(c) 2023 am|dev

(A) :: Fome afeta cerca de 645 milhões de pessoas, quase metade em África

Fome afeta cerca de 645 milhões de pessoas, quase metade em África

O número de pessoas com fome caiu face ao pico pós-pandemia de 688 milhões em 2022, mas África regista 20% da sua população subalimentada. Meta de erradicar a fome em 2030 não será cumprida.

Agência Lusa
text

A fome no mundo diminuiu em 2025, afetando cerca de 645 milhões de pessoas, sendo que quase metade se encontra em África, segundo um relatório divulgado esta terça-feira pela FAO.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla inglesa), em 2025, 7,8% da população mundial sofria de fome, e em termos regionais, os maiores progressos verificaram-se na Ásia e na América Latina e nas Caraíbas, enquanto os piores dados se registam em África.

Na América Latina e nas Caraíbas, a média situou-se nos 4,8%, o que corresponde a 32 milhões de pessoas, representando uma queda consecutiva desde 2020, ano da pandemia, quando atingia 6,1% nessa região.

A situação é particularmente crítica em África, onde 20% da população está sujeita à subalimentação — ou seja, a uma carência crónica de calorias —, indicou a FAO, no relatório anual “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo” (SOFI 2026).

De acordo com o documento, dos cerca de 645 milhões de pessoas que passam fome, quase metade encontrava-se em África (309 milhões), enquanto 292 milhões estavam na Ásia e 32 milhões na América Latina e nas Caraíbas.

Após a crise económica pós-covid, que mergulhou na fome milhões de pessoas — cerca de 688 milhões de pessoas afetadas em 2022 —, a situação melhorou, mas sem regressar aos níveis anteriores à pandemia, segundo a agência da ONU.

Em 2015, quando cerca de 600 milhões de pessoas passavam fome, a comunidade internacional estabeleceu, entre os seus “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” para 2030, o de “eliminar a fome e garantir que todos (…) tenham acesso a uma alimentação saudável, nutritiva e suficiente”.

Atualmente, a ONU prevê que entre 510 e 520 milhões de pessoas estarão subalimentadas em 2030, das quais mais de metade em África.

O centro de gravidade da fome deslocou-se da Ásia para África“, declarou o diretor da divisão de economia agroalimentar da FAO, David Laborde, acrescentando que “há 25 anos, a China ainda tinha um problema de fome, que conseguiu resolver”, e que “a Índia também tem um problema, mas está a envidar grandes esforços para o resolver ativamente”.

Laborde advertiu que, apesar dos conflitos internacionais, das alterações climáticas e de pandemias, “os agricultores e os sistemas alimentares têm demonstrado resiliência (…), mas a capacidade de absorção dos sistemas é limitada”.

“Não temos fomes de grande dimensão como as que se verificaram na década de 1980”, disse.

Por seu lado, o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, considera que o facto de a fome mundial ter diminuído pelo terceiro ano consecutivo demonstra que é “possível avançar”, mas alertou que o progresso continua a ser “insuficiente” para cumprir a Agenda 2030.

“As melhorias continuam a ser frágeis, distribuídas de forma desigual e insuficientes para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. É preciso acelerar os avanços”, afirmou Torero, num comunicado.

No relatório prevê-se que, embora as projeções indiquem uma redução contínua da fome, em 2030 ainda haverá mais de 500 milhões de pessoas a passar fome no mundo, sendo cerca de 56% delas em África.

[Já saiu o segundo episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Câmara Lenta”, José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]