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(A) :: Depois de uma final contra o mundo, a Argentina levanta-se: a exceção de Flaco, as "conspirações" de De Paul e a dúvida de Scaloni

Depois de uma final contra o mundo, a Argentina levanta-se: a exceção de Flaco, as "conspirações" de De Paul e a dúvida de Scaloni

Dois dias depois da derrota na final do Mundial 2026, os argentinos começaram a reagir à desilusão e De Paul não esqueceu "conspirações infundadas". Flaco López, pelo meio, tornou-se uma exceção.

Mariana Fernandes
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Domingo foi a derrota, segunda-feira foi o day after, terça-feira é o primeiro dia em que tudo verdadeiramente assenta. A Argentina perdeu com Espanha em Nova Jérsia e falhou o sonho do quarto Campeonato do Mundo — o último de Lionel Messi, mais um pela memória de Diego Armando Maradona, aquele que era para vingar a Guerra das Malvinas. Mais do que isso, ficou a ideia de que a Argentina perdeu o Campeonato do Mundo a lutar contra o mundo inteiro.

Acusados de favorecimento por parte da FIFA e das equipas de arbitragem praticamente desde o início do Mundial 2026, os argentinos não conseguiram reunir apoio e simpatia na final, onde se apresentaram sem vontade de jogar futebol, demasiado enrolados em duelos individuais e faltas demasiado duras, com Leandro Paredes a acabar mesmo por agredir Eric García e Gavi após o apito final. Pelo meio, enquanto os espanhóis levantavam o troféu no palanque, praticamente todos os elementos da comitiva argentina ficaram no relvado — mas virados para as bancadas e de costas para os adversários, num gesto que tem sido muito criticado.

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Ainda assim, existiu uma exceção. Na fotografia de ângulo aberto que permite ver os argentinos de costas enquanto os espanhóis saltam no palanque, também é possível ver que um único jogador fez o contrário e virou-se de costas para a bancada, encarando os festejos dos adversários. Flaco López, avançado do Palmeiras que foi uma das surpresas na convocatória de Lionel Scaloni, ignorou a falta de fairplay dos colegas e companheiros e tem sido muito elogiado pela decisão de respeitar a vitória espanhola.

Ora, já esta segunda-feira, o dia da Argentina acabou por ficar preenchido pelas primeiras reações de jogadores e selecionador à derrota contra Espanha. Lionel Messi, que regressou de jato privado a Rosario e não integrou a comitiva que voltou a Buenos Aires e foi recebida por milhares de pessoas, não escondeu que “a dor é muito grande” e que vai “custar fechar esta ferida”.

“Mas também fico com tudo o que aconteceu de bom… Com os jogos em que demos a volta a dar tudo e que vão ficar para sempre na memória, com o apoio de um país inteiro que com o trabalho e o esforço deste grupo levou-nos a voltar a estar, mais uma vez, entre os melhores do mundo. Hoje custa valorizar o que fizemos, mas este grupo chegou a duas finais consecutivas do Campeonato do Mundo. Mais uma vez conseguimos unir-nos como país e estar todos juntos, partilhando o imenso orgulho em sermos argentinos”, escreveu o jogador do Inter Miami nas redes sociais, sem qualquer pista em relação ao facto de ter decidido continuar na seleção ou retirar-se.

Na mesma linha de pensamento, também Rodrigo de Paul não escondeu a complexidade do momento. “A maior dor é porque não conseguimos levar outra vez o Campeonato do Mundo para o nosso país. Porque se alguém merecia voltar a viver essa sensação eram vocês. Mas com o passar das horas estão a fazer-nos crer que a identificação que têm com este grupo vai para lá do troféu e isso é algo a que quero agarrar-me para poder ultrapassar este momento”, começou o também jogador do Inter Miami, deixando depois algumas respostas às críticas das últimas semanas.

“Hoje vejo quantas pessoas esperavam esta derrota, instalando conspirações infundadas durante todo o Campeonato do Mundo para acalmar a dor de outros por não poderem viver o que todos os argentinos estavam a viver. Porque os nossos sorrisos incomodam, porque a nossa maneira os lixa… Mas isso não fez mais do que reafirmar que a paixão e o amor pela nossa camisola aguentam tudo. Vai doer durante muito tempo, mas hoje mais do que nunca estou orgulhoso de ser argentino”, acrescentou.

Por fim, e numa reação muito esperada depois do cartão vermelho que viu nos descontos e que fez com que a Argentina jogasse o prolongamento em inferioridade numérica, Enzo Fernández também deixou algumas palavras aos adeptos. “Quando o tempo passa entendes que há algo muito maior do que um resultado. Há anos que este grupo o representa da melhor maneira. Ensina que competir não é só ganhar, é deixar tudo pela camisola e nunca baixar os braços. Faço parte deste grupo que sempre deu a cara, que competiu ao máximo e que defendeu estas cores com orgulho, humildade e compromisso”, começou por dizer.

“Quero agradecer-vos a todos, adeptos argentinos. Obrigado por estarem sempre, por nos acompanharem em cada jogo, pelo carinho, pelo apoio incondicional e por fazerem com que nos sintamos locais em qualquer lugar do mundo. Vestir a camisola do meu país é a maior honra da minha carreira e vou continuar a entregar tudo cada vez que tenha de a defender”, completou.

Já Lionel Scaloni, que até foi um dos mais entusiasmados na chegada a Buenos Aires, contrastando com o natural semblante carregado de todos os jogadores, não garantiu a continuidade no cargo de selecionador nacional — juntando-se a Emiliano Martínez, que também abriu a porta à possibilidade de estes terem sido os últimos jogos que cumpriu pela seleção.

“Já tenho uma ideia do que quero fazer, vou cumprir o contrato e depois logo se vê. Até dezembro vou continuar, depois seguramente vou parar. Vou falar com o presidente, mas a ideia é relaxar e descansar um pouco. Sinto necessidade de pensar, porque não sei se é possível fazer algo tão grande como isto. É preciso falar sobre isso, estou grato ao presidente por me ter dado uma oportunidade como esta. Para continuar são precisas muitas coisas, sobretudo voltar a recomeçar e voltar a formar um grupo como este, que dificilmente voltará a existir. E isso dói-me na alma”, explicou o treinador, que tem contrato precisamente até ao final do ano.

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