O Presidente da República, António José Seguro, foi questionado esta sexta-feira sobre a situação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, e respondeu que “está sempre muito atento” a tudo o que se passa, mas “fala no momento certo e no local adequado”.
O Chefe de Estado foi questionado pelos jornalistas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sobre as polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, e se já pediu explicações ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre o assunto.
“O Presidente da República está sempre muito atento e acompanha tudo o que se passa em Portugal e na vida nacional, mas fala no momento certo e no local adequado. É essa a minha resposta à sua pergunta”, afirmou António José Seguro.
Interrogado se vai exigir consequências, o Presidente da República nada mais quis acrescentar sobre este assunto e respondeu apenas: “Reafirmo aquilo que disse”.
O semanário Nascer do Sol noticiou na semana passada que o ministro da Administração Interna contratou para obras numa propriedade que detém no Alentejo uma empresa que foi responsável por várias obras na Polícia Judiciária (PJ) quando Luís Neves era diretor nacional da PJ.
Esta sexta-feira, a PJ anunciou que abriu um inquérito sobre um reboque apreendido num processo de tráfico de droga encontrado atracado a um camião dessa mesma empresa contratada por Luís Neves, a Construbarcelos.
Segundo o Sol, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Na quinta-feira, durante o debate sobre o estado da nação, na Assembleia da República, o primeiro-ministro disse que mantém a confiança no ministro da Administração Interna, em resposta ao presidente do Chega, André Ventura, e rejeitou que Luís Neves tenha ameaçado deputados desse partido.
“Se eu mantenho a confiança política no ministro da Administração Interna? Com certeza, senhor deputado, plenamente, plenamente. No senhor ministro da Administração Interna e em todos os ministros e secretários de Estado”, afirmou Luís Montenegro.
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