Primeiro Morten Hjulmand, depois Francisco Trincão, antes nomes como Alisson, Rodrigo Ribeiro, Diogo Travassos ou Morita (neste caso, a custo zero) entre várias transações no mercado internacional que, por conta de mais-valias garantidas em acordos anteriores e/ou mecanismos de solidariedade, foram dando encaixes extra para equilíbrio das contas. O “novo ciclo” que o Sporting tinha há muito definido para a temporada de 2026/27 foi seguindo em marcha com alguma surpresa externa à mistura quando o nome de Pedro Gonçalves surgiu como próxima transferência. No entanto, essa era mesmo a ideia. Mais: não será a última venda que os leões realizarão este verão, com uma nova venda milionária à vista.
Comecemos pela saída que está mais próxima de ser concretizada: Pedro Gonçalves. Não existiu um nexo de causalidade entre a ausência do internacional português no encontro particular frente ao Estrasburgo e uma possível venda nos próximos dias, até porque o médio ofensivo fez parte dos jogadores que estiveram nessa manhã num outro jogo treino, neste caso à porta fechada, frente ao Portimonense (1-0 com partes de 35 minutos, com golo de penálti de Daniel Bragança). Ainda assim, e depois de ter sido fechada a saída de Francisco Trincão para o Al Ahli, Jorge Mendes, agente que está também a intermediar a situação de Pote, continuou a trabalhar mais uma venda para a Arábia Saudita que deverá concluir nos próximos dias.
Pelos últimos valores em cima da mesa, seja a venda concluída para o Al-Ittihad de Jens Wissing (que rendeu Sérgio Conceição no comando técnico e que tem no plantel os portugueses Danilo Pereira e Roger Fernandes) ou para o Al-Diriyah de Bruno Lage (que subiu da Segunda Liga com Moussa Marega na equipa), o Sporting deverá conseguir um valor a rondar os 25 milhões de euros com Pedro Gonçalves, a que acrescem bónus por objetivos desportivos. Ou seja, e só com as vendas de Morten Hjulmand, Trincão, Pote, Alisson Santos, Rodrigo Ribeiro e Diogo Travassos, os leões vão realizar mais de 132 milhões de euros, a que se juntam ainda mais 11,5 milhões de mais-valias e/ou mecanismos de solidariedade de Afonso Moreira, Mateus Fernandes, Nazinho e Fatawu, que acaba de assinar pelos ingleses do Ipswich.
Por aqui, e apesar dos valores envolvidos, ainda não seria um valor recorde com vendas de ativos da SAD verde e branca, depois dos pouco mais de 180 milhões de euros feitos no exercício de 2025/26 (contando com Geovany Quenda e Dário Essugo, que assinaram pelo Chelsea ainda em março de 2025). Não seria, vai ser. E há mais uma venda na calha que, não sendo nesta fase do mercado uma possibilidade real, também estava salvaguardada como uma possibilidade caso existisse uma oferta “válida” nesse sentido.
Do meio-campo para trás, e olhando somente para as unidades habitualmente titulares, a ideia passou sempre por manter pelo menos mais uma temporada Maxi Araújo (que esteve em destaque no Mundial mas que só poderia sair este verão de Alvalade por uma proposta que chegasse à cláusula de rescisão ou muito perto, algo improvável nesta fase) e Iván Fresneda, mas admitia a venda de um de dois centrais: Ousmane Diomande ou Gonçalo Inácio. O cenário já se tinha colocado em 2025 mas, nessa janela de mercado, nenhuma proposta chegou aos valores pretendidos, nomeadamente as várias abordagens que o Crystal Palace foi fazendo pelo costa-marfinense. Agora, a realidade é outra.
Com a surpreendente chegada de Oliver Glasner ao comando do Nottingham Forest – depois de ter estado na corrida para assumir o AC Milan, para onde iria Ruben Amorim –, que substituiu Vítor Pereira quando parecia tudo feito para o português continuar depois de ter assegurado a permanência na Premier e ter atingido as meias-finais da Liga Europa, o antigo campeão europeu virou atenções para Diomande a pedido do novo treinador, que conquistou a Liga Conferência de 2025/26 pelo Crystal Palace, e apresenta valores iniciais que se aproximam daquilo que é pretendido pelo Sporting. Mais: segundo informações recolhidas pelo Observador, o central africano deverá ser a transferência mais lucrativa dos leões este verão, mesmo assumindo que 10% do valor vai para os dinamarqueses do Midjylland, como ficou acordado na compra que partiu dos 7,5 milhões mas chegou aos 12,5 milhões pelos bónus cumpridos.
A confirmar-se a provável saída de Diomande, a hipótese de Gonçalo Inácio deixar também Alvalade este verão fica reduzida, até pelo papel importante que terá em termos de liderança depois da saída do capitão Morten Hjulmand. Isto numa altura em que foram aumentando os rumores sobre o interesse de Ruben Amorim em garantir o internacional português, com quem trabalhou várias temporadas em Alvalade.
Do lado das entradas, houve uma série de conversações que estavam pendentes e que podem agora ser retomadas – ou chegar a um possível final sem êxito, como também aconteceu. Yeremay, ala espanhol de 23 anos, voltou a ser tentado pela SAD verde e branca que, numa derradeira tentativa de resgatar um alvo que já vem do ano passado, terá oferecido um valor global de 40 milhões de euros mais uma percentagem de mais-valia numa futura venda. Nem assim o Deportivo baixou a guarda em relação às exigências pelo jogador, o que fez com que fosse ativado um outro plano que entronca naquilo que Rui Borges tem visto em termos de características dos reforços já confirmados, nomeadamente Issa Doumbia.
Nestory Irankunda, internacional australiano de 20 anos que esteve presente no Mundial e marcou mesmo um golo na partida inaugural, frente à Turquia, foi o plano B ativado mesmo tendo características diferentes daqueles que tornaram Yeremay no principal alvo, com conversações em curso entre Sporting e Watford que poderão chegar a bom porto nas próximas 48 horas. Houve uma primeira abordagem por valores a rondar os dez milhões de euros, que foi prontamente recusada, mas as negociações avançaram e será possível os leões chegarem ao avançado polivalente que pode fazer qualquer posição na frente por um valor global de 17 milhões de euros entre montantes fixos e variáveis. À semelhança do que aconteceu no meio-campo, a prioridade da SAD verde e branca passa por fechar tecnicamente o plantel até à primeira semana de agosto, altura em que começa a Primeira Liga com uma deslocação à Amadora (dia 8).
Sergio Arribas, médio ofensivo formado no Real Madrid que está no Almería, e Roony Bardghji, extremo neerlandês do Barcelona, também foram nomes apontados, a par de outros que não chegaram a vir para a imprensa mas que foram ponderados, entre o mercado escandinavo e a Serie A, mas, a partir do momento em que fechou a “novela” Yeremay, Nestory Irankunda foi a prioridade e deverá ficar fechado esta semana. Com isso, o foco vai centrar-se num novo central para o lugar de Ousmane Diomande e numa “dúvida”: Ibrahima Ba, jovem senegalês de 21 anos do Famalicão que foi apontado ao Benfica como possível sucessor de António Silva, era o nome que estava na calha caso o costa-marfinense acabasse por sair mas acabou por chumbar nos exames médicos quando ia assinar pelo Estrasburgo, o que deixa agora dúvidas em relação ao estado físico do central… e à possibilidade de ainda ser feito negócio com o seu clube.