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Justiça continua a negar saídas precárias da prisão ao "Rei Ghob", o assassino em série de Carqueja

Francisco Leitão, que manipulava e abusava de menores, foi condenado pelo homicídio de três jovens. Cumprida metade da pena máxima, vê os pedidos de liberdade condicional a serem negados pela Justiça.

Manuel Nobre Monteiro
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Francisco Leitão, conhecido como “Rei Ghob” ou o “rei dos gnomos”, já cumpriu metade da pena máxima de 25 anos de prisão a que foi condenado pelos homicídios de três jovens, ocorridos entre 2008 e 2010. No entanto, noticia o Correio da Manhã, continua sem autorização para beneficiar de saídas precárias, apesar dos pedidos apresentados desde, pelo menos, 2023.

Condenado em março de 2012 pelos crimes cometidos, o “Rei Ghob” continua detido, atualmente no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, para onde foi transferido da Cadeia da Carregueira. Embora tenha bom comportamento prisional, os técnicos de reinserção social têm emitido pareceres desfavoráveis à concessão de licenças de saída jurisdicionais, que nunca chegaram a ser autorizadas.

A saída precária (ou licença de saída) é uma medida de flexibilização da pena que permite ao recluso ausentar-se temporariamente do estabelecimento prisional. Pode ser de curta duração (até 8 dias) ou para preparação da liberdade, visando promover a reintegração social e a manutenção dos laços familiares.

https://observador.pt/especiais/a-historia-esquecida-de-rei-ghob-o-violador-da-carqueja/

Os corpos das três vítimas nunca foram encontrados. Francisco Leitão nunca revelou o destino dos cadáveres e a Polícia Judiciária também não conseguiu apurar de que forma os jovens foram mortos, o que impediu as famílias de realizarem os funerais.

Segundo o processo, Francisco Leitão matou Tânia Ramos, de 27 anos, e Joana Correia, de 16 anos, por ciúmes dos respetivos namorados (Ivo e Luís), com quem pretendia manter uma relação. Ivo Delgado foi morto após o desaparecimento de Tânia por se ter recusado a ter um envolvimento sexual com o homicida.

Conhecido por afirmar que era bruxo, que falava com espíritos e que encarnava o diabo, Francisco Leitão controlava e intimidava jovens que frequentavam a sua propriedade, conhecida como “castelo”, em Carqueja, no concelho da Lourinhã. As vítimas eram tratadas por “gnomos”, enquanto o próprio se apresentava como o seu “rei”.

https://observador.pt/especiais/rei-ghob-sucateiro-bruxo-e-assassino-a-historia-dos-crimes-do-castelo-dos-gnomos/

Em 2017, Francisco Leitão foi ainda condenado a 17 anos de prisão por centenas de crimes de violação. Além das penas de prisão, o tribunal condenou-o ao pagamento de 350 mil euros de indemnização às famílias das vítimas, valor que continua por liquidar. A mãe de Joana chegou a intentar uma ação contra o Estado, mas sem sucesso.

[Já saiu o segundo episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Câmara Lenta”, José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]