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Condenados 19 membros de rede de tráfico humano na Indonésia. Bebés eram vendidos por 700 euros

A líder do grupo foi condenada a sete anos de prisão. Pelo menos 34 bebés terão sido vendidos dentro e fora do país, por preços que rondam os 700 euros. Destino dos bebés traficados é incerto.

Sâmia Fiates
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Um tribunal na Indonésia condenou esta terça-feira 19 membros de uma rede de tráfico humano que operava desde 2023 e terá traficado pelo menos 34 bebés dentro e fora do país, especialmente para Singapura. A líder do grupo, Lie Siu Luan, de 70 anos, foi condenada a sete anos de prisão, enquanto os outros 18 réus receberam penas entre três e seis anos e meio.

O caso chegou às autoridades em abril de 2025, recorda a BBC, quando um homem foi à esquadra da polícia em Java Ocidental, na Indonésia, a afirmar que o filho recém-nascido havia sido sequestrado. Dani Hidayat tinha conhecido uma mulher, que alegava não poder ter filhos, num grupo de adoção no Facebook. O homem terá então concordado que a mulher poderia “adotar” o seu bebé em troca de milhões de rupias — entretanto Hidayat nunca recebeu o pagamento, e por isso procurou a polícia.

A mulher, Astri Fitrinika, era na verdade uma intermediária na rede de tráfico de bebés. As autoridades descobriram no seu telemóvel provas de que ela havia “comprado” dezenas de outras crianças. O grupo era composto por intermediários como Fitrinika (que foi condenada a seis anos e meio de prisão), cuidadores de bebés, falsificadores de documentos e até pessoas que fingiam ser as mães biológicas das crianças.

De acordo com o diretor de investigação criminal da polícia de Java Ocidental, Surawan, os bebés eram inicialmente abrigados na cidade de Pontiniak, na Indonésia, antes de terem os seus documentos de imigração providenciados e serem enviados para Singapura. “Alguns bebés foram mesmo reservados ainda no útero”, afirma o investigador. “Após o nascimento, os custos do parto eram cobertos, era paga uma indemnização e o bebé era levado.” As autoridades estimam que eram vendidos por valores entre 11 milhões e 16 milhões de rupias indonésias, o equivalente a cerca de 700 euros.

O grupo de 19 pessoas era composto por 18 mulheres e apenas um homem, Djaka Hamdani Hutabarat, que recebeu uma pena de seis anos e meio pelo seu papel como intermediário no esquema. Lie Siu Luan, a chefe da rede, era responsável por encontrar os bebés, falsificar documentos e intermediar as negociações. A mulher indonésia recebeu uma pena de sete anos de prisão, a mais longa entre todos os réus. Nenhum pai biológico foi julgado neste caso, apesar de a polícia admitir que em alguns casos os pais terão concordado em “vender” as crianças.

O modus operandi do grupo visava pais em situação de vulnerabilidade social, que supostamente não queriam criar os seus filhos, por questões financeiras ou sociais. Os criminosos faziam-se passar por trabalhadores de clínicas ou de cuidados sociais, contactavam os pais através das redes sociais e ofereciam dinheiro para transferir ilegalmente a guarda dos bebés. De acordo com as autoridades, a maioria das crianças traficadas teve a sua nacionalidade alterada, o que dificulta a sua localização atual.

Ainda não se sabe o que acontecerá com os bebés traficados — pelo menos 12 já foram localizados e estão em Singapura. De acordo com o Ministério da Segurança Social da Indonésia, os bebés resgatados de casos de tráfico passam por avaliação e reabilitação para determinar o seu status legal e as providências de cuidado mais adequadas. Entre as questões avaliadas pelas autoridades está a possibilidade de a criança regressar para a família biológica ou ser direcionada para um lar alternativo “com o objetivo de garantir um cuidado seguro, legal e de longo prazo”.

José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]