Quando regressaram aos palcos em março deste ano, é possível que apenas os integrantes do Trovante soubessem da urgência silenciosa desses concertos: meses depois — mais precisamente esta quarta-feira, 22 de julho — um dos elementos fundamentais deste conjunto, Luís Represas, morreria aos 69 anos, vítima de cancro do pulmão.
A inesperada morte de um dos fundadores acabaria por revestir de particular significância essas quatro datas em que o grupo voltou a tocar ao vivo. Mais do que celebrar os 50 anos desde a sua fundação, as atuações trataram invariável e involuntariamente de assinalar uma despedida em grande deste grupo, tratado sempre pelos seus integrantes pelo singular — ”o Trovante” e não “os Trovante” — por ser, para eles, uma entidade musical para a qual trabalhavam e não apenas uma banda de que faziam parte.
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Aliada ao talento composicional e lírico dos seus membros, essa ética para com o Trovante foi o que impulsionou o projeto a tornar-se num dos mais significativos do Portugal democrático, com oito álbuns lançados num espaço de 13 anos, cada um deles contribuindo para mapear os caminhos de uma nova pop nacional, pintalgada — a momentos distintos — de folk, rock, jazz e canção de intervenção.
Todavia, foi essa mesma postura a que levou o Trovante a terminar atividade ao fim de 16 anos e a nunca mais regressar a tempo inteiro, reunindo-se ao longo das décadas para encontros esporádicos, motivados por convites ou efemérides. Perante uma noção de esgotamento face ao que podiam oferecer ao grupo e à dispersão das intenções de cada um, os seus elementos prosseguiram projetos e carreiras a solo de sucesso variado, destacando-se as de Luís Represas, João Gil e Manuel Faria. Este último, teclista e um dos fundadores, explicaria numa entrevista conjunta ao Expresso em 2025 quando todos se aperceberam que tinham chegado ao fim da linha:
Trovante tinha uma característica que é difícil perceber de fora: estávamos todo o dia, todos os dias, a ensaiar. Hoje, isso era impossível. Para construirmos uma canção, estávamos um mês e meio a ensaiar todos os dias… ninguém está para isso. No último disco, Um destes Dias (1990), já tivemos malta responsável pelos arranjos, estava tudo muito mais partido. Porquê? Porque tínhamos muitas outras coisas para fazer e já não havia aquela dedicação. Lembro-me de desmontarmos a bateria a meio da gravação porque o José Salgueiro ia tocar não sei aonde. Isso foi o prenúncio de que não estava a funcionar.
“O Trovante necessita de espaço temporal, espaço vital, para poder funcionar de forma eficaz”, afirmou Represas na mesma entrevista, oferecendo uma outra explicação lapidar para a forma como o grupo encarou o seu percurso: “Para o Trovante pensar, temos de nos reunir todos para chegarmos a um pensamento comum.” A primeira reunião a sério ocorreu em Sagres, no ano de 1976.
Da militância ao sucesso inicial
No verão desse ano, com o país a viver o rescaldo do fervor revolucionário do PREC e do 25 de Novembro que lhe pôs fim, a música de intervenção portuguesa atravessava um período conturbado, não desaparecendo, mas começando a perder a hegemonia cultural dos anos anteriores. Cada vez mais relegada para segundo plano por um público que “já não queria canções políticas”, a chegada do Boom do Rock Português dos anos 80 seria a estocada final, mas não sem antes uma última vaga de bandas e artistas dar-lhe um sopro de vitalidade.
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Entre a nova geração com sangue na guelra constavam os irmãos João Nuno e Luís Represas, Manuel Faria, João Gil e Artur Costa, todos eles amigos antes de serem colegas de banda. Os cinco já se conheciam das andanças políticas em Lisboa, partilhando o ideário revolucionário e militando na União dos Estudantes Comunistas, a ala estudantil do PCP. Alguns, como Gil e Costa, já tinham até formado bandas, como os prematuros Sovietes do Areeiro. No entanto, aquilo que os motivou a dar o passo que mudou as suas vidas foram umas férias de verão em Sagres quando, entre medronhos e imperiais, se puseram a tocar e a cantar.
“Íamos cada vez mais identificando-nos profundamente com as músicas que nós gostávamos, que sabíamos tocar e que partilhávamos uns com os outros, e daí começamos a perceber que tínhamos alguma coisa em comum musicalmente”, afirmou Represas em conversa à TSF. O nome deste projeto, revelou Manuel Faria décadas depois em Trovante – Por Detrás do Palco, biografia da banda publicada em 2003, surgiu de uma “mistura de trova, músico ambulante, e avante, para a frente, no melhor sentido da palavra”.
A completar este alinhamento como elemento não-oficial esteve Francisco Viana, filho do célebre fadista Vianinha. Assumindo-se como uma espécie de figura patriarcal do grupo por ser mais velho, além de também ser militante comunista, era poeta e foi quem forneceu a matéria prima lírica para os restantes começarem a transformar em canções. A importância de Viana para a génese do grupo, no entanto, não se ficou por aí: foi na sua casa onde o Trovante ensaiou pela primeira vez e foi ele também o responsável por este grupo de jovens dar o primeiro concerto de monta. “Nesse ano, na festa preparatória que foi um balão de ensaio para a primeira Festa do Avante!, na FIL, o Chico Viana meteu uma enorme cunha ao Ruben de Carvalho para nós tocarmos. Tínhamos começado há dois meses, aquilo era ainda muito imberbe, mas tocámos umas quatro ou cinco músicas no palco 1, com 5 mil pessoas à frente. Foi o prenúncio de alguma coisa que estava para vir”, contou Represas ao Público.
Dessa atuação até lançar as primeiras músicas foi um sopro, recebendo um convite para gravar o primeiro álbum, Chão Nosso, editado pela Sassetti no ano seguinte. Apesar de ter sonoridade e tom político distintos do que viria daí para a frente, este trabalho inaugural pôs em primeiro plano o intento de trilhar um caminho diferente daquele que viam palmilhar no panorama nacional. “Uma das vantagens que tivemos, desde o primeiro disco, foi não estarmos preocupados com o que faziam os outros. Embora trabalhássemos com o Adriano [Correia de Oliveira], o Zeca Afonso e o Fausto, não queríamos fazer o mesmo que eles faziam. Daí esta grande trapalhada, entre aspas, que foi o primeiro álbum, o Chão Nosso”, explicou Represas nessa mesma conversa.
É por isso que Chão Nosso não foi beber apenas ao repertório da música popular portuguesa e dos nomes acima descritos, mas também ao rock que continuava a brotar no mundo anglossaxónico e à música de intervenção sul-americana, em particular a “Nueva Canción Chilena” de nomes como Violeta Parra, Inti-Illimani e Quilapayún. As letras, assinadas por Viana, aproximavam o seu credo daqueles que lutaram por (e choraram) Salvador Allende: “Chão nosso / Da nossa batalha / Glória, glória / A quem o trabalha”, ouve-se no tema título.
Este gesto inicial lançou os Trovante junto de um público mais seleto ou mais inclinado ideologicamente, reforçando o seu estatuto junto do meio político de esquerda em Portugal e das suas emanações culturais. De tal forma que começaram a calcorrear o país para dar concertos em comícios e festas populares, atuando em cima de atrelados de trator ou coretos; em suma, amadureceram perante condições materiais que pecavam ante a vontade imensa de espalhar a sua música. Ao mesmo tempo, também viajariam para tocar em festivais internacionais em estados de alinhamento comunista, como a Checoslováquia, a RDA, a Bulgária e Cuba, onde atuaram no Festival Mundial da Juventude de 1978 com a canção Nuvem Negra.
Um ano depois, lançaram o segundo disco, Em Nome da Vida, que contou com a participação de Pedro Caldeira Cabral, de Rui Cardoso e de Fausto Bordalo Dias, a quem devolveram a simpatia ao fazer coros em Histórias de Viageiros e com quem muito aprenderam, começando a compôr canções mais elaboradas. Ainda em 1979, editariam um último single mais dedicado à militância, Toca a Reunir, que contou com a voz de Né Ladeiras. Vinda da Brigada Victor Jara, a cantora portuense ainda fez alguns espetáculos com o Trovante e chegou a trabalhar na elaboração do eventual terceiro álbum, mas acabaria por sair com o dealbar da nova década, passando a integrar a Banda do Casaco.
A chegada dos anos 80, no entanto, trouxe mudanças profundas para o grupo, a começar pela entrada de dois novos elementos: Fernando Júdice, para o baixo, e António José Martins, para a bateria, tendo estes dois instrumentos passado a ter outra preponderância. Ao mesmo tempo, os membros do Trovante apostaram em diversificar ainda mais a sua paleta musical, decisão talvez fulcral para não serem engolidos pela vaga do Novo Rock Português como relíquias da década anterior, aproveitando a onda para chegar a novos públicos. “Já tínhamos passado da música de intervenção para uma estética que se foi desenvolvendo com a inclusão de instrumentos um bocadinho mais próximos da pop e outros géneros de música”, afirmou Represas ao Expresso.
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O principal responsável por isso foi Baile no Bosque. Editado em 1981 pela Valentim de Carvalho, foi o primeiro grande sucesso do grupo, contendo temas canónicos como Prima Da Chula e Balada Das Sete Saias, última canção do grupo a contar com letra de Francisco Viana. Essa singela contribuição foi sintomática de um progressivo afastamento do meio político de onde tinham surgido, com os vários elementos a afastarem-se do PCP. “Já tínhamos posto muita coisa em causa e estávamos noutra estrada. Então, quando começámos a trazer canções que não eram comprometidas, eles perguntam: ‘Mas o que é que vocês querem dizer com esta ‘Balada das Sete Saias’?’”, recordou Represas nessa mesma entrevista. Perante as acusações de alguns fãs de já não serem “os mesmos”, os músicos viriam a assumi-lo, mas sem renegar o seu percurso. Prova disso é que mantiveram uma relação de proximidade com o pai da Festa do Avante, Ruben de Carvalho, sendo convidados múltiplas vezes — inclusivamente após o “divórcio” político, tocando para cerca de 100 mil pessoas na edição de 1986.
Esse afastamento, de resto, seria apadrinhado pelo próprio secretário-geral do partido, Álvaro Cunhal, recordado por Represas como um “artista superior” e, por isso, com a capacidade de compreender pulsões criativas diferentes de um propósito político. Isso ficou bem patente numa história que o músico veio a recordar várias vezes ao longo dos anos:
Houve um outro alguém que se acercou ao Álvaro Cunhal, que além do seu pensamento crítico era um artista superior, e disse-lhe: “Camarada, já viste? Aquela rapaziada do Trovante está a afastar-se, estão a fazer outras coisas.” E o Álvaro Cunhal disse-lhe: “Estão eles a fazer muito bem. Deixa os rapazes. São jovens, deixa-os seguir o caminho deles. Os artistas são assim, têm de ter possibilidade e capacidade de voar. Têm de ser respeitados.” O outro meteu a viola no saco e foi à sua vida. São duas formas de agir diferentes.
A maturidade pop e a clarividência do adeus
O ano de 1981 revelou-se crucial para o Trovante, e não apenas pelo sucesso de Baile no Bosque junto da crítica e do público. Em julho, foram convidados para tocar na festa do semanário cultural “Se7e”, ao lado de bandas como os UHF e os Salada de Frutas e de nomes como Rui Veloso, Sérgio Godinho e Paulinho da Viola. Foi um evento que não só os fez aperceber-se da popularidade que tinham começado a cultivar como serviu de catalisador para a sua aceitação junto dos ouvintes, da imprensa, das rádios e das televisões. Para Manuel Faria, este foi o “clique”, foi “quando começámos a construir público e ele ia atrás de nós. Antes, quase nunca atuávamos em nome próprio, eram espetáculos mais partilhados”.
Nota. Aqui está, digitalizada, a reportagem sobre a famosa festa do Se7e no Campo Pequeno. A tia Isabel e eu estivemos lá, e está ali a explicação para o vinil dos Trovante (que, tal como a Lena d'Água, fazem parte da banda sonora daquela ínclita geração). Guarda-o.
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— Raúl F. CURVÊLO (@raulfcurvelo) July 22, 2026
O fim das colaborações com Francisco Viana representou um corte com o letrismo mais politizado, mas não com a poesia ou com a literatura. Em Baile no Bosque, o Trovante musicou poemas de Maria Rosa Colaço, Eugénio de Andrade e António Aleixo. No entanto, ao mesmo tempo, os elementos do Trovante — Luís Represas e João Gil, em particular — começaram a ganhar mais calo na componente lírica, arriscando cada vez mais escrever as letras das canções. Se isso começou a notar-se nesse seu terceiro disco, seria ainda mais evidente no sucessor, Cais das Colinas, de 1983.
https://youtu.be/u3BL5ypzy_c?si=FpG5sgmjvMiYRjFF
Apesar de contar com uma panóplia de colaborações — as vozes de Rui Veloso, Vitorino e Fernando Girão no coro de Oração, as letras de João Monge, Sérgio Godinho e Carlos Tê — e de musicar poemas de Fernando Pessoa e Eugénio de Andrade, este álbum é principalmente marcado por Saudade. Tema inteiramente concebido por João Gil aquando da visita do grupo a Luanda em plena Guerra Civil Angolana, tornou-se em outra das canções imortais do Trovante. Além disso, apesar de não ter tido o mesmo sucesso que o lançamento anterior, Cais das Colinas foi igualmente importante por ser o primeiro álbum gravado inteiramente pelo grupo, sem recorrer a produtores externos, e aquele que os levou a tocar na Aula Magna. Neste período também, o conjunto fixaria a sua formação, com a saída de João Nuno Represas e entrada de José Salgueiro nas percussões.
Contando com este disco, o Trovante iniciou um sequência alucinante de quatro álbuns no espaço de quatro anos: 84 em 1984, Sepes em 1986 e Terra Firme em 1987. Do primeiro destes três saíram ex-libris do projeto como Xácara Das Bruxas Dançando e Travessa Do Poço Dos Negros, motivando o desafio ainda maior de marcar concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto, entretanto esgotados. Já com Sepes, no seu décimo aniversário de existência, o grupo lançou possivelmente o seu álbum mais desafiante, mas também aquele que deu temas inescapáveis como Fizeram Os Dias Assim e Namoro II.
https://www.youtube.com/watch?v=HI6kv0UXivY
Foi, no entanto, com Terra Firme que o Trovante atingiria o seu apogeu de aceitação, tanto pública quanto crítica, dando uma guinada mais decidida para a pop. É nada menos do que o disco de onde saíram 125 Azul e Perdidamente, temas que marcaram gerações de tal forma ubíqua que é possível saber cantarolá-las desconhecendo os seus autores. Porém, numa curiosa ironia, foi também o disco que, apesar de parecer de imediato ter canções de sucesso, nem o grupo nem a editora sabiam bem o que tinham em mãos. Como recorda a banda ao Público:
Quando acabámos de fazer o corte do disco, houve, como era habitual, uma reunião com a editora [Valentim de Carvalho], passámos o disco todo e, no fim, o Francisco Vasconcelos e o David Ferreira olham um para o outro, olham para nós, e dizem: ‘Não estou a ver nenhum single aqui.’ E nós também não estávamos a ver. A prova é que andámos à procura e ainda regravámos o Bye-bye blackout com metais a ver se dava.
Mais evidente, porém, foi a constatação de que, face ao crescimento do Trovante, seria necessária uma sala de espetáculos maior. É por isso que o próximo patamar foi tocar no Campo Pequeno, empreitada que levou inclusive à gravação de Ao Vivo No Campo Pequeno, captado num dos espetáculos e lançado em 1988, tornando-se disco de platina. “Esses espectáculos criaram uma dinâmica com o público e fizeram das canções o que elas vieram a ser”, afirma João Gil, a propósito de como foi ir subindo de patamar à medida que a popularidade do conjunto continuava a crescer.
Não obstante o sucesso de Terra Firme, este também foi o álbum a partir do qual as dinâmicas do grupo começaram a definhar, com cada elemento a sentir uma vontade crescente de experimentar outros projetos e paisagens musicais. Ainda assim o Trovante lançou um último disco, Um Destes Dias, título pensado exatamente por brincar com o facto de cada vez mais jornalistas perguntarem aos membros se o grupo estava para acabar ou não. A verdade é que o álbum representou um decréscimo de qualidade depois de uma sequência incólume, sendo principalmente recordado por Timor.
https://youtu.be/V410xjheelQ?si=qgE1c9jJ3euCPtW1
Grito de protesto pela comunidade timorense sob ocupação do regime militar da Indonésia, foi originalmente concebido para figurar no telefilme Flores Amargas de Margarida Gil, irmã de João Gil. “Era um assunto tabu, era incómodo à esquerda, ao centro, à direita. Eu fui investigar para tentar perceber o que se passava, queria entrar na paisagem de Timor. Estávamos dois anos antes do massacre [de Santa Cruz, onde 250 pessoas foram mortas por militares indonésios, em 1991]. Não fomos ‘atrás do prejuízo’, é importante deixar isto claro”, frisou o músico à Notícias Magazine em 2017. Timor acabou então por tornar-se uma espécie de regresso às raízes de intervenção cívica e ação política por meio da canção, tendo o condão de ser também o último grande êxito do Trovante, em particular por ter sido relançada em 1999, aquando do referendo pela independência.
Com a clarividência de parar antes de arriscar manchar o legado do projeto, os elementos do Trovante acabariam por realizar uma última digressão enquanto grupo no ativo antes de confirmarem no final de 1991 a sua dissolução. Em retrospetiva, os fundadores do conjunto admitem que cada um teve as suas motivações para se separar, mas arriscam alguns pontos em comum. “Houve um certo esgotamento, acho eu, do que se podia partilhar. Chegámos a uma altura em que já se tinha partilhado tudo. E já se tinha partilhado tudo em sol, em dó, em dó sustenido, em ternário e quaternário. Precisávamos de experimentar outras coisas com outras pessoas”, comentou Manuel Faria a propósito do anúncio do concerto dos 50 anos.
“Começámos a trabalhar juntos com 19, 20 anos, e crescemos juntos, quer musicalmente quer em termos de cidadania, humanos. Durante muito tempo, esse crescimento foi coincidente, mas aquelas diferenças foram-se acentuando cada vez mais. No fim de contas, acabou por ser isso. Agora, quisemos sempre preservar esse respeito pelo Trovante, por isso é que chegámos a uma altura em que dissemos: ‘não, isto acaba aqui’”, secundou Represas.