Continuamos perdidos no frenesim das manchetes mediáticas, que certamente pretendem divertir-nos e desviar a atenção daquilo que realmente deveria interessar: informar os Portugueses. Seria mais proveitoso que aqueles que são mais informados se concentrassem em saber se O Ministro é bom Ministro ou não! Como dizia Sérgio Sousa Pinto, ironicamente, no programa Realpolitik : “Se o Ministro é bom, então vamos despedi-lo”!
O amoníaco tem uma quantidade de aplicações na construção civil, é um óptimo decapante, serve para o tratamento de superfícies, entra na composição de tintas, etc…. mas a cultura jornalística só encontrou uma para enumerar, o fabrico de coca!
O desgraçado do atrelado apreendido, pertencente à construtora referência do momento, depois de tantas viagens nobres durante a sua vida de atrelado, foi rotulado como ” o atrelado da droga ” . Isto levou-me a analisar a notícia várias vezes para perceber onde é que o chavão droga, que me chamou a atenção, encaixava!
A avaliação feita pela oposição no debate do Estado da Nação, sobre um ano de governação da AD , foi mais um espetáculo cujo estilo e forma de atuar, custa-me a compreender. Ninguém da oposição conseguiu valorizar uma única ação do governo; pelo contrário, tudo agravou e está pior! Até o Chega, cuja identidade cada vez mais temos dificuldade em perceber, pactuou com este discurso da oposição.
Ora, isso merece uma reflexão:
1. Será que os nossos políticos quando passam para a oposição perdem a capacidade de analisar, contribuir, sugerir e, enfim, melhorar as políticas apresentadas pelos governos eleitos?
2. Será que temos esta cultura provinciana de que “se não é nosso não presta”. Onde é que ficam os interesses dos portugueses que elegeram estes deputados e que desejam que eles os representem, mostrando que contribuem para a solução e não para o bloqueio a tudo. Talvez sejam oposição, exatamente porque não têm nada a dar em troca!
3. Muitos começam a achar que estes políticos, depois de 50 anos de democracia, pensam que os Portugueses são estúpidos e ainda vão atrás deste carnaval!
A democracia, como forma de escolha para eleger quem nos comanda, fica comprometida quando assistimos a uma análise destas por parte da oposição. Ninguém acrescenta nada ao discurso; todos fazem a apologia da terra queimada. Isto demonstra a falta de maturidade política existente hoje em dia, o que dá força a muitos que dizem, que só conseguimos avançar quando há maiorias!
Refletindo sobre governos majoritários ou governos de maioria relativa, penso que os segundos teriam capacidade para ser melhores, se houvesse uma cultura política adulta. As políticas do programa eleito, discutidas de forma responsável com os restantes partidos, seriam mais abrangentes, colhendo opiniões de sinal diferente, que beneficiariam o resultado final. Mas, para isso, não se pode confundir quem foi mandatado para apresentar o seu programa político, com quem tem a obrigação de cooperar. Cooperação não é mandar abaixo o projeto que se nos apresenta, mas sim percebê-lo e saber argumentar sobre como, com as nossas sugestões, o resultado poderá ser melhor. Isto é o que entendo como uma democracia adulta.
Face ao que se assistiu nesta secção da Assembleia da República, sobre a avaliação de um ano de governação, percebe-se que ainda há um longo caminho a percorrer. Montenegro, como já aqui escrevi noutros artigos, não era a minha primeira escolha; no entanto, tem conseguido mostrar preparação e resiliência para conduzir este governo e defender suas ideias sufragadas. Algumas coisas podiam ter sido feitas de modo diferente, mas, até nisso, vejo bom senso em reconhecer erros e corrigir o que correu menos bem.
O ministro Fernando Alexandre, reconhecido por ser uma pessoa válida e competente, até à semana passada, é acusado de não ter previsto que as mudanças têm um preço a pagar. A digitalização dos meios referentes à correção das provas, compreendido como algo inovador por todos, mas com riscos de juventude, não poderia ter apresentado nenhum atraso e problemas de acesso à plataforma. Reconheça-se que, se calhar, no próximo ano poderá ser visto como um salto inestimável no progresso e actualização de algo que finalmente mudou para melhor.! Mas como dizia S.S.P. “se o Ministro é bom então vamos despedi-lo”!
Para sermos imparciais , os nossos jornalistas deveriam agora fazer mesas redondas, onde este problema fosse comparado com os atrasos verificados nos governos PS . O governo de Sócrates 2008 sob a tutela de Maria Lurdes Rodrigues, e o governo de Antônio Costas 2023, sob a tutela de João Costa. No primeiro, a criação de nova plataforma de submissão de dados de exames criou o caos, no segundo a greve de professores e funcionários públicos, obrigou a atrasos nos exames, nas correcções, e a um ajuste no calendário!
Em suma, o debate político em Portugal está refém de um jornalismo focado no sensacionalismo e de uma oposição que recusa qualquer maturidade democrática. Enquanto grande parte dos media preferem o mediatismo estéril e as manchetes fáceis em vez de informar com rigor, os partidos da oposição unem-se numa estratégia de “terra queimada”, incapazes de reconhecer uma única medida positiva e de apresentar alternativas construtivas e não meramente ideológicas. Perante este bloqueio, o governo AD tem demonstrado resiliência, preparação e bom senso para corrigir falhas e defender seu programa. O ataque injusto a ministros, por problemas técnicos iniciais, de quem quer reformar e inovar, ignorando executivos anteriores que falharam de forma grave sem trazer qualquer inovação ao sistema, prova que a oposição não procura soluções para o bem dos Portugueses, mas sim o mero enfraquecimento político de quem governa. Os Portugueses já mereciam uma democracia adulta com uma imprensa imparcial e partidos capazes de cooperar, e não sómente em sabotar a ação governativa eleita pelos Portugueses, e não por sondagens