O início de mais um fim de semana montanhoso voltou a sorrir aos fugitivos. A etapa 13 da 113.ª edição da Volta a França voltou a ser corrida a alta velocidade, terminando com Mauro Schmid (Jayco AlUla) a bater Harold Tejada (XDS Astana) ao sprint depois de mais de 100 quilómetros em fuga. Com o pelotão a terminar a mais de 7.30 minutos, Tom Pidcock (Pinarello Q36.5), que integrou a movimentação de mais de 50 ciclistas e ainda bonificou quatro segundos com o terceiro lugar na meta, foi o grande beneficiado do dia, voltando a entrar na luta pelo pódio. Assim, o britânico saltou do décimo para o quarto lugar, a 4.15 minutos de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG), mas a apenas nove segundos do terceiro lugar de Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe).
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“Foi um dia duro, muito rápido e estou feliz que tenha acabado. Precisas de pensar rápido e acho que hoje [sexta-feira] conseguimos lidar bem com os adversários. Conversámos bem. Tudo correu bem. Tivemos tudo sob controlo. Sabíamos que seria um dia difícil para nós, mas no final correu muito melhor do que esperava. Acho que até foi melhor para nós o Tom Pidcock estar na frente, porque as outras equipas tiveram que perseguir no final e pudemos ficar um pouco atrás deles nos últimos 30 quilómetros. Sábado? Le Markstein é um lugar porreiro e estou realmente ansioso por subi-lo de novo. Quero aproveitar os adeptos”, explicou o esloveno, que deverá marcar presença na próxima Volta a Espanha, dentro de pouco mais de um mês.
“Há pontos positivos para tirar do dia de hoje. Da forma como os rapazes pedalaram, colocámo-nos numa posição para estar na fuga e aproveitar o dia. Não gastámos energia de forma desnecessária no início para conseguirmos isso. Apenas ficámos no lugar certo. Claro que estou dececionado com a etapa, sou ambicioso, quero tentar vencer. Isso é o principal, mas temos pontos positivos. Pódio? Vamos ver. Sei que, de certeza, vou perder muito tempo no contrarrelógio. O pódio vai ser difícil, mas vamos ver”, assumiu Pidcock.
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Para este sábado estava reservada nova subida ao Ballon d’Alsace, a meio de uma etapa dura, com quase quatro mil metros de desnível positivo acumulado. A partida aconteceu em Mulhouse e a chegada em Le Markstein Fellering, 155,3 quilómetros depois. A primeira de quatro subidas categorizadas apareceu logo no início, depois do sprint intermédio, com o pelotão a subir o longo Grand Ballon (21,5 km a 4,8%). Depois da chegada, os ciclistas passaram pela primeira vez na meta, mas em sentido contrário, seguindo para Kruth, onde iam começar a subir o Col du Page (9,8 km a 4,8%). Depois surgiam o Ballon d’Alsace (8,9 km a 6,9%), o Col du Hundsruck (3,6 km a 5,2%) e o Col du Haag (11,2 km a 7,2%), a grande dificuldade do dia. No topo restavam sete quilómetros até à meta em Le Markstein.
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Apesar de ter perdido Ramses Debruyne antes desta etapa, a Alpecin-Premier Tech assumiu o controlo desde a partida oficial, impedindo que a fuga se formasse até ao sprint intermédio. Antes, Dorian Godon (Netcompany Ineos) e Brandon McNulty (Emirates) furaram e Nelson Oliveira (Movistar) ultrapassou os 7.500 quilómetros em 50 dias de competição na presente temporada. O sprint acabou por ser vencido, novamente, por Jasper Philipsen (Alpecin), que ganhou mais cinco pontos a Mads Pedersen (Lidl-Trek) e colocou-se com 361 pontos, contra os 397 do dinamarquês. Pouco depois formou-se mais uma numerosa fuga na dianteira, com quase três dezenas, mas Richard Carapaz e Ben Healy (EF Education-EasyPost), Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step), Tobias e Anders Halland Johannessen (Uno-X Mobility) e Einer Rubio (Movistar) conseguiram sair do grupo fugitivo, que voltou a contar com Tom Pidcock, que chegou a ser virtualmente segundo.
Com a Emirates a controlar a diferença e os seus números, a segunda metade da etapa fez-se com muita chuva e contou com um ataque surpresa da equipa de Pogacar na descida do Col du Page, que partiu o pelotão e deixou Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) para trás. Contudo, apesar de a Red Bull ter ajudado os Emirates, Pedersen fechou o espaço. Na frente, Paret-Peintre foi o primeiro a passar no Ballon d’Alsace, alcançando dez pontos que lhe permitiram ultrapassar o esloveno na liderança da camisola às bolinhas. No alto, o grupo do camisola amarela viria a alcançar o grupo de Pidcock e, no arranque da subida final, encontrava-se a 1.20 minutos da dianteira, onde sobravam o francês, Carapaz, Tobias e Rubio. Logo no início, a Decathlon CMA CGM aumentou o ritmo e colocou Juan Ayuso (Lidl) e Pidcock em dificuldades.
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Como seria de esperar, Carapaz arrancou sozinho a pouco mais de oito quilómetros do alto e Sepp Kuss (Visma) assumiu o comando do grupo principal, onde só restavam Pogacar, Del Toro, Vingegaard, Evenepoel, Florian Lipowitz (Red Bull), Paul Seixas (Decathlon), Ayuso, Mattias Skjelmose (Lidl) e Lenny Martinez (Bahrain-Victorious). Quando o norte-americano acabou o trabalho, o alemão atacou com o jovem francês, mas Vingegaard contra-atacou ao seu ritmo e Remco foi o primeiro a ceder. Tobias Halland Johannessen ainda recolou em Richard Carapaz, mas o trabalho do dinamarquês neutralizou a fuga a 2,5 quilómetros do topo do Col du Haag. Pouco depois, Pogacar desferiu o tão esperado ataque, que deixou todos para trás. A perseguição partiu-se na fase mais dura e o camisola amarela lá acabou por segurar a liderança da montanha, passando com 19 segundos de vantagem para Vingegaard e Seixas.
Del Toro também reentrou no grupo na descida, mantendo-se, naturalmente, na roda dos dois adversários. Com a vitória sentenciada, Tadej Pogacar levantou os braços e soltou o grito pela quarta vez neste Tour e voltou a destacar-se de Tim Merlier (Soudal). No total, esta foi a 34.ª vitória do campeão do mundo em Grandes Voltas e a 25.ª no Tour, registo que lhe permite igualar André Leducq no quarto lugar do palmarés, atrás de Bernard Hinault (28), Eddy Merckx (34) e Mark Cavendish (35). Para além disso, Pogacar somou a 125.ª vitória, registo que só foi alcançado por outros 16 ciclistas e que não se via desde agosto de 2018, com Alejandro Valverde. Na luta pelo segundo lugar, Del Toro não deu hipóteses no sprint com Seixas, ao passo que Vingegaard perdeu mais alguns segundos.
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Olhando à geral, Tadej Pogacar dilatou a diferença para Jonas Vingegaard, que está agora nos 4.30 minutos. A partir daí… é o “descalabro”. Remco Evenepoel está a apenas 34 segundos do dinamarquês, ao passo que, na luta pela classificação da juventude, Paul Seixas (4.º), Juan Ayuso (5.º) e Isaac del Toro (7.º) encontram-se num espaço de 31 segundos, com Florian Lipowitz a surgir no meio, a 5.44 do esloveno. Mattias Skjelmose (a 7.35), Tom Pidcock (7.59) e Lenny Martinez (8.25) completam o top 10 que tem maior diferença entre o segundo e o décimo (3.55) do que entre os dois primeiros.
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