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(A) :: Químicos para produzir droga da "Operação Pacoba" estavam dentro da empresa do amigo de Luís Neves

Químicos para produzir droga da "Operação Pacoba" estavam dentro da empresa do amigo de Luís Neves

PJ investiga como atrelado e precursores químicos apreendidos em 2024 foram parar à Construbarcelos, empresa com 2,3 milhões em contratos com a Judiciária.

João Paulo Godinho
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Os bidões com produtos químicos usados para a produção de droga que tinham sido apreendidos com o atrelado na Operação Pacoba, em dezembro de 2024, pela Polícia Judiciária (PJ), estavam esta semana, afinal, no interior das instalações da Construbarcelos, a empresa do amigo do ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Segundo adiantou este sábado o jornal Público, não foi só o atrelado que foi levado para as instalações da empresa do empreiteiro João Santos Carvalho, em Barcelos, e que, segundo a TVI/CNN e o Nascer do Sol, terá contado com a autorização do ex-diretor da PJ. Também os precursores químicos usados para produzir estupefacientes foram levados e encontravam-se na posse do amigo de Luís Neves, no interior das instalações e não apenas no atrelado — atracado a um camião da Construbarcelos — que foi recuperado esta semana pela Judiciária.

https://observador.pt/2026/07/17/pj-tem-indicios-de-que-tera-sido-neves-a-autorizar-saida-de-atrelado-para-empresario-amigo/

Na sequência da revelação deste caso, a PJ confirmou oficialmente esta sexta-feira a instauração de um inquérito para “apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos“.

De acordo com a RTP, os primeiros dados recolhidos pela Polícia Judiciária (PJ) indicam que a movimentação do veículo à sua guarda, apreendido no âmbito de uma operação de combate ao tráfico de droga, terá sido autorizada pelo próprio ministro da Administração Interna, Luís Neves — à data diretor nacional da PJ.

A movimentação do atrelado ocorreu na sequência da disponibilidade demonstrada pelo empresário amigo de Luís Neves para destruir parte do material apreendido no interior do veículo, algo que, até ao momento, não aconteceu. Como o empreiteiro terá tido conhecimento dessa necessidade da PJ é algo que ainda está por esclarecer.

https://observador.pt/2026/07/17/pj-confirma-inquerito-sobre-atrelado-de-droga-apreendido-que-foi-encontrado-em-empresa-de-amigo-do-ministro-luis-neves/

Tratando-se de um bem apreendido, o mesmo foi removido do local e ficou novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a mesma carregava”, referiu a PJ num esclarecimento enviado às redações na sexta-feira. De acordo com a nota, as “circunstâncias que rodearam a deslocação da galera [atrelado] para Barcelos encontram-se a ser investigadas no referido inquérito, o qual foi comunicado ao Ministério Público”.

O atrelado havia sido apreendido no âmbito da investigação da PJ apelidada de “Pacoba”, uma megaoperação de combate ao tráfico de droga. No decorrer desta investigação, a PJ anunciou, em dezembro de 2024, o desmantelamento de um laboratório de cocaína em Portugal.

O atrelado tinha sido levado para instalações da Marinha no Seixal e acabou por sair dali em 2025 para ficar até esta semana na Construbarcelos — a empresa que celebrou 17 contratos com a PJ no valor de cerca de 2,3 milhões de euros e tem obras particulares em curso nos montes alentejanos do ministro Luís Neves.

https://observador.pt/2026/07/16/atrelado-de-droga-que-desapareceu-das-instalacoes-da-pj-no-seixal-foi-localizado-agarrado-a-camiao-da-construbarcelos/