A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa faz hoje trinta anos. Três décadas em que, juntos, acrescentámos uma dimensão política própria à simples expressão institucional do espaço linguístico comum. Dimensão política que se afirmou internacionalmente no quadro do multilateralismo, expandiu os laços económicos dentro da comunidade e deu novas oportunidades à cultura e à educação.
Esta comunidade singular resulta da conjugação de vontades de países espalhados por quatro continentes, que se fizeram unir por esse “vasto território de afetos, valores e memórias” que é a língua portuguesa — como bem diz José Eduardo Agualusa. Uma comunidade abençoada pelo mar, que afinal aproxima e não separa. Uma comunidade em que as marcas distintivas de cada povo e de cada país nos ajudam a trabalhar coletivamente em prol dos valores que nos orientam desde o primeiro dia: paz, direitos humanos, democracia, Estado de direito, desenvolvimento e justiça social.
Trinta anos volvidos, o balanço é amplamente positivo e, na verdade, conhecendo os sentimentos que nos unem, só podia sê-lo. Juntos, conseguimos cimentar um espaço comum em que o todo é maior do que a soma das partes. Da afirmação da língua portuguesa como idioma da diplomacia e dos negócios à defesa conjunta da conservação dos oceanos, sem esquecer a aposta comum na educação e no desenvolvimento sustentável, a cooperação entre Estados-membros abarca praticamente todos os setores da governação.
Também no plano internacional a CPLP se tem afirmado como um espaço de coordenação cada vez mais consistente e regular. A recente eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança é também produto do apoio constante e empenhado dos nossos parceiros. E esta unidade mede-se em números: há hoje mais de trinta países e organizações internacionais que, para colaborarem de forma mais estreita com a CPLP, acederam ao estatuto de Observadores Associados. Muitos outros expressaram já a mesma intenção. A lusofonia está, com efeito, cada vez mais visível e presente na diplomacia global.
É, portanto, com confiança que encaramos o futuro. Com permanente atenção à nossa coesão interna e a uma firme unidade de propósito na defesa dos valores que nos unem, mas também com um enfoque particular nos nossos cidadãos. Os mais jovens, a quem se dirige a “Década da Juventude da CPLP”, mas também os nossos empresários, empreendedores, cientistas, académicos e investigadores, para que, juntos, possam tirar pleno proveito das oportunidades que a nossa Comunidade encerra.
Será também por eles que continuaremos a reforçar a projeção internacional da língua portuguesa, com particular enfoque nos campos da ciência, da inovação e da tecnologia. O desenvolvimento do AMALIA, o primeiro modelo de inteligência artificial em língua portuguesa, servirá, aliás, o conjunto da nossa Comunidade.
Assim, a promoção da CPLP e da cooperação com cada um dos membros que a compõem continuará a ser um dos eixos maiores da política externa portuguesa. Tudo faremos para manter e reforçar a coesão e a vitalidade desta Comunidade à qual tanto nos orgulhamos de pertencer. E nos próximos dois anos, sempre em estreita articulação com os nossos parceiros, Portugal projetará também a sua voz no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
No trigésimo aniversário da CPLP, continuamos por isso a defender uma Comunidade atuante, dinâmica e com peso internacional. Juntos, com todos e por todos.