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(A) :: Ministério Público recorre da absolvição de Salgado no caso de corrupção ligado ao Banco do Brasil

Ministério Público recorre da absolvição de Salgado no caso de corrupção ligado ao Banco do Brasil

Salgado era acusado de ter usado offshores para financiar suborno de 1,8 milhões de dólares em troca de um empréstimo de 200 milhões ao BES, falido em 2014.

Agência Lusa
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João Paulo Godinho
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O Ministério Público (MP) vai recorrer da absolvição do ex-banqueiro Ricardo Salgado e dos restantes arguidos num processo relacionado com a alegada corrupção de um antigo vice-presidente do Banco do Brasil, garantiu esta terça-feira a Procuradoria-Geral da República. “O Ministério Público vai interpor recurso”, indicou, em resposta à Lusa, fonte oficial da Procuradoria-Geral da República.

O Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu, na segunda-feira, os oito arguidos, incluindo Ricardo Salgado, num processo em que o ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) era acusado de ter pago, com recurso a entidades offshore, 1,8 milhões de dólares (1,6 milhões de euros ao câmbio atual) ao antigo vice-presidente do Banco do Brasil Allan Simões Toledo, para que esta instituição financiasse em 200 milhões de dólares (quase 175 milhões de euros ao câmbio atual) o banco português, falido em 2014.

O empréstimo foi concedido em 2011, através do Mercado Monetário Interbancário (MMI) e, sustentou a juíza-presidente na leitura do acórdão, “nem o recurso à prova indireta permite provar a existência” de um “pacto corruptivo” para a utilização daquela linha de crédito, que “já existia” desde 2009 e que nunca chegou a ser usada na totalidade pelo BES. No processo, estavam ainda em causa suspeitas relacionadas com a petrolífera venezuelana PDVSA, que foram também dadas como não provadas pelo tribunal.

Na leitura do acórdão no Juízo Central Criminal de Lisboa, a juíza Ana Paula Rosa — a mesma magistrada que havia condenado Salgado no processo relacionado com o antigo ministro Manuel Pinho, em 2024 — considerou que não ficou provada, além da dúvida razoável, a prática dos crimes pelo ex-banqueiro e pelos restantes arguidos.

“A convicção do Tribunal tem de ser suportada por elementos probatórios consistentes e seguros, e não por simples deduções ou intuições em nada objetivadas”, referiu a juíza.

Além de Ricardo Salgado, são arguidos no processo o ex-diretor do BES Madeira João Alexandre Silva, o ex-funcionário de uma filial do Grupo Espírito Santo (GES) no Dubai Humberto Coelho, dois antigos funcionários do BES/GES, Paulo Nacif Jorge e Paulo Murta, e os advogados Miguel Freitas e Sofia Freitas, bem como a sociedade de advocacia detida por estes últimos.

Em causa estavam crimes de corrupção ativa com prejuízo no comércio internacional, corrupção passiva no setor privado e branqueamento de capitais.