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Ventura envia carta a Montenegro a pedir demissão de Neves em que puxa de reunião com Seguro e lembra exemplo de Miguel Macedo

Líder do Chega diz que se Luís Neves não sair isso arrastará o Governo para uma "cumplicidade criminosa". Lembra que Miguel Macedo demitiu-se para defender cargo mesmo tendo sido depois absolvido.

Rui Pedro Antunes
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O presidente do Chega enviou este sábado uma carta ao primeiro-ministro a apelar, como líder da oposição, a que demita o ministro da Administração Interna. Na missiva, à qual o Observador teve acesso, André Ventura escreve a Luís Montenegro a afirmar que “a permanência em funções do ministro da Administração Interna afeta muito negativamente a imagem do Governo e arrastá-lo-á irremediavelmente para a cumplicidade criminosa, pressão sobre as instituições de investigação criminal e perda de autoridade institucional.”

André Ventura refere também a reunião com António José Seguro como um dos argumentos para avançar com este pedido. “Após a reunião mantida com o Presidente da República fiquei ainda mais convencido do que é preciso fazer neste momento”, disse numa alusão à demissão de Neves. O líder do Chega avisa Luís Montenegro que “se nada for feito, tal pode significar, muito sinceramente, que as instituições em Portugal estão já completamente capturadas por correntes obscuras e subterrâneas de poder e de criminalidade. E nada, nada mesmo, poderá ser tão grave, e ter tanto impacto no futuro, como isto!”

O presidente do Chega lembra ainda o caso de Miguel Macedo “antigo MAI que se demitiu por se ver envolvido numa suspeita criminal durante o governo de Pedro Passos Coelho.” Ventura lembra que “até foi, mais tarde, absolvido, mas percebeu que a administração interna não pode estar sem autoridade ou integridade. Percebeu que as instituições estão sempre acima da sua vontade e do seu desejo pessoal.”

Ventura diz que “PSD e Chega têm uma responsabilidade primeira e sagrada: garantir que as instituições e a democracia estão acima e salvaguardadas de qualquer luta ou disputa partidária.” O líder do Chega diz que, apesar de não terem chegado a acordo em algumas áreas, os dois partidos sempre salvaguardaram a “relação de confiança e a proteção das instituições democráticas, mesmo quando discordámos fortemente no espaço público.” Mas, para Ventura, “a situação atual do Ministro da Administração Interna, Luís Neves, provoca necessariamente uma alteração dessa equação”.

O presidente do Chega deixa ainda várias dúvidas em jeito de crítica: “Como pode o ministro que tutela as polícias incumprir escandalosamente a lei, em pequenas ou grandes coisas, e arrogar-se disso impunemente? Como pode o Ministro que tutelou a PJ, uma instituição de incontornável prestígio, estar sob suspeita de condicionar essa polícia para proveito próprio e arrastar a sua imagem institucional para o lodo? Como pode ser garantido o regular funcionamento das instituições se há suspeitas de ligação entre o Ministro das polícias e as investigações ao crime organizado mais violento e destruidor? Com que autoridade teremos um Ministro da Administração Interna a coordenar o combate aos incêndios sem qualquer autoridade política?”

Ventura aponta ainda o dedo ao PS ao dizer que “todos os outros partidos — mormente o PS, de forma expectável, mas não compreensível — preferiram ficar em silêncio, mas o principal partido da oposição não o pode fazer.” E deixa mais um aviso a Montenegro: “Se o primeiro-ministro quer manter-se como ponto de autoridade no Governo, tem de agir nesta circunstância. Não pode ter medo de agir!”