A Itália devolveu esta quinta-feira ao México 27 artefactos arqueológicos que tinham sido apreendidos ilegalmente em território italiano. A cerimónia oficial ocorreu na embaixada mexicana em Roma, na presença do embaixador, Genaro Lozano, e de Antonio Petti, chefe da brigada dos Carabineiros (equivalente à Guarda Nacional Republicana), refere a agência de notícias italiana ANSA.
“A devolução ao povo mexicano de artefactos preciosos e únicos, que antes se acreditava estarem perdidos, restaura o sentido de identidade dos locais de onde foram retirados ilegalmente”, sublinha a Tutela do Património Cultural dos Carabineiros, unidade italiana de combate ao contrabando de arte, ao jornal cultural The Art Newspaper.
Os objetos contrabandeados, que incluem cabeças de Teotihuacan, fósseis do Cretáceo Superior e miniaturas de barro e terracota, foram encontrados durante seis operações de busca em Roma, Florença, Veneza, Monza e Ancona. “Os artefactos haviam sido importados ilegalmente, vendidos ilicitamente ou estavam em posse de proprietários privados sem a documentação que comprovasse a propriedade legítima”, afirmam as autoridades.
Em Florença, foram apreendidos 16 objetos que se encontravam ilegalmente numa residência particular, enquanto em Veneza foram encontrados três peixes fossilizados do período do Cretáceo Superior, compreendido entre 100,5 e 66 milhões de anos atrás. Em Roma, foram apreendidas duas estátuas maias de terracota do período Clássico Mesoamericano Inicial (100-400 d.C.), além de cabeças de Teotihuacan datadas de entre 200 a.C. e 650 d.C.
https://twitter.com/EmbaMexIta/status/2077748538377736420
O embaixador mexicano em Roma, Genaro Lozano, assinalou no X a “importante cerimónia de restituição” que permitiu o regresso ao país de artefactos das culturas mexicana, maia, zapoteca e nayarita.
https://twitter.com/genarolozano/status/2077745960763974091
Os objetos estão classificados como monumentos históricos pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do México e o seu valor pode chegar a várias dezenas de milhares de euros, refere a agência de notícias ANSA.
O grande número de sítios arqueológicos e o extenso território mexicano têm dificultado a prevenção de roubos, de acordo com Vito Polizzi, arqueólogo da Universidade de Palermo, ao The Art Newspaper, o que fez com que a restituição de arte contrabandeada tenha sido designada pelo antigo Presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador como uma “prioridade”. A política tem sido seguida pela atual Chefe de Estado, Claudia Sheinbaum, e resultou na recuperação de 17 mil peças, mil dessas encontradas em Itália.
“Um dos lemas deste governo é ‘O nosso património cultural não pode ser vendido'”, sublinha Mónica de la Mora Kuri, diretora do Instituto Cultural Tina Modotti do México, de Roma.
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