
A frase
FBI investiga federação argentina por fraude durante a Copa nos EUA.
— Utilizador do Facebook, 09 de julho de 2026
“Agora a coisa ficou séria. O FBI abriu uma investigação a envolver a Argentina e isso pode ser a maior bomba deste Mundial. Enquanto a Argentina comemorava a classificação, o FBI abria uma investigação à Associação Argentina de Futebol”, narra-se num vídeo em formato de reels no Facebook, datado de 9 de julho.
Alega-se também que a alegada investigação está a “analisar movimentações de dinheiro e alguns contratos ligados à federação nas partidas da Argentina”. E a narração continua: “Vários lances dividiram opiniões, faltas que muitos acharam que não foram marcadas. Pénaltis bastante discutidos e decisões de arbitragem que geraram revolta nas redes sociais.”
“Agora com o FBI a investigar a federação, se ele comprovar que houve irregularidades envolvendo a Argentina, o mundo do futebol vai entrar em choque”, garante-se ainda.

No dia 8 de julho, o jornal argentino La Nacion noticiou que procuradores federais norte-americanos e agentes do FBI começaram a recolher depoimentos sobre algumas operações financeiras da Federação Argentina de Futebol em território dos EUA.
A investigação envolve a presidência de Claudio “Chiqui” Tapia na federação argentina. No seu mandato terá “canalizado centenas de milhões de dólares”, sendo que estas operações “podem ter resultado em crimes sob a jurisdição dos EUA”, nomeadamente “lavagem de dinheiro ou fraude por meio do sistema bancário americano”.
Tal como recorda o La Nacion, o interesse das autoridades americanas nas operações financeiras da Associação Argentina de Futebol (AFA) remonta a 2024 com o próprio governo argentino a transmitir informações a autoridades norte-americanas sobre potenciais áreas de risco ligadas à organização desportiva.
Não existe ligação entre estas alegações e o Mundial de futebol, nem sequer com um qualquer caso de corrupção ou outro tipo de crime desportivo.
Conclusão
A informação de que a federação argentina está a ser investigada acabou por ser descontextualizada nas redes sociais. Muitos utilizadores estão a associar a investigação em curso à participação argentina no campeonato mundial de futebol, mas as investigações em curso focam-se na legalidade de transações financeiras, sem provas de que tenham relação com corrupção desportiva.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ENGANADOR
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.