministro-luis-neves/

Desta forma, o inquérito que tinha sido instaurado pela Polícia Judiciária (PJ) e comunicado ao MP — anunciado publicamente na passada sexta-feira — não será delegado no órgão de polícia criminal anteriormente dirigido por Luís Neves. Isto é, a PJ não investigará, para já, o seu ex-diretor nacional.

Uma decisão desta natureza — o titular da ação penal ficar com o caso e não delegar a investigação num órgão de polícia criminal, nomeadamente a PJ — não é comum. Fonte oficial da PGR não explicou o fundamento desta decisão do DIAP de Lisboa.

Recorde-se que a PJ recolheu indícios da eventual prática dos crimes de descaminho e abuso de poder nas primeiras averiguações sobre o caso da galera — com bidões de químicos usados para produção de droga — que foi encontrada nas instalações da Construbarcelos, do empreiteiro João Santos Carvalho. Esses indícios foram transmitidos ao MP, que agora decidiu chamar a si as diligências de investigação necessárias para a descoberta da verdade.

https://observador.pt/2026/07/21/pj-aponta-crimes-de-descaminho-e-abuso-de-poder-no-atrelado-de-droga-ligado-ao-ministro-luis-neves-e-a-empresa-do-amigo/

Uma outra fonte judicial tinha já assegurado ao Observador que só Luís Neves, então diretor nacional da PJ, poderia ter autorizado a movimentação no verão de 2025 do atrelado apreendido (com bidões de produtos químicos usados para a produção de droga) em dezembro de 2024.

PJ recusa ter sido ‘afastada’ da investigação do caso do atrelado

Em resposta às notícias de outros órgãos de comunicação social que veicularam que a PJ havia sido ‘afastada’ da investigação ao caso do atrelado apreendido no âmbito da “Operação Pacoba” — e localizado nas instalações da Construbarcelos —, a PJ veio “reiterar o teor do esclarecimento” enviado no dia 17 às redações.

A PJ esclarece que o inquérito “foi iniciado na Polícia Judiciária por sua iniciativa” e remetido ao Ministério Público para “apreciação e decisão tal como sucede com todos os restantes inquéritos-crime”. Por esse motivo, a PJ sublinha que “não é rigoroso concluir que a investigação tenha sido retirada à Polícia Judiciária”.

O atrelado havia sido apreendido no âmbito da investigação da PJ apelidada de “Operação Pacoba”, uma megaoperação de combate ao tráfico de droga. No decorrer desta investigação, a PJ anunciou, em dezembro de 2024, o desmantelamento de um laboratório de cocaína em Portugal.

O atrelado tinha sido levado para instalações da Marinha, no Seixal, e acabou por sair dali em 2025 para ficar até à semana passada na Construbarcelos — a empresa que celebrou 17 contratos com a PJ no valor de cerca de 2,2 milhões de euros e tem obras particulares em curso nos montes alentejanos do ministro Luís Neves.

(*Texto atualizado às 19h15 com novos esclarecimentos prestados pela PJ em comunicado)