Novos tempos, novos costumes, novas tradições… dentro e fora de campo. Se os 27 minutos de intervalo na final do Campeonato do Mundo com halftime show pelo meio bateram outro recorde que seria impensável numa outra era, muitas das histórias paralelas vão chegando de vídeos colocados pelos próprios adeptos nas redes sociais. Um exemplo: alguns argentinos não estavam a gostar de um mexicano com a camisola da sua seleção no MetLife Stadium, o mesmo mexicano não só começou a cantar para eles como tirou a camisola… para mostrar que por baixo tinha a de Espanha. Outro exemplo: uma adepta que foi ao jogo decisivo com a camisola de Portugal com o 7 de Ronaldo foi insultada, respondeu e ouviu um “Cala a p*** da boca”.
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Se através da TV aquilo que se vê é sobretudo o bonito, estes vídeos conseguem mostrar uma outra realidade. E foi também com o auxílio dessas recordações tiradas com o telefone, que entram depois nas redes sociais, que se percebeu de outra forma até onde chegou o mau perder dos argentinos após o apito final, no epílogo de 120 minutos onde a Albiceleste fez apenas uma tentativa de remate, não enquadrada, no período de descontos do prolongamento (houve ainda uma meia distância de Lionel Messi que podia levar perigo mas que bateu na cabeça de Mikel Merino à entrada da área e saiu pela linha de fundo). Se a exibição da equipa que partia como campeã em título foi demasiado má para ser verdade, o pós-jogo tornou-se ainda pior.
https://twitter.com/realmilgrauu/status/2078947707075367122
O gatilho, esse, passou ao lado de quase todos: logo depois do apito final, quando vários jogadores espanhóis corriam para se abraçar após a conquista do título, Molina, lateral direito argentino que entrou no decorrer da segunda parte do tempo regulamentar e ficou “ligado” da pior forma ao golo de Ferran Torres por ter perdido o duelo com Nico Williams na área, descarregou a frustração em Rodri, dando um murro ao capitão da Roja quando este passava para ir ter com os companheiros. O médio não se ficou e voltou atrás para questionar o jogador do Atl. Madrid sobre a atitude, com empurrões à mistura. Estava montado o cenário para momentos de descontrolo por parte dos sul-americanos depois da derrota.
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A forma como Leandro Paredes, que entrou ao intervalo mas andou sempre na fronteira da expulsão por vermelho direto ou acumulação de amarelos, se atirou ao pescoço de Eric García com um pontapé antes de virar-se ao murro a Gavi (com um golpe quase de judo à mistura, tendo a “ajuda” de Thiago Almada, que se quis juntar ao confronto) foi percetível nas imagens até pela forma como Scaloni, treinador da Argentina, foi a correr para tentar travar a situação mas, logo ali ao lado, e noutro episódio que passou ao lado, outro adjunto, Roberto Ayala, também ele antigo internacional, deu um murro a Dani Olmo no meio da confusão.
https://twitter.com/victor_nahe/status/2079040132393361516
https://twitter.com/FabrizioRomano/status/2078994500978905168
Os espanhóis pareciam não querer acreditar no que se estava a passar, com o médio do Barcelona a ficar meio atónito perante a quezília que se tinha gerado sem propósito. No entanto, haveria mais um episódio, com Nico Otamendi, experiente central que deixou o Benfica este verão, a deixar críticas de dedo em riste a Rodri. “Vê se começam a falar menos, andaram a chorar a semana toda. Tu e o Laporte, isso não se faz. Andaram a chorar-se com os árbitros, amigo, não se faz”, atirou o defesa que vai rumar ao River Plate. “Mas o que é que eu disse? Mas o que é que eu disse?”, ia perguntando o capitão espanhol ao argentino.
https://twitter.com/ArturoVill7/status/2079010289463529759
Os ânimos foram entretanto serenando, com os estados de espírito normais após uma final de Mundial entre alegria dos vencedores e tristeza dos vencidos. No entanto, seria nessa fase que aconteceria mais uma quebra de protocolo que reforçou esse mau perder dos argentinos depois da derrota: na sequência da passagem pelo palco para receberem as medalhas de finalistas vencidos, os jogadores sul-americanos seguiram o capitão Lionel Messi, foram até à zona da baliza onde estavam concentrados mais adeptos da Albiceleste e por ali ficaram em comunhão com os hinchas que permaneciam na sua quase totalidade no recinto. Ou seja, além de não terem feito a habitual guarda de honra aos vencedores, os argentinos deixaram-se ficar deliberadamente de costas enquanto toda a comitiva espanhola recebia as medalhas e depois o troféu.
https://twitter.com/MarkOgden_/status/2078974268570775778
“A Espanha foi melhor. Somos grandes na vitória e temos de ser grandes na derrota. Perdemos e assumimos as coisas. Não vamos deixar de lembrar tudo o que fizemos para chegar aqui. É um grande exemplo para os nossos adeptos, para o nosso povo, o nosso país. Quando perdemos, temos de nos levantar. É muito difícil chegar aqui, queríamos ganhar, mas só tenho de agradecer. Estamos tristes, mas deixámos tudo em campo. O meu agradecimento à equipa, que chegou a mais uma final e lutou até ao último minuto”, referiu Lionel Scaloni na zona de entrevistas rápidas, antes de chegar mesmo a emocionar-se na conferência. No entanto, a Argentina foi tudo menos “grande” depois de perder um jogo em que nada fez para ganhar.
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A imprensa internacional não “perdoou” os sul-americanos. “Futebol, 1-Delinquentes, 0. Foi necessário tempo extra para lá chegar mas o desporto acabou por impor-se. A Espanha ganhou o Mundial e com isso todos ganhámos porque o futebol é melhor graças a ela”, escreveu a imprensa inglesa, que foi mais dura com os argentinos não só pelas reações no pós-jogo mas também por aquilo que (não) fizeram nos 120 minutos.
https://twitter.com/BrickCenter_/status/2079003257075343662
“Messi e a Argentina não mereciam nada porque não fizeram nada, convertendo-se nos primeiros finalistas do Campeonato do Mundo que não fizeram um único remate no tempo regulamentar. Só fizeram faltas, faltas e mais faltas. Na primeira metade tiveram mais faltas (nove) do que passes no último terço (oito). Foi um futebol lamentável e deprimente, tiveram o que mereciam”, escreveu o The Telegraph. “O método da Espanha conseguiu impor-se à loucura da Argentina numa final polémica”, destacou o The Times, entre elogios ao triunfo de uma ideia, de uma identidade e da paciência para nunca abdicar das mesmas.
“A Espanha foi a única equipa que correspondeu às expetativas nesta final do Mundial. A Argentina ficou condenada pela falta de ambição, ainda antes de Enzo Fernández ser expulso quase no final do tempo regulamentar. Foi extraordinária a maneira como os campeões em título apenas conseguiram rematar uma vez à baliza. A defesa férrea foi a chave do êxito e não houve conto de fadas para Messi”, salientou o The Guardian. “Espanha ganhou de forma merecida uma final tremendamente dececionante”, disse a BBC.
https://twitter.com/Lewismac101/status/2078966429332774990
Na Argentina, sobrou a resignação ao poder do mais forte… e pouco mais. “A seleção não conseguiu defender a coroa contra uma Espanha que jogou melhor, dominou, chegou por todos os lados e acabou por ser uma campeã justa. A Argentina marcou a temperatura de um Campeonato do Mundo que todos esperamos que não seja recordado como o último tango do melhor da história”, escreveu o Olé. “A Argentina perdeu com uma Espanha superior e o último baile de Messi acabou entre lágrimas”, resumiu o Clarín. “A Argentina acabou como vice-campeã depois de uma final em que resistiu quase toda a partida mas acabou por ceder perante um rival superior e encontrou a recompensa no prolongamento”, disse o La Nación.