(c) 2023 am|dev

(A) :: Eleições em São Tomé: Nito d'Abreu reconhece derrota, assinala irregularidades e lamenta abstenção

Eleições em São Tomé: Nito d'Abreu reconhece derrota, assinala irregularidades e lamenta abstenção

Nito d'Abreu admitiu que "a vontade do povo" não reconheceu a sua candidatura, ainda antes da confirmação dos resultados finais. Resultados preliminares dão a vitória a Carlos Vila Nova.

Agência Lusa
text

O candidato presidencial são-tomense Nito d’Abreu reconheceu esta terça-feira a derrota nas eleições de domingo, apesar de assinalar algumas irregularidades no processo que devem ser analisadas, saudou quem o apoiou e lamentou a elevada abstenção.

“Face a resultados provisórios tudo indica que a vontade do povo não reconhece a minha candidatura. (…) Reconheço esta tendência antes mesmo da confirmação definitiva dos resultados finais”, afirmou.

Numa conferência de imprensa, o candidato aproveitou para “saudar o civismo (…) e a calma do povo”, defendendo que o ambiente sereno em que decorreram as eleições “é uma vitória de todos e deve continuar a ser o maior património da República” de São Tomé e Príncipe.

As presidenciais ficaram “igualmente marcadas por uma elevada taxa de abstenção” e por “várias irregularidades”, o que “deve ser analisado com todo o rigor”, considerou.

Aos jornalistas, Nito d’Abreu admitiu que ainda não telefonou a dar os parabéns ao vencedor, mas que tem essa intenção. E fez um apelo ao Presidente para que no futuro não viole a Constituição e garanta que não seja feita qualquer perseguição àqueles que não o apoiaram.

Os resultados preliminares das eleições presidenciais divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN) deram a vitória ao atual Presidente, Carlos Vila Nova, com 55,94% dos votos, contra os 41,92% do principal adversário, Nito d’Abreu.

Os outros dois candidatos não chegaram aos 2%: Eugénio Tiny e Miques João arrecadaram, respetivamente, 1,07% e 1,58%. Voltaram a não contar com qualquer apoio partidário e a sua campanha eleitoral foi praticamente inexistente.

Mais de 142 mil eleitores foram chamados a escolher o Presidente, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.

Nito d’Abreu, líder parlamentar da ADI, foi o candidato oficial, apoiado pela ala da Ação Democrática Independente (ADI) leal ao ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, cujo Governo foi demitido em janeiro de 2025 pelo chefe de Estado, Carlos Vila Nova.

Contou com o apoio de uma plataforma eleitoral que inclui também o Movimento de Cidadãos Independentes – Partido Socialista (MCI – Partido Socialista), Partido de Unidade Nacional (PUN) e Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP).

Carlos Vila Nova, que não contou agora com o apoio oficial da ADI, recandidatou-se suportado por uma plataforma que incluiu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Partido de Convergência Democrática (PCD) e Partido Nossa Terra. Mas também de uma ala da oposição da própria ADI.

Para a observação das eleições presidenciais de domingo em São Tomé e Príncipe encontram-se no terreno várias missões internacionais, nomeadamente da União Europeia, da União Africana, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos países do G-7+, da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e ainda da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).

Segundo a CEN, os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 21.241 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa e 5.324 em quatro países de África.