Borja Iglesias jogou pouco mais de um minuto no Mundial 2026. Foi lançado à beira dos descontos dos oitavos de final contra Portugal, quando parecia que o jogo ia para prolongamento, mas nem sequer precisou de correr a meia-hora extra graças ao golo decisivo de Mikel Merino que eliminou a Seleção Nacional. O pouco tempo que passou em campo, porém, é diametralmente oposto ao impacto mediático que teve.
Natural de Santiago de Compostela, o avançado de 33 anos tornou-se o primeiro galego a conquistar o Campeonato do Mundo. Chegou à seleção em 2022 e ainda pela mão de Luis Enrique, depois de uma boa temporada no Betis, mas a quebra de rendimento e um empréstimo pouco significativo ao Bayer Leverkusen acabaram por afastá-los das convocatórias durante algum tempo. Tudo mudou novamente nos últimos dois anos e à boleia do Celta Vigo: marcou 24 golos em duas épocas e tornou-se praticamente indispensável nas opções de Luis de la Fuente, entrando na lista para o Mundial 2026 depois de ter falhado o Euro 2024.
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Pelo meio, porém, Borja Iglesias afastou-se por escolha própria. Em agosto de 2023, enquanto a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) atravessava um escândalo inédito na sequência do beijo não consentido dado por Luis Rubiales a Jenni Hermoso na final do Campeonato do Mundo feminino, o avançado posicionou-se e garantiu que não aceitaria qualquer convocatória até que tudo estivesse resolvido, explicado e ultrapassado.
“Estou triste e desiludido. Como jogador e como pessoa não me sinto representado pelo que se tem passado. Parece-me lamentável que continuem a pressionar e a colocar o foco em cima de uma companheira. Vestir a camisola da seleção é das maiores coisas que aconteceram na minha carreira. Não sei se alguma vez vou voltar a ser uma opção, mas tomei a decisão de não voltar à seleção até que as coisas mudem e este tipo de atitudes não fique impune”, escreveu, na altura, nas redes sociais, sendo que em pleno Mundial 2026 chegou a cruzar-se com Jenni Hermoso enquanto a jogadora comentava para um canal de televisão e ambos trocaram um longo abraço.
Ora, 1.212 dias depois de renunciar à seleção, Borja Iglesias sagrou-se campeão do mundo — e teve recorrentemente um adepto especial nas bancadas a apoiá-lo, apesar de raramente ter estado em campo. Javier Bardem, conhecido ator espanhol, assistiu a quase todos os jogos de Espanha no Mundial 2026, sozinho ou acompanhado pela mulher, Penélope Cruz. Depois do jogo contra Portugal, nos oitavos de final, Bardem visitou a concentração da seleção espanhola e criou uma ligação especial com Borja Iglesias, acabando por vestir a camisola 26 do avançado em todos as restantes partidas do Campeonato do Mundo.
“Que pessoa mais bonita e inspirador é o Borja. Obrigado por nos representares com tanta vontade e com tanto esforço. Amanhã levo a melhor camisola. Mil obrigados, companheiro”, escreveu o ator, partilhando ainda uma fotografia do momento em que o avançado do Celta Vigo lhe ofereceu uma camisola.
No meio de tudo isto, Borja Iglesias ainda conseguiu mostrar que é um homem de palavra. Muito crítico da organização do Mundial 2026 nos últimos meses, entre os exorbitantes preços dos bilhetes para os jogos, a liderança de Gianni Infantino e também a relação entre a FIFA e a administração de Donald Trump, o avançado tinha deixado bem claro que iria cumprimentar o presidente dos EUA numa eventual final — mas que queria fazê-lo rápido e sem espaço para conversas.
“Não quero ir para a prisão”, começou por dizer, entre muitas gargalhadas, à revista Panenka. “Espero que aconteça num momento em que todos estaremos muito felizes, que tudo aconteça muito depressa e que eu possa esquecer. Acho que não é o momento para criar polémicas, as pessoas sabem perfeitamente o que penso. Gostava imenso de fazer muitas coisas, mas, mesmo que as pessoas achem que sou um todo-poderoso não tenho assim tanto poder para enfrentar certas situações”, acrescentou. Em Nova Jérsia, depois de Espanha vencer a Argentina, subiu ao palanque e cumprimentou Donald Trump em microssegundos, sem sequer olhar para o presidente dos EUA.
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