O que parece muitas vezes não é. Se existe premissa que mudou na Fórmula 1 desde o ano passado, altura em que o passeio com mais ou menos concorrência de Max Verstappen até ao título chegou ao fim com o triunfo de Lando Norris num Mundial que podia ter três vencedores na última corrida, é essa. Aquilo que parecia ser antes uma coisa predefinida abriu espaço a uma imprevisibilidade que oferece cada vez mais emoção a todos os fins de semana de corridas. Silverstone, há duas semanas, foi mais um exemplo paradigmático disso: tudo apontava para o regresso às vitórias de Kimi Antonelli mas o italiano, que dominou até à corrida de domingo, não só perdeu a vantagem no arranque como acabou sem pontos por uma série de problemas nas derradeiras voltas. Agora, o italiano partia apostado em inverter esse rumo. E, mais uma vez, o início “prometia”.
https://observador.pt/2026/07/05/kimi-perdeu-a-asa-e-o-ferrari-esquecido-voou-para-a-gloria-leclerc-vence-623-dias-depois-russell-e-hamilton-fecham-podio-na-gra-bretanha/
Restabelecido da frustração que sentiu em Inglaterra, onde viu o companheiro George Russell e os Ferraris ficarem mais perto na luta pelo Mundial, o mais jovem líder de sempre na Fórmula 1 não foi além de um modesto sexto lugar na primeira sessão de treinos livres mas não demorou a assumir-se como o piloto mais rápido em pista. Na segunda sessão de treinos livres, no aquecimento de sábado, na qualificação. Quem estava à sua volta mudava, com Max Verstappen a conseguir o segundo tempo mais rápido para a grelha de qualificação depois de Lando Norris ter sido aquele que mais se aproximava do transalpino da Mercedes, mas a primeira posição estava sempre garantida. Agora, chegava o derradeiro “teste” em Spa-Francorchamps – e com a “vantagem” de Lando Norris, campeão em título e líder de uma McLaren a tentar reaparecer, ter uma penalização de dez lugares na grelha por exceder o limite de componentes trocados da unidade motriz.
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“Com o Max [Verstappen] ao meu lado na grelha, não vai ser fácil. É crucial sair bem e estar à frente na curva cinco. Vamos tentar ter uma boa largada e o ritmo que vimos na sexta-feira parece positivo. O desgaste dos pneus, especialmente do lado esquerdo, é grande neste circuito, mas espero gerir bem e manter um bom andamento para a distância da corrida”, apontara Kimi Antonelli, que dedicou a pole position deste sábado ao pai, que fazia anos. “Estar na pole aqui é excelente para sábado, mas não sei se gostaria de estar na frente ao passar por Eau Rouge pela primeira vez. O Verstappen vai estar logo atrás, a pressionar”, vaticinara Toto Wolff, diretor da Mercedes, que tem apontado para a importância de uma boa saída ao longo desta época.
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Do lado de Verstappen, que assumiu o papel de principal adversário do italiano à frente de George Russell, dos Ferraris de Lewis Hamilton e Charles Leclerc e de Oscar Piastri, as esperanças eram quase “nulas”. “Nós estivemos três décimos atrás na qualificação, mesmo com um reboque. Realisticamente, seriam seis décimos. Não será uma luta pela vitória na corrida, ele vai passar-me nas retas…”, dissera o neerlandês, depois de mais um fim de semana em que voltou a ser notícia sobretudo pela possibilidade não confirmada de deixar a Red Bull nos próximos tempos para rumar à McLaren (e com Piastri a fazer o inverso para a Red Bull).
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Os dados estavam lançados, num circuito que não trazia as melhores memórias a Antonelli, que em 2025 fez a volta mais rápida na Bélgica mas ficou fora dos pontos depois de duas corridas anteriores em que tinha desistido (Áustria e Grã-Bretanha). Agora, com muito ambiente de futebol à mistura entre pilotos espanhóis e argentinos que deixavam mensagens de apoio às suas equipas (Franco Colapinto mais parecia um hincha em Times Square), houve de tudo um pouco… logo na primeira volta: Antonelli defendeu-se bem nas curvas iniciais, Verstappen conseguiu passar para a frente, houve depois um erro do neerlandês que permitiu que não só Antonelli mas também Leclerc passassem para as duas primeiras posições, Russell teve um toque com Hamilton e acabou por ficar na gravilha, com entrada de safety car em pista para acalmar tudo.
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Mais emoção e “confusão” era impossível, com Verstappen a subir de novo à segunda posição antes de haver finalmente alguma normalidade, quebrada por uma tentativa de Piastri de subir ao terceiro posto que correu de tal forma mal que permitiu que fosse Hamilton a passar para quarto, antes de saber das notícias de uma penalização (discutível) de cinco segundos pelo incidente com Russell. Um pouco mais atrás, Lando, que acabou por sair das boxes, já estava em sexto atrás de Piastri, ao passo que Isack Hadjar estava à beira dos pontos em 11.º, chegando mesmo a décimo na 15.ª volta à frente dos Audi de Bortoleto e Hulkenberg.
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Começavam as primeiras paragens, que com duros podiam permitir que os pilotos fossem até ao final sem passarem pelas boxes assim conseguissem gerir o desgaste dos pneus, e mais uma desistência, desta vez de Sergio Pérez. Lando Norris era o mais rápido em pista, Antonelli liderava com uma vantagem entre os dois e os três segundos tendo a equipa a dizer que podia forçar mais pela resposta que os pneus estavam a dar, a paragem de Max Verstappen colocou os dois Ferrari na traseira do Mercedes. Ainda havia mais uma volta a dar, neste caso a meio da corrida: a entrada em cena do safety car virtual deu uma paragem “de borla” a Leclerc, que ficou “virtualmente” na frente da corrida superando Antonelli apesar da liderança de Lando Norris, ao passo que Verstappen seguia em quarto tendo atrás Piastri e Hamilton. Tudo tinha mudado.
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Leclerc conseguiu passar Lando Norris, Antonelli demorou um pouco mais mas também lá chegou e havia uma diferença de quase três segundos como ponto de partida para a batalha que iria definir o vencedor da corrida belga, com Hadjar já a rodar em sétimo apesar das quatro paragens aproveitando sempre aquilo que a prova lhe “oferecia” e Hamilton longe de uma discussão pelo pódio depois de uma paragem onde ainda deu um toque inadvertido num mecânico da Ferrari. Só mesmo na 29.ª volta Max Verstappen conseguiu passar Lando Norris, saindo para terceiro a pouco mais de sete segundos de Leclerc e com essa dúvida se haveria algum jogo de equipa na McLaren para colocar Piastri na luta pelo pódio. Não foi a bem, foi a “mal”: Lando foi às boxes pela primeira vez mas um parafuso ficou preso, atrasou e colocou o britânico em oitavo.
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A dez voltas do final, o inevitável aconteceu: aproveitando a zona de reta, Antonelli, que já estava apenas a meio segundo, atacou Leclerc e assumiu a liderança da corrida sem grande reação do monegasco, arrancando logo de seguida para a melhor volta (que seria superada de seguida por Lando). Os problemas que o piloto da Ferrari já tinha abordado pelas comunicações com a equipa davam ainda menos margem para lutar contra o Mercedes, ficando a partir daí numa posição onde só podia tentar “pressionar” o italiano para aproveitar um possível erro, nem que fosse pelo passar dos limites de pista. Mais atrás, Max Verstappen entrava numa terra de ninguém sem capacidade de aproximar-se dos primeiros e com Piastri a estar mais pressionado sobretudo para segurar a quarta posição perante as melhorias em pista de Hamilton.
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Leclerc resistiu até ao final, entrando nas últimas três voltas a 1,5 segundos de Kimi Antonelli, mas já não foi a tempo de impedir a sexta vitória em dez corridas do prodígio italiano da Mercedes. Ainda assim, nem tudo correu da melhor forma para a equipa britânica, que viu a Ferrari aproximar-se um pouco mais no Mundial de construtores com a segunda posição de Leclerc e a quarta de Hamilton (que teria uma nova investigação no final da corrida pela paragem nas boxes mas que, caso não fosse sancionado, subiria ao segundo posto do Mundial atrás de Antonelli). Por fim, Max Verstappen fechou o pódio, o 300.º da Red Bull na Fórmula 1 e o segundo do antigo tetracampeão mundial nas últimas três provas. Oscar Piastri, Isack Hadjar, Lando Norris, Gabriel Bortoleto, Arvid Lindblad e Franco Colapinto fecharam o top 10 e os pontos.
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