Cerca de 40 senadores norte-americanos enviaram esta segunda-feira uma carta a exigir reformas no Serviço de Controlo de Imigração e Alfândegas (ICE), após a morte de dois trabalhadores migrantes em tiroteios envolvendo agentes da agência federal.
A missiva liderada pelo senador independente por Maine Angus King e subscrita por legisladores democratas foi enviada ao Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) e reclama maior transparência nas operações do ICE e medidas para reforçar a supervisão dos seus agentes, incluindo o uso obrigatório de câmaras corporais e uma identificação mais clara dos oficiais durante as suas atuações.
Os senadores pediram ainda uma revisão dos protocolos do ICE e que as autoridades forneçam informação mais detalhada sobre os incidentes em que agentes da agência recorreram à força, considerando necessário fortalecer os mecanismos de responsabilização.
Nos últimos dias, dois migrantes — o mexicano Lorenzo Salgado Araujo e o colombiano Johan Durán — morreram por disparos de agentes do ICE após controlos de trânsito no Texas e no Maine, respetivamente.
A 14 de julho, outro migrante não identificado faleceu na Florida ao ser colhido por um camião após um controlo de trânsito do ICE.
Estes novos episódios surgem depois de uma onda de críticas contra o ICE no início de 2026, na sequência da morte de dois cidadãos norte-americanos durante operações migratórias em Minneapolis.
Renee Nicole Good, de 37 anos, morreu a 7 de janeiro após ser baleada por um agente federal, enquanto Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos, faleceu a 24 de janeiro durante um confronto com agentes de imigração — casos que desencadearam protestos e exigências de maior supervisão.
A tensão política resultante dessas mortes chegou ao Congresso, onde legisladores democratas bloquearam verbas para o DHS durante uma disputa sobre os fundos destinados às operações migratórias.
O impasse provocou um encerramento parcial da agência e mudanças na liderança da Segurança Interna, incluindo a saída da secretária da Segurança Interna Kristi Noem e a entrada de novos responsáveis em áreas-chave da imigração.
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