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(A) :: Ministro da Presidência sem conhecimento de investigação que envolva Luís Neves

Ministro da Presidência sem conhecimento de investigação que envolva Luís Neves

Leitão Amaro revela não ter "nenhuma informação concreta" sobre a existência de uma investigação a Luís Neves na consequência da polémica que envolve o ministro. Negou ainda o silêncio do executivo.

Agência Lusa
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O ministro da Presidência afirmou esta sexta-feira não ter conhecimento de alguma investigação que envolva o ministro da Administração Interna e recusou que o Governo esteja em silêncio, dizendo que o primeiro-ministro falou no parlamento na quinta-feira.

No final da reunião semanal do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro foi questionado sobre as notícias que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e disse que o tema não foi alvo de “qualquer deliberação” na reunião, escusando-se a concretizar se o tema foi ou não abordado.

“Eu não tenho nenhuma informação concreta sobre os factos a que aqui se referiram nas vossas questões, nem sobre uma investigação, ou alguma investigação, que envolva o ministro da Administração Interna. Não tenho informação de que exista uma investigação que o envolva”, disse.

Questionado se o Governo irá “ficar calado” perante as notícias divulgadas esta sexta-feira, Leitão Amaro recusou que haja silêncio por parte do executivo.

“O Governo falou há menos de 24 horas, o primeiro-ministro falou sobre isto ontem ao final da tarde”, disse.

No debate do estado da nação, Luís Montenegro foi questionado pelo Chega se mantinha a confiança em Luís Neves.

“Se eu mantenho a confiança política no ministro da Administração Interna? Com certeza, senhor deputado, plenamente, plenamente. No senhor ministro da Administração Interna e em todos os ministros e secretários de Estado”, afirmou Luís Montenegro.

Leitão Amaro frisou, por outro lado, que todas “as pessoas em funções públicas, em cargos públicos, incluindo os governantes, estão sujeitos a escrutínio”.

“O escrutínio é próprio da democracia e a comunicação social e os jornalistas fazerem o seu trabalho, investigarem, perguntarem, faz parte. E quem está na política tem que estar disponível para esse escrutínio. Há outra discussão sobre os limites do escrutínio, mas não quero trazê-la para aqui”, acrescentou.

Esta sexta-feira, a Polícia Judiciária anunciou que abriu inquérito sobre o reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna, no Alentejo.

https://observador.pt/2026/07/16/atrelado-de-droga-que-desapareceu-das-instalacoes-da-pj-no-seixal-foi-localizado-agarrado-a-camiao-da-construbarcelos/

O caso foi comunicado ao Ministério Público, que em resposta enviada à Lusa, confirmou também a “existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado Operação Pacoba”, que se encontra em fase de julgamento.

A polémica teve início na passada sexta-feira, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por várias obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.

https://observador.pt/2026/07/17/construbarcelos-nao-tem-alvara-para-obras-desde-marco-obras-na-casa-de-luis-neves-podem-ser-ilegais/

Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Questionado se estas notícias, aliadas às perturbações no processo de correção dos exames nacionais, podem afetar a imagem do Governo, António Leitão Amaro recusou fazer “um take dois do debate do estado da nação”.

“Mais importante é a avaliação que os portugueses fazem do Estado do seu país e do desempenho e da capacidade de o Governo ir respondendo, continuando a baixar impostos, continuando a reforçar a capacidade dos serviços públicos com mais médicos, mais professores, mais enfermeiros, profissionais públicos valorizados, com simplificação e digitalização de processos, mesmo quando a digitalização traz desafios e perturbações”, disse.

O ministro admitiu que, por vezes, existem dificuldades nas reformas, quer “com o tempo que demoram a produzir resultados e a impaciência que se gera”, quer pela negociação com a oposição, quer pelo processo de implementação, como aconteceu no caso da correção digital dos exames.

Questionado sobre as prioridades legislativas do Governo para depois do verão, Leitão Amaro disse que o executivo irá manter o rumo traçado no programa do Governo e mantém a expectativa de que as próximas eleições legislativas apenas se realizem no outono de 2029.

“Não precisamos de chegar ao pós-verão para termos prioridades legislativas aí a aparecer e a concretizar-se, já na próxima semana teremos mais novidades com o envolvimento e o contributo de todos os ministros deste Governo”, frisou.