Siga aqui tudo sobre o Mundial-2026 no Observador
Luis de la Fuente. É este o nome do mais recente selecionador campeão do mundo, que se junta a um lote onde estão mais 21 colegas de profissão. Depois de Vicente del Bosque ter levado a roja ao topo do mundo há 16 anos, agora foi a vez do treinador de 65 anos. É o líder da mais recente geração de ouro do futebol espanhol e, assim como Del Bosque, conseguiu juntar o Campeonato do Mundo ao Campeonato da Europa conquistado dois anos antes, embora De la Fuente tenha perdido uma final pelo meio: a da Liga das Nações, frente a Portugal. Ainda assim, o trabalho que desenvolveu ao longo dos últimos anos é de destacar, baseado no processo de identidade que estava perdido e que passa por controlar o jogo com bola, pressionar alto e juntar os melhores jovens aos mais experientes. Noutro prisma, ultrapassou Del Bosque e passou a ser o selecionador mais titulado da história da roja, com três títulos.
https://observador.pt/2026/07/19/nao-ha-melhor-truque-e-artimanha-do-que-jogar-apenas-futebol-a-cronica-da-final-do-mundial-entre-espanha-e-argentina/
Nascido a 21 de junho de 1961 em Haro, Luis de la Fuente chegou ao futebol como jogador, tendo feito carreira entre a Segunda Divisão B, que equivale ao terceiro escalão, e LaLiga, onde esteve ao serviço de Athl. Bilbao e Sevilha. Contudo, foi como treinador que deu a conhecer o seu nome, começando em 1997, no Club Portugalete, do futebol regional. Por lá esteve durante três temporadas, altura em que rumou ao Aurrera da Segunda B, mas o percurso terminou mais cedo, tendo sido despedido à 29.ª jornada, com a equipa no nono lugar. Já no século XXI, De la Fuente entrou nas camadas jovens do Sevilha e por lá permaneceu durante quatro anos, tendo treinado Antonio Puerta, Jesús Navas e Sergio Ramos. Em 2005/06 voltou a outra casa que tinha sido sua como jogador para levar os juniores do Athl. Bilbao ao segundo lugar do campeonato de Sub-19, a um ponto do Zaragoza.
O bom trabalho levou-o a ser promovido à equipa B, o Bilbao Athletic, que se encontrava na Segunda B. Terminou a época em 15.º e subiu à equipa principal como adjunto de Joaquín Caparrós, onde esteve duas temporadas, acabando por voltar ao comando técnico da equipa B. Em julho de 2011 foi contratado pelo Alavés, que se encontrava no terceiro escalão, mas voltou a ser despedido precocemente, deixando o clube em outubro, no oitavo lugar da sua série. Quase dois anos depois, em maio de 2013, foi contratado pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) para treinar os Sub-19, num negócio que só foi possível pelo apoio de Iñaki Sáez, histórico treinador das equipas jovens de Espanha. Em 2015 conquistou o seu primeiro troféu, o Europeu de Sub-19, com um triunfo frente à Rússia na final (2-0). Em 2018 conquistou o ouro nos Jogos do Mediterrâneo ao serviço dos Sub-18.
https://observador.pt/2026/07/20/oito-jogos-um-golo-sofrido-o-melhor-registo-de-sempre-que-so-alimenta-o-recorde-brutal-de-fabian-ruiz/
Em julho de 2018, com a saída de Albert Celades, Luis de la Fuente foi o escolhido para orientar os Sub-21, seleção na qual esteve até 2021 e conquistou o quinto Europeu do escalão do futebol espanhol em 2019, frente à Alemanha (2-1). Pelo meio, em junho de 2021, estreou-se no comando técnico da seleção principal, por conta da ausência de Luis Enrique devido à Covid-19. No jogo frente à Lituânia, Espanha acabou por golear (4-0). Esteve ainda nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, mas acabou por ser derrotado pelo Brasil na final, ficando com a medalha de prata (2-1, a.p.). Em dezembro de 2022, o atual treinador do PSG foi despedido depois do Campeonato do Mundo do Qatar e De la Fuente foi anunciado como o seu sucessor, tendo assinado contrato até ao Europeu de 2024.
A mudança no comando técnico chegou com uma grande renovação na principal equipa da roja, com Luis de la Fuente a apostar nos jovens que conhecia como ninguém e a optar por deixar de fora algumas peças que tinham marcado os últimos anos do país, como foi o caso do capitão Sergio Busquets. Em 2023 venceu a Liga das Nações frente à Croácia, conquistando o primeiro título da roja em 11 anos (0-0, 5-4 g.p.). Foi nesse ano que o caso Rubiales arrasou o futebol espanhol, em particular a RFEF, mas o treinador acabou por resistir ao terramoto que provocou inúmeras demissões. A dez dias do início da caminhada espanhola no Campeonato da Europa de 2024, a RFEF anunciou a renovação do selecionador até ao Mundial de 2026 e a campanha não podia ter corrido melhor, com Espanha a tornar-se na primeira equipa a vencer todos os sete jogos da competição. A final foi vencida frente a Inglaterra (2-1), no término de um torneio que coroou Lamine Yamal aos 16 anos e o Bola de Ouro Rodri Hernández.
https://observador.pt/2024/07/14/o-dia-em-que-os-putos-deram-uma-licao-aos-senhores-a-cronica-da-final-do-euro-2024/
Curiosamente, um dos capítulos mais curiosos na caminhada de Luis de la Fuente envolve Lionel Scaloni, treinador que bateu este domingo na final do Campeonato do Mundo norte-americano. Em 2017, o atual selecionador argentino tirou o curso de treinador UEFA Pro na sede da federação espanhola e teve como professor… De la Fuente. Desde então, os dois mantiveram uma relação respeituosa e com elogios públicos mútuos.
https://twitter.com/TouchlineX/status/2077775799646618042?s=20
“Estou muito orgulhoso desta geração de futebolistas que cresceram com esta ideia e fiéis a esta ideia, tornando-a melhor. Deram-nos um exemplo de grupo, de família, de bons e grandes futebolistas com um talento excecional… sinto orgulho. Foi uma honra tê-los acompanhado neste trajeto. Estou muito emocionado. Depois de olhar para trás e pensar neles, percebo que ganhámos tudo, absolutamente tudo, com esta geração de futebolistas. São um exemplo para o desporto espanhol. Juntos somos mais fortes. Acho que o jogo devia ter-se decidido muito mais cedo. As defesas do Dibu [Martínez] impediram-nos de ganhar mais cedo, apesar de nos termos colocado em vantagem no marcador. É uma final do Mundial e é preciso sofrer, mesmo contra dez. Temos de sofrer, não gostamos, mas voltámos a mostrar que estamos preparados para tudo”, disse logo a seguir ao jogo um De la Fuente a conter as emoções na flash-interview da FIFA.
“Somos campeões do mundo. Estou feliz e orgulhoso dos jogadores. Concluímos uma etapa extremamente importante, vencemos em todas as categorias. É um grupo com talento, atitude, empenho e valores. Além disso, são muito jovens e têm um longo caminho pela frente. Estávamos agora a perguntar: ‘O que nos resta fazer?’ Esta equipa é incansável. Recordações? Lembro-me dos meus pais e do meu irmão. Estou orgulhoso de ser espanhol e de seguir nesta linha. Fizemos um jogo muito bom. Só as grandes defesas do Dibu é que nos impediram de marcar. Ganhar é muito difícil, por isso é preciso valorizar quando se consegue”, acrescentou mais tarde na zona mista.
https://twitter.com/Squawka/status/2078989657837060580?s=20
[Já saiu o segundo episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Câmara Lenta”, José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]
