No dia em que José Mourinho foi à Volta a França, ainda que à distância, os sprinters voltaram a triunfar. Depois da surpresa na véspera, os homens mais rápidos do pelotão não quiseram perder a sua oportunidade na chegada a Chalon-sur-Saône, onde Tim Merlier (Soudal Quick-Step) voltou a mostrar que é o mais veloz desta 113.ª edição do Tour de France e igualou Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) no número de vitórias (3). Contudo, o final ficou marcado por uma grave queda que envolveu cerca de 20 ciclistas, cortou o pelotão e foi provocada por um desvio de trajetória de Vlad van Mechelen (Bahrain Victorious), que tocou com a roda traseira em Fernando Gaviria (Caja Rural-Seguros RGA). O colombiano acabou por ser o maior afetado do incidente, tendo fraturado a clavícula esquerda, o que o levou a abandonar a competição, apesar de ainda ter cortado a meta.
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“Estava tudo calmo e tranquilo até a Lidl-Trek começar a atacar. Depois disso ficou um pouco difícil no final. Ficou tudo bem do nosso lado. Vi que muitos ciclistas caíram no final e espero que estejam todos bem. A minha aposta hoje [quinta-feira] era o Fernando [Gaviria]. Ele estava a pedalar muito bem e fiquei realmente desapontado em vê-lo também no chão. Espero que todos os envolvidos na queda estejam bem. A etapa de amanhã [sexta-feira] é um pouco estranha, mas vamos ter que passar por ela. Depois sábado e domingo são etapas mais porreiras, acho. Fiz um reconhecimento com o Isaac [del Toro]. Fizemo-lo juntos e conheço essas estradas bastante bem. Vamos ver. Estou ansioso por ela [a etapa de sábado]”, partilhou o maillot jaune no final da etapa.
“As etapas totalmente planas ou aquelas com subidas de terceira e quarta categorias praticamente já não existem mais. O Tour começa agora, embora já tenhamos tido 12 dias com etapas fortes. Para os ciclistas do pelotão principal, agora é a hora de acumular fadiga, dia após dia. Claro que já estamos há 12 dias em competição. Ganhar hoje? Não, na verdade não. Acho que no futuro ainda vão surgir oportunidades para correr etapas assim. Mas são etapas que precisas de aceitar. Se a fuga durar muito tempo e o pelotão se mantiver junto, ou se houver um grupo pequeno na chegada, posso tentar a minha oportunidade no sprint. Mas não acredito que isso vá acontecer hoje”, explicou, por sua vez, Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe).
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Depois de dois dias teoricamente mais calmos, o pelotão do Tour entrou na montanha esta sexta-feira, na etapa mais longa desta edição, com 205 quilómetros a ligarem Dole a Belfort, num dia com 2.400 metros de desnível positivo acumulado. Ainda assim, as dificuldades estavam reservadas apenas para o fim, numa espécie de etapa unipuerto. Depois de 137 quilómetros planos, surgiu o sprint intermédio de Mélisey, que antecedia o Col des Croix (5,1 km a 4,8%). Por fim, a ligação até ao local onde se ia decidir a etapa era rápida, já que o Ballon d’Alsace (8,9 km a 6,9%) estava logo a seguir, com o seu topo a aparecer a cerca de 30 quilómetros da meta. Seguiam-se 13 quilómetros de descida que podiam ser dificultados pela chuva, com os últimos 17 quilómetros a ser feitos em terreno mais ou menos plano.
Jenno Berckmoes (Lotto Intermarché) não alinhou à partida depois de também ter caído na chegada ao sprint, bem como Frits Biesterbos (Picnic PostNL). Como seria de esperar, a etapa foi atacada desde o início, mas a iniciativa que acabou por vingar contava com… 57 ciclistas, cerca de 33% do pelotão, com destaque para mais uma presença de Nelson Oliveira (Movistar). No sprint intermédio, Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech) foi o mais forte, batendo Mads Pedersen (Lidl) e Biniam Girmay (NSN). Os ciclistas chegaram à primeira contagem de montanha a um ritmo alucinante, bem acima dos 52 km/h (52,3). Os ataques na dianteira foram uma constante ao longo da subida, numa altura em que Tom Pidcock (Pinarello Q36.5) já ameaçava o segundo lugar na geral virtual.
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O britânico guardou-se para o último quilómetro do Ballon d’Alsace, altura em que atacou, mas sem conseguir fazer a diferença. Assim, Pidcock, Brandon McNulty e Tim Wellens (Emirates), Maxim van Gils (Red Bull), Harold Tejada (XDS Astana), Kévin Vauquelin (Netcompany Ineos), Luke Plapp e Mauro Schmid (Jayco AlUla), Clément Braz Afonso (Groupama-FDJ United) e Jordan Jegat (TotalEnergies) continuaram juntos até ao fim, com a descida a decorrer em piso seco e sem anormalidades. Tejada e Schmid atacaram a 13 quilómetros da meta e discutiram a vitória na etapa, com Harold Tejada a lançar o sprint e a perder para Mauro Schmid em cima da linha de meta. Esta foi a segunda vitória do suíço em Grandes Voltas, depois de ter triunfado na Volta a Itália de 2021 e a primeira do seu país desde 2020, com Marc Hirschi. Pidcock completou o pódio e ganhou mais quatro segundos aos favoritos, que entraram na meta a 7.32 minutos. Destaque para a quarta etapa mais rápida de sempre do Tour (49,999 km/h) e a mais rápida da história com mais de dois mil metros de desnível.
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Com esta fuga bem-sucedida, Tom Pidcock foi o grande vencedor da jornada e saltou do décimo para o quarto lugar, a apenas nove segundos de entrar no pódio. O versátil ciclista britânico está a 4.15 minutos de Tadej Pogacar, que manteve os 3.36 para Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e os 4.06 face a Remco Evenepoel. Juan Ayuso (Lidl) completa o top 5, a 4.22 do esloveno.