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Presidente do EduQA garante que sistema digital foi "testado várias vezes" e acredita em segunda fase "mais calma"

Ouvido no Parlamento, Luís Pereira dos Santos disse desconhecer os erros no exame de Filosofia de 2025 e garante que o JNE tudo fez para que as notas chegassem "atempadamente" aos alunos.

Leonor Riso
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O presidente do EduQA garante que o sistema de digitalização dos cadernos de respostas dos exames nacionais foi “testado várias vezes” antes de ser alargado às provas do ensino secundário, ainda que isso não tenha impedido problemas técnicos na gestão do processo. Ouvido na manhã desta terça-feira no Parlamento, Luís Pereira dos Santos não desarmou: “Quem acha que esta é uma transição asséptica, nunca implementou nada desta complexidade.”

Ouvido na Comissão de Educação e Ciência que se reuniu na Sala do Senado, Luís Pereira dos Santos afirmou que “o processo de digitalização já começou há mais de quatro anos”. “O projeto estava delineado para ser feito gradualmente, pequenos passos, todos os anos íamos implementando a transição digital.” Por isso, começou-se com as faixas etárias mais baixas, como a prova de Matemática do 9.º ano: “O processo não começou ontem”, defende.

A primeira prova do ensino secundário a ser avaliada de forma digital foi a de Filosofia, em 2025. Nesse ano, o Observador revelou que houve exames a “desaparecer” do sistema, folhas de prova totalmente brancas ou pretas, e respostas cortadas a meio ou trocadas de acordo com várias denúncias feitas por professores.

https://observador.pt/especiais/exames-de-filosofia-podem-estar-mal-corrigidos-professores-receberam-respostas-trocadas-e-cortadas-a-meio-iave-nao-deu-apoio/

Contudo, Luís Pereira dos Santos lançou o desafio no Parlamento: “Gostava que me indicassem que erros houve no piloto de Filosofia. Assistimos a algumas dificuldades durante o processo, que serviram para o melhorar.” Mais tarde, o ministro da Educação frisou perante os mesmos deputados que não foi realizado nenhum relatório sobre esse teste, ao passo que o seu secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, reconheceu ter recebido “informação” de que o piloto foi “globalmente muito positivo”, o que levou à adoção do modelo para todos os exames nacionais.

Quando Filipa Pinto, deputada do Livre, criticou o “experiencialismo arriscado” do presidente do Conselho Diretivo do EduQA, Luís Pereira dos Santos disse que tudo foi preparado. E rematou: “Todos os processos têm um risco associado.” Segundo Pereira dos Santos, a maioria das dificuldades deste ano registaram-se na plataforma que recebe as provas digitalizadas, criada pelos técnicos do EduQA, e que trata da sua introdução na plataforma de classificação, desenvolvida pela empresa Blat Studios.

Na sua intervenção inicial, o responsável do organismo responsável pelos currículos e pela avaliação externa dos alunos portugueses não respondeu às questões da representante do partido que interpôs o requerimento para que fosse ouvido no Parlamento. Entre essas perguntas, figurava uma que não obteve resposta nem de Luís Pereira dos Santos, nem do ministro e secretário de Estado: por que razão se decidiu alargar a classificação digital dos exames digitais a todas as disciplinas — com exceção de Geometria Descritiva e Desenho —, em vez de a tornar gradual.

https://observador.pt/2026/07/21/exames-juri-nacional-da-instrucoes-as-escolas-para-notificarem-erros/

“Tudo foi feito pelo JNE/EduQA de forma a que os alunos recebessem os resultados de forma atempada”

Luís Pereira dos Santos leu um texto em que apresentou o sistema de classificação. Segundo o presidente do Conselho Diretivo do EduQA, o sistema de realização e correção totalmente digitais não foi alargado a todos os exames por não se ajustar a “características de certas disciplinas, como a Matemática”. “A prova de Matemática do 9.º ano utiliza um sistema idêntico [de digitalização de uma parte da prova feita em papel] e não teve problemas logo na primeira aplicação”, disse. Por isso, optou-se pela correção de provas digitalizadas, no que se tornou um “modelo híbrido”: a prova é feita em papel, mas digitalizada para ser classificada.

O presidente do EduQA considera que esta “é uma operação claramente muito complexa”. “As dificuldades encontradas foram de duas tipologias: problemas informáticos inesperados que dificultaram a catalogação das folhas de resposta, o que fez com que as respostas fossem entregues a classificadores de forma gradual, porque geralmente são atribuídas logo no início em conjunto. Assim, foi gradual”. O segundo tipo de problemas foi de “fluxo de informação entre as plataformas de preparação e de classificação das provas”.

Perante os problemas verificados na classificação das provas, Luís Pereira dos Santos garante que a reapreciação a pedido dos alunos “permite que a prova seja analisada de forma integral”. Frisou a distinção entre a correção de erros das provas corrigidas e o que aconteceu com a classificação das provas de Geografia e Físico-Química, que obrigou o Júri de Exames a pedir que fossem afixadas novas pautas. “Cumpre aqui separar correção de erros de contagem de cotação, é uma correção simples” e breve, que se pode realizar em “minutos”.

“Nenhum aluno deve ser prejudicado por nenhum problema técnico”, sustenta Luís Pereira dos Santos. “Tudo foi feito pelo JNE/EduQA de forma a que os alunos recebessem os resultados de forma atempada.” O presidente do Conselho Diretivo do EduQA recordou ainda que haverá uma auditoria externa ao processo.

A segunda fase dos exames “tem condições para ser mais segura e mais calma”, crê o responsável do EduQA. “Não vou dizer que não vai acontecer nada. Mas a minha segurança — e o ministro toma decisões com base em pareceres técnicos nossos, do EduQA — é que durante o processo foram feitas correções necessárias para resolver questões técnicas que tínhamos preparado, para que conseguíssemos chegar ao final da primeira fase com resultados de qualidade. Já implementámos processos corretivos.”