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PJ tem indícios de que terá sido Neves a autorizar saída de atrelado para empresário amigo

Terá sido o atual MAI a autorizar a movimentação do atrelado apreendido pela PJ quando liderava a instituição, diz a RTP. Veículo estava na Construbarcelos, mas já regressou à guarda da PJ.

Mariana Furtado
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Afinal, o atrelado com precursores de droga filmado nas instalações da Construbarcelos nunca esteve desaparecido. Segundo a RTP, os primeiros dados recolhidos pela Polícia Judiciária (PJ) indicam que a movimentação do veículo à sua guarda, apreendido no âmbito de uma operação de combate ao tráfico de droga, foi autorizada pelo próprio ministro da Administração Interna, Luís Neves — à data o diretor nacional da PJ.

De acordo com o canal público, a movimentação do atrelado ocorreu na sequência da disponibilidade demonstrada pelo empresário amigo de Luís Neves para destruir parte do material apreendido no interior do veículo, algo que, até ao momento, não aconteceu. Como o empreiteiro terá tido conhecimento dessa necessidade da PJ é algo que ainda está por esclarecer.

O veículo em causa tinha sido apreendido em 2024 numa operação de combate ao tráfico de droga, contendo no seu interior bidões selados com produtos para o fabrico de estupefacientes. A notícia de que o atrelado havia sido localizado nas instalações da Construbarcelos, de João Carvalho, foi avançada pela TVI/CNN/Nascer do Sol. O atrelado encontrava-se atracado a um camião da empresa do amigo empreiteiro do ministro da Administração Interna.

João Carvalho, o empresário amigo de Luís Neves desde 2024, celebrou 17 contratos públicos com a PJ entre 2019 e 2024. Além disso, realizou obras a título pessoal no monte alentejano do ex-diretor da PJ — trabalhos que continuam em curso, apesar de a Construbarcelos estar sem certificação legal para exercer a atividade de construção desde março.

https://observador.pt/2026/07/17/construbarcelos-nao-tem-alvara-para-obras-desde-marco-obras-na-casa-de-luis-neves-podem-ser-ilegais/

Nesta sexta-feira, a PJ confirmou oficialmente a abertura de um inquérito a este caso, que já foi comunicado ao Ministério Público. “Tratando-se de um bem apreendido, o mesmo foi removido do local e ficou novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a mesma carregava”, afirma a PJ num esclarecimento enviado às redações. No mesmo comunicado, esta polícia adianta ainda que as substâncias que se encontravam no interior do veículo “não têm natureza estupefaciente”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a existência de um inquérito sobre os bens apreendidos na “Operação Pacoba” — processo que já está em fase de julgamento no Juízo Central Criminal de Lisboa.

https://observador.pt/2026/07/17/pj-confirma-inquerito-sobre-atrelado-de-droga-apreendido-que-foi-encontrado-em-empresa-de-amigo-do-ministro-luis-neves/

Quanto ao caso do ministro Luís Neves, fonte oficial da PGR limitou-se a informar o Observador de que está a analisar os factos noticiados para decidir se há fundamento para avançar com diligências — evitando confirmar se foi aberta uma averiguação preventiva formal, um mecanismo recentemente anunciado pelo Procurador-Geral, Amadeu Guerra.

[Já saiu o segundo episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Câmara Lenta”, José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]