A Polícia Judiciária confirmou oficialmente a abertura de um inquérito sobre o caso do atrelado de droga apreendido que foi encontrado nas instalações da empresa Construbarcelos, do empreiteiro amigo do ex-diretor nacional da PJ e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves. O esclarecimento enviado esta sexta-feira às redações adianta ainda que o inquérito foi comunicado ao Ministério Público.
“No passado dia 14 de julho, a Direção Nacional da Polícia Judiciária (DNPJ) teve conhecimento de que uma galera [atrelado] apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos. Tendo por base essa suspeita, a DNPJ determinou, de imediato, a instauração de um inquérito para apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos”, lê-se no comunicado.
“Na sequência, foi, imediatamente, determinado que se verificasse essa informação, tendo-se apurado que, de facto, a galera se encontrava estacionada em Barcelos, atracada a um camião da empresa Construbarcelos. Tratando-se de um bem apreendido, o mesmo foi removido do local e ficou novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a mesma carregava, esclarecendo-se que estes não têm natureza estupefaciente”, acrescenta.
De acordo com a nota, as “circunstâncias que rodearam a deslocação da galera para Barcelos encontram-se a ser investigadas no referido inquérito, o qual foi comunicado ao Ministério Público”.
PGR confirma análise de notícias relacionadas com Luís Neves e Construbarcelos
O Observador solicitou esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República sobre a eventual abertura de um inquérito criminal aos diferentes factos que têm sido noticiados sobre a relação entre Luís Neves e o empreiteiro e amigo João Carvalho, da empresa Construbarcelos. O primeiro email do Observador foi enviado a 10 de julho e a resposta chegou esta sexta-feira.
Fonte oficial da Procuradoria-Geral da República começa por confirmar a mesma informação da PJ. Ou seja, a “existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba’. Mais se informa que este processo “Operação Pacoba” (NUIPC 235/23.8TELSB) conheceu despacho de acusação e, neste momento, encontra-se em fase de julgamento, no Juízo Central Criminal de Lisboa.”
Em relação às questões do Observador relacionadas com o caso Luís Neves, a mesma fonte oficial afirma que o “Ministério Público tem vindo ainda a acompanhar outros factos noticiados e, nos termos da lei, procede à respetiva análise; havendo fundamento e necessidade, desenvolve depois todas as diligências que considera pertinentes ou adequadas”.
Ou seja, fonte oficial da PGR não confirma a abertura de uma averiguação preventiva, no âmbito da mudança de política de comunicação que foi anunciada pelo procurador-geral Amadeu Guerra em entrevista ao Observador.