Morreu no último sábado, aos 96 anos, António Muchaxo, também conhecido como Tony do Guincho. Dono da Estalagem Muchaxo Hotel, na Praia do Guincho, marcou o setor da restauração e do turismo em Cascais, fundando espaços como o Restaurante Muchaxo, a Casa de Chá de Oitavos e o Restaurante do Abano.
Nas redes sociais, multiplicam-se homenagens ao empresário, precursor do turismo na Praia do Guincho. “O Guincho ficou um pouco mais vazio”, partilhou a página da Estalagem Muchaxo no Facebook. “Partiu, este sábado, o Tony Muchaxo. Um homem ligado a este lugar e à memória de tantas pessoas que por aqui passaram. Há pessoas que acabam por fazer parte de uma paisagem. Não apenas porque estão lá, mas porque ajudam a dar-lhe identidade. O Tony era uma delas. Fica a saudade, o respeito e tudo aquilo que deixou em quem o conheceu”, diz a homenagem.
“Para mim, faleceu hoje um grande amigo, meu e de Cascais”, assinalou no sábado o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, nas redes sociais. “Em termos cívicos, foi figura proeminente no apoio a todas as instituições que se dedicavam a consolidar a Identidade Municipal”, elogiou ainda o autarca, que partilhou uma fotografia ao lado do empresário.
Tony Muchaxo foi também o fundador do Rotary Clube de Cascais e Estoril, que partilhou uma mensagem de pesar nas redes sociais. “Uma perda para o clube e para a Comunidade sendo uma verdadeira instituição de Cascais”, assinalou a página no Facebook, que divulgou as informações sobre as cerimónias fúnebres, que decorreram entre domingo e esta segunda-feira, em Cascais, dia em que a Câmara Municipal decretou luto oficial.
O Grupo Desportivo Estoril Praia publicou uma nota a destacar António Muchaxo como uma “figura de grande relevância para o concelho de Cascais e para a sua comunidade”, assinalando o “legado de dedicação, humanidade e serviço que permanecerá na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer.”
António Muchaxo tinha 15 anos quando o pai abriu o restaurante A Barraca do Muchaxo, na ventosa Praia do Guincho, em Cascais, em 1945 — numa altura em que não havia nem eletricidade nem água canalizada. Com espaço para apenas 16 pessoas, o local conquistou um público fiel e ilustre, como recorda numa entrevista recente à revista Sábado. Entre Umberto II de Itália, Juan Carlos de Espanha e Eva Perón, conta ter recebido até Walt Disney. A nível nacional, o local recebeu o casamento de António e Manuela Ramalho Eanes ou de Lili e Álvaro Caneças — como a socialite recordou numa publicação de dezembro de 2025. “O Muchaxo tinha acabado de abrir e era lindo em cima da praia do Guincho, a que mais gostava no mundo…”
A tasca deu espaço a um novo restaurante quando o pai de António Muchaxo adquiriu um antigo forte do século XVII — e que depois de algumas ampliações, passou a abrigar também a estalagem, com 63 quartos. O edifício foi mais uma vez ampliado em 1990 e em 2011 o estabelecimento passou a chamar-se Estalagem Muchaxo Hotel, altura em que recebeu quatro estrelas.
[Já saiu o segundo episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Câmara Lenta”, José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]
