Aos sábados continua a ser dia de celebrar Tadej Pogacar. O campeão do mundo da UAE Team Emirates-XRG voltou a brilhar com o regresso à alta montanha e triunfou em Le Markstein à frente de Isaac del Toro (Emirates) e Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), ganhando mais 54 segundos a Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike). Contudo, apesar de toda a festa que se viveu numa das melhores jornadas desta Volta a França, que foi capaz de transformar paisagens naturais em autênticos estádios, a noite não foi assim tão espectacular. A notícia começou por ser avançada pelo Le Parisien e foi posteriormente confirmada pelos envolvidos, dando conta que Pogacar e Vingegaard foram submetidos ao teste antidoping durante a madrugada — às 5 e 2 horas, respetivamente —, algo que acabou por ter impacto no seu descanso. Importa referir que, desde 2016, a lei francesa permite que os controlos sejam realizados entre as 23 e as 6 horas durante o período das competições.
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“Hoje [domingo] dormi quatro horas. Eles já lá estavam às 5 horas da manhã. Mas eu vou sempre dormir tarde. Foi um grande choque para mim ter dormido apenas quatro horas hoje, mas tive uma manhã longa e muito descontraída. Não consegui voltar a adormecer, por isso fiquei a relaxar, a ouvir alguns sucessos antigos do Eminem e a beber café, pelo que acabei por consumir cafeína a mais. Estava pronto para começar o dia, mas não foi nada agradável acordar a meio de sonhos doces. Testes no final das etapas? Sim. Além disso, os testes são realizados aleatoriamente durante as manhãs ao longo do Tour. E hoje escolheram a noite. Tenho pena dos comissários, não é culpa deles. Eles só estão a fazer o seu trabalho”, explicou Pogacar antes da etapa deste domingo.
“Alguém bateu à minha porta às duas da manhã. Surpreendeu-me muito. Está bem que façam testes, mas quando isso afeta o sono e o rendimento… Achei que não era permitido, mas aparentemente está de acordo com as regras. É bom que eles nos testem, mas não o façam se isso afetar o nosso desempenho. Às 2 horas… isso está um pouco acima do limite. Demorei 40 minutos para voltar ao meu quarto. Não foi a melhor noite, mas sinto-me bem. Faz parte do processo”, disse, por sua vez, Vingegaard.
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Para o fim da segunda semana deste Tour de France ficou guardada a inédita subida ao Plateau de Solaison, no final de um trajeto de 183 quilómetros e praticamente quatro mil metros de desnível positivo acumulado, com quatro subidas categorizadas pelo meio. Depois da partida em Champagnole, o pelotão enfrentou de imediato o sprint intermédio, seguindo-se a Côte des Rousses (6,7 km a 5,2%). A partir daí registava-se a fase mais acessível da etapa, que perdurou até aos últimos 60 quilómetros, que abriu com o Col la Croitesse (7,6 km a 8,8%) e prosseguiu com a Côte du Mont (2,1 km a 8,3%). Contudo, o ponto alto da etapa era o Plateau de Solaison, com 11,3 quilómetros a 9% de inclinação. A subida começou com rampas acima dos 10%, estabilizando entre os 8% e os 10% até ao fim. Foi ali que, há pouco mais de um mês, Isaac del Toro venceu a etapa e a geral do Tour Auvergne-Rhône-Alpes, o antigo Dauphiné.
Como se perspetivava, o pelotão controlou a corrida até ao sprint intermédio, que voltou a ser vencido por Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech), à frente de Mads Pedersen (Lidl-Trek) e Max Kanter (XDS Astana). Antes da primeira subida categorizada do dia, Del Toro e Paul Seixas (Decathlon) tiveram problemas mecânicos nas suas bicicletas, mas reentraram no grupo sem qualquer dificuldade. A fuga formou-se com naturalidade e voltou a contar com Nelson Oliveira (Movistar), que se mostrou ao ataque nesta segunda semana de competição. Ao ciclista nascido em Anadia juntaram-se nomes como Thymen Arensman (Netcompany Ineos), Mauro Schmid (Jayco AlUla) ou Tobias Halland Johannessen (Uno-X Mobility). Contudo, o grupo foi neutralizado com mais de 100 quilómetros por percorrer.
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A partir daí formou-se novo grupo na dianteira, com 23 ciclistas, mas as emoções ficaram guardadas para o fim, com a Visma a assumir as despesas do pelotão nas subidas seguintes, colocando Del Toro em dificuldades e deixando o grupo principal com pouco mais de 20 ciclistas. Contudo, tudo mudou a 21 quilómetros da meta. Numa descida rápida, Victor Campenaerts (Visma) escolheu a trajetória errada na saída de uma rotunda, Vingegaard perdeu o controlo da roda dianteira, embateu num lancil e caiu com violência, levando consigo Sepp Kuss (Visma), Del Toro, Felix Grossschartner (Emirates) e Jai Hindley (Red Bull-Bora-hansgrohe). O dinamarquês foi o que ficou em pior estado, agarrando-se de imediato à clavícula direita. Depois de alguns minutos em que esteve a ser assistido pelo médico da corrida sem nunca se levantar do chão, chegou a notícia que ninguém esperava, com Vingegaard a despedir-se do Tour com o braço imobilizado.
Depois de o pelotão ter abrandado para permitir a reentrada dos envolvidos, a Red Bull assumiu as operações quando a corrida “recomeçou”, na mesma altura em que Quinn Simmons (Lidl) se isolou na frente. A oito quilómetros do alto, Tadej Pogacar passou para a frente do grupo, aumentou o ritmo e Mattias Skjelmose (Lidl) e Lenny Martinez (Bahrain-Victorious) ficaram de imediato para trás. Seguiram-se Juan Ayuso (Lidl), Florian Lipowitz (Red Bull) e Seixas, com apenas Del Toro e Remco Evenepoel (Red Bull) a acompanharem o maillot jaune. O trabalho de Adam Yates levou o grupo a passar pelo norte-americano. No último quilómetro, o mexicano atacou, o campeão olímpico fechou o espaço. A 500 metros repetiu-se a receita, Pogacar reencostou e, no fim, Del Toro lançou o sprint, mas Evenepoel mostrou-se mais explosivo e bateu os dois Emirates para somar a sua terceira vitória no Tour, a primeira numa etapa em linha.
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Olhando à nova geral, Tadej Pogacar lidera com cinco minutos de vantagem para Remco Evenepoel e 5.58 face a Isaac del Toro. Ainda assim, a luta pelo pódio continua ao rubro, já que Paul Seixas (a 6.23), Florian Lipowitz (6.48) e Juan Ayuso (7.25) cabem em minuto e meio. Nos pontos houve também uma novidade, já que Tim Merlier (Soudal Quick-Step) abandonou antes da subida final devido ao desgaste. Assim, Mads Pedersen chega ao último dia de descanso com 417 pontos, contra os 386 de Jasper Philipsen e os 361 de Biniam Girmay (NSN). Já a liderança da montanha continua a ser do camisola amarela, que segue com 67 pontos à frente de Valetin Paret-Peintre (Soudal), que tem 45.