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(A) :: O défice tecnológico das escolas e a correção dos exames nacionais

O défice tecnológico das escolas e a correção dos exames nacionais

O que é dramático é em 2026 o Ministério da Educação ter de adotar a solução que usei há 38 anos (!) devido ao descuido de sucessivos Governos.

Luís Valadares Tavares
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1 O desafio digital da Educação

Ao longo dos anos, tem-se acentuado em Portugal o atraso tecnológico das nossas escolas públicas, em especial, do nível Secundário. Com efeito, a revolução digital tem tido na maioria dos países, a Educação, designadamente Secundária, como área de excelência de transformação, potenciando linhas essenciais de inovação, tais como:

  1. Oferta de tutoria através de sistemas de ensino à distância e de “blend learning”.
  2. Organização das suas bases de conhecimento e de apoio ao estudo potenciando plataformas de Inteligência Artificial.
  3. Utilização de software diverso e dedicado à aprendizagem e ao apoio aos seus processos decisórios.
  4. Participação em jogos de equipa envolvendo turmas, escolas e países múltiplos.
  5. Elaboração das respostas a testes e exames.

Ora, todas estas linhas de inovação implicam que cada aluno tenha acesso a portátil com ligação em rede e acesso à Internet e bem assim que as escolas tenham os meios de apoio à gestão destes equipamentos e à sua manutenção em boas condições.

Infelizmente, este objetivo claro e essencial não foi atingido mantendo-se uma situação característica de país subdesenvolvido. Na verdade, na década de 90, tivemos um Programa Digital inovador, o MINERVA, concitando a motivação e o interesse de professores e alunos. Fui coordenador nacional deste programa e recordo os resultados muito positivos, distinguidos internacionalmente, mas o MINERVA veio a ser descontinuado já neste século sem que tenha sido criado o seu sucessor.

Posteriormente, há cerca de 20 anos, houve tentativa meritória com o conhecido Magalhães, o qual veio a soçobrar, não nas Filipinas, como aconteceu ao navegador português, mas em confusões contratuais e na falta de continuidade. Os oito anos do Governo socialista foram verdadeiramente desastrosos nas aquisições de meios informáticos para as escolas e, mesmo durante a COVID, quase não se potenciou a Educação à Distância surgindo até à tarifa social para acesso à Internet só depois da pandemia (!) além de ter âmbito muito limitado. Entretanto, a formação dos professores ministrada por inúmeras Escolas e Faculdades de Educação quase não contempla o Ensino à Distância e a potenciação dos novos meios digitais.

Chegámos assim a 2026 com a maioria das escolas secundárias públicas sem os meios digitais essenciais à sua modernidade.

2 A correção dos exames

A digitalização recomendada para a elaboração e correção das provas escolares é consabida e simples de explicar: oferecer ao aluno a prova no seu terminal permitindo a introdução das suas respostas. Toda a informação fica registada digitalmente pelo que pode depois ser facilmente fornecida aos corretores e, posteriormente, produzir os outputs pretendidos (pautas, etc.) além de importantes estatísticas de aferição e avaliação permitindo identificar eventuais assimetrias.

Qualquer outro processo misturando fases em papel e em suporte digital tem graves inconvenientes pois exige vastas operações de digitalização e oferece numerosos momentos propícios à introdução de erros e contradições.

Na verdade, a via da digitalização pode ser útil mas não para processos interativos (pergunta-resposta) e em que erros pontuais não sejam significativos. Foi o caso que tive em 1988 quando fui Diretor-Geral do Planeamento no Ministério da Educação e em que era responsável pelas Estatísticas da Educação tendo tido de resolver o atraso que havia de mais de quatro anos. Criei ficha específica a ser preenchida por todos os alunos a qual era depois digitalizada, permitindo passar a ter as Estatísticas de Educação sempre atualizadas com erros inferiores a 1%, o que foi motivo de elogio pela OCDE.

Ora o que é dramático é em 2026 o Ministério da Educação ter de adotar a solução que usei há 38 anos (!) devido ao descuido de sucessivos Governos pelo que importa perguntar se será justo culpabilizar apenas o atual Ministro da Educação, merecedor da estima e do apreço da maioria dos portugueses, pelos problemas agora surgidos na correção dos exames nacionais em 2026?

E questionar as forças políticas que agora tanto se têm interessado pelos problemas surgidos para saber quando irão contribuir para se corrigir o incrível défice tecnológico das nossas Escolas Secundárias públicas?