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Novo PM britânico abandona projeto de cartão de cidadão digital

Keir Starmer, que deixa as suas funções na 2ªfeira, tinha anunciado este projeto para combater a imigração ilegal. A medida tinha gerado preocupação num país avesso aos controlos de identidade.

Agência Lusa
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O futuro primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, vai abandonar o projeto de cartão de cidadão digital à escala nacional, o qual tinha sido anunciado em setembro pelo seu antecessor, indicou este sábado um porta-voz.

Keir Starmer, que deixa as suas funções na segunda-feira, tinha anunciado este projeto para combater a imigração ilegal.

A medida tinha gerado uma forte preocupação num país há muito avesso aos controlos de identidade e onde não existe bilhete de identidade, alimentada por um fluxo contínuo de desinformação vinda da extrema-direita.

“Todo o tempo e todos os recursos que iam ser dedicados a este projeto de cartão de cidadão digital serão, em vez disso, afetados onde são mais necessários, nomeadamente para ajudar a enfrentar o custo de vida”, declarou o porta-voz.

Andy Burnham, também membro do Partido Trabalhista, assume funções num contexto de crise prolongada do custo de vida, que contribuiu para tornar Keir Starmer um dos primeiros-ministros mais impopulares das últimas décadas.

A sua prioridade será relançar a economia e melhorar o nível de vida dos britânicos, atingidos pela escalada dos preços da energia e dos produtos alimentares desde o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Apesar do abandono do projeto do cartão de cidadão digital, o seu Governo continuará a combater o trabalho ilegal, apoiando-se nos progressos alcançados por Keir Starmer, acrescenta num comunicado.

O projeto de Starmer consistia em introduzir, até 2029, um cartão de cidadão digital nacional. Este não seria obrigatório, mas sim necessário para comprovar o direito ao trabalho.

Figuras da extrema-direita, que se opunham ao projeto tal como a maioria dos partidos da oposição, apresentaram-no como um novo meio de o Governo controlar a vida dos cidadãos.

Posteriormente, o Governo tinha recuado na sua decisão de o tornar obrigatório para trabalhar.

O custo deste programa tinha sido estimado em 1,8 mil milhões de libras esterlinas (mais de 2,1 mil milhões de euros) ao longo de três anos.