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Uma curva que estragou tudo: Remco vence Pogacar no contrarrelógio mas Red Bull perde "escudeiro" Lipowitz

Vitória em Plateau de Solaison foi o tiro de partida para Remco Evenepoel voar no contrarrelógio com chegada a Thonon-les-Bains após uma noite atribulada mas queda de Florian Lipowitz estragou o dia.

Bruno Roseiro
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O grande duelo que já não era propriamente um grande duelo acabou de vez com a desistência de Jonas Vingegaard após sofrer uma aparatosa queda numa rotunda mais traiçoeira inserida na parte final da etapa com chegada a Plateau de Solaison, outros duelos estavam prestes a chegar. Ao contrário do que se dizia no início da Volta a França, o Tour deixou de ser uma corrida de um contra todos e tornou-se uma corrida de um à espera de todos os outros, neste caso olhando para a luta pelo pódio desta edição. Era isso que estava a partir de agora em cima da mesa, com o início da terceira e última semana a chegar com um contrarrelógio individual que iria definir as diferenças para as principais etapas de montanha até ao final. Ainda assim, e dentro de uma guerra com várias batalhas que não ficava já fechada, o foco ainda era outro.

https://observador.pt/2026/07/19/uma-rotunda-uma-curva-e-um-lancil-tambem-fazem-parte-da-historia-vingegaard-caiu-a-21-quilometros-do-fim-e-abandonou-com-braco-imobilizado/

“É mesmo, mesmo triste, ver que o Jonas está fora [da Volta a França]. Desde 2021, batalhámos sempre pela vitória. Talvez no início não tivéssemos a melhor relação, mas nos últimos dois anos tornámo-nos bons rivais, adversários que se respeitam e penso que uma espécie de amigos. O Tour não será o mesmo sem ele. Tivemos um controlo, no caso dele às 2h da manhã, e isso fez-me pensar que talvez esse também seja o motivo para a queda. Numa noite em que o teu sono foi arruinado, talvez estejas menos concentrado na descida. O Tour dele está estragado. Não culpo o controlo, mas pode estar relacionado”, tinha referido Tadej Pogacar depois da desistência do rival num dia em que também foi controlado de madrugada. Jonas Vingegaard optou por não fazer essa ligação de causa-efeito mas essa irritação estava presente.

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“Talvez tenhamos entrado na rotunda um pouco depressa demais, e a minha roda da frente simplesmente derrapou. Não posso fazer nada. Às vezes, as corridas de ciclismo são assim. É simplesmente super irritante para nós, para ser honesto”, comentou o corredor dinamarquês, que entre múltiplas escoriações sofreu uma fratura na clavícula esquerda que o vai afastar das estradas nos próximos meses. “É uma pena enorme. Estamos desapontados. Só espero que os rapazes se consigam focar na próxima semana e, com sorte, ganhar uma ou duas etapas”, acrescentou Vingegaard, que ocupava o segundo lugar da corrida já distante de Pogacar mas com tudo em aberto para voltar a ser o segundo classificado. Agora, essa era a posição pela qual todos lutavam, tendo Remco Evenepoel nesse lugar. Mais uma vez, houve “controlo”.

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Na noite desta segunda-feira, quando os corredores se preparavam para se deitar depois do segundo e último dia de descanso, a brigada de “vampiros” visitou também a formação da Red Bull-Bora, com o belga, a par de Florian Lipowitz, a ser um dos primeiros a ser procurados para fazer testes surpresa. Os corredores já se vão habituando a estas passagens surpresa mas, no final, sobra sempre uma perturbação “evitável” para o dia seguinte. “É claro que perturba a recuperação”, explicou Ralph Denk, responsável da equipa belga, mesmo assumindo que é importante que se vão fazendo este tipo de controlos para garantir que todos os corredores estão dentro da lei, dando uma imagem de credibilidade que “é importante”. Ao longo do dia, ficou-se a saber que a Decathlon e outras equipas tinham sido testadas de madrugada.

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Esse era o grande tema antes do contrarrelógio de 26,1 quilómetros entre Évian-les-Bains e Thonon-les-Bains, com 500 metros de desnível e a Côte de Larringes, com 9,7 quilómetros a 4,3%. Porquê? Este era um traçado feito “à medida” de Remco Evenepoel. Tadej Pogacar já estava a cinco minutos mas, na luta pelo pódio, o belga tinha apenas 58 segundos de avanço sobre Isaac del Toro, 1.23 em relação a Paul Seixas e 2.28 de Juan Ayuso, com o companheiro Florian Lipowitz pelo meio (a 1.48 minutos). Um contrarrelógio bem conseguido era quase um xeque pela vice-liderança, antes da entrada nos Alpes e em pontos míticos da Volta a França na memória dos portugueses por Joaquim Agostinho como o Alpe d’Huez.

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Porquê? Sem Vingegaard, todas as principais equipas refizeram as suas estratégias. A UAE Team Emirates deixou de contar com um adversário direto contra Pogacar mas tinha de estar mais atenta aos movimentos de corredores sem nada a perder também a tentar resguardar Isaac del Toro. Já a Red Bull-Bora, mediante as necessidades de Remco Evenepoel, podia arriscar endurecer a corrida em alguns momentos. Já a Decathlon e a Lidl-Trek, de Paul Seixas e de Juan Ayuso, não podiam perder muito tempo esta terça-feira para arriscarem depois numa subida em que Remco estivesse em dificuldades. Era aqui que estava a importância da tirada de regresso do Tour, com alguns sprinters a tirarem o pé a olharem para o próximo dia, com uma mais do que provável chegada em bloco a Voiron. Isso refletia-se nos melhores tempos.

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Mads Pedersen foi um desses exemplos, Mathieu van der Poel outro. Assim, e antes de entrarem em prova os principais favoritos na geral individual, Joshua Tarling, da Netcompany Ineos, foi uma figura a bater até chegar Bruno Armirail, quase numa resposta da Visma-Lease-a-Bike ao infortúnio de Vingegaard com uma liderança parcial com o tempo de 34.14, menos seis segundos do que o britânico, com a média de 45,73km/hora. Seria preciso esperar por Mattia Cattaneo, da Red Bull, para haver novo líder (34.01).

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Aproximava-se a saída dos primeiros da geral, com o desempenho de Thymen Arensman, 29.º à partida da terceira e última semana, a merecer especial interesse depois da descoordenação que fez com que saísse com o relógio já em andamento e que pesou nas contas finais, ao terminar a cinco segundos de Cattaneo. E as coisas estavam a aquecer, com Thomas Pidcock a ter um grande arranque para tentar pressionar Lenny Martínez e Mattias Skjelmose (que estava muito acima do companheiro, Juan Ayuso) e Isaac del Toro a surpreender antes de Remco Evenepoel pulverizar todos os registos no primeiro setor sem que ninguém, nem Tadej Pogacar, conseguisse responder. A vitória parecia certa mas nem tudo foram boas notícias para a Red Bull, com Lipowitz a sofrer uma aparatosa queda e a ser forçado a desistir. Ou seja, Remco ficou mais como número 1 da equipa mas à mercê de Seixas e Del Toro por ter menos ajuda.

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Contas feitas, Remco Evenepoel ganhou a segunda etapa consecutiva com o tempo de 32.19, com a média final de quase 48,5km/hora, à frente de Tadej Pogacar (28”), Mattias Skjelmose (1.04), Paul Seixas (1.16) e Isaac del Toro (1.21). Mattia Cattaneo (1.41), Thymen Arensman (1.46), Bruno Armirail (1.55), Pablo Castrillo (1.59) e Joshua Tarling (2.02) fecharam o top 10 da etapa. Já na classificação geral, além da saída de Florian Lipowitz, a grande novidade foi mesmo a “almofada” ganha por Remco no segundo posto. O belga ficou a 4.32 de Pogacar, que é há muito uma espécie de vencedor virtual, mas ganhou uma vantagem em relação a Del Toro (2.19), Paul Seixas (2.39) e Juan Ayuso (4.50). Fecham agora o top 10 da geral Skjelmose (10.14 de Pogacar), Martínez (12.50), Pidcock (12.58), Jordan Jegat (22.50) e Yannis Voisard (24.18), seguidos de nomes como Van Wilder, Carapaz, Piganzoli, Adam Yates e Egan Bernal.

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