Na primeira entrevista desde que foi anunciado como selecionador nacional, Jorge Jesus falou no geral e nunca no particular, mas uma coisa é certa: desengane-se quem espera grandes mudanças em relação aos jogadores que vestiram as quinas no Mundial 2026.
“[Pode-se pensar que] agora o novo selecionador vai chegar e vai mudar muitos jogadores. Não vai ser. Eu não sou burro. Ainda por cima, não tenho tanto tempo assim para mudar vários jogadores que não foram convocados para esta nova convocatória”, disse o treinador de 71 anos ao Canal 11, que é gerido pela Federação Portuguesa de Futebol, numa entrevista emitida esta segunda-feira à noite.
“Também não há assim um leque de jogadores tão grande [por onde escolher]”, começou por justificar. “Ao longo dos próximos quatro anos vão aparecer jogadores novos, sem dúvida”, admitiu, mas isso não deverá ter efeito na convocatória da estreia do técnico ao leme da Seleção de Portugal a 24 de setembro, em Alvalade, diante do País de Gales, no pontapé de saída da Liga das Nações, competição onde Portugal defenderá o título conquistado no ano passado. “Não vai fugir muito daqueles que foram convocados [para o Mundial 2026]. Dois ou três jogadores novos, uma coisa desse género, não vai fugir muito disso”, garantiu Jesus.
Com jogadores “a jogar nas melhores equipas do mundo”, a seleção portuguesa “tem todas as condições para ganhar o Campeonato do Mundo e o Campeonato da Europa”, acredita. Sem nunca se referir a jogadores em específico, Jesus considera que Portugal tem “grandes jogadores”, mas “não ganhou muita coisa”, lembrando que num “selecionador a primeira qualidade que possa ter é saber selecionar os melhores”. Isso passa, na sua visão, por reconhecer a existência de “estatutos” no plantel. “Os jogadores têm de ter estatutos diferentes. Têm de ter todos regras iguais, mas os colegas têm de saber que há jogadores que são diferentes. Diferentes pelo seu passado, pela importância que têm nas equipas. Mas as regras? Isso é igual para todos”.
Sem rodeios, avançou ainda que “o grande foco é o Campeonato do Mundo 2030 em Portugal” e que não há por que não “sonhar com essa possibilidade porque temos todas as condições para o fazer”.
O técnico português estava livre desde que deixou o Al Nassr em maio. Foi apresentado como selecionador nacional a 10 de julho, sucedendo ao técnico espanhol Roberto Martínez, que confirmou a saída de selecionador após a eliminação de Portugal nos oitavos de final do Mundial 2026 contra a Espanha.
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