O Governo da Galiza (Xunta) decidiu no início desta semana criar o Registo Galego de Centenários (Regace). E não é para menos: a região espanhola, vizinha do norte de Portugal, tem cerca de 1.500 pessoas com cem ou mais anos. Por isso, o executivo considera tratar-se de “uma ferramenta fundamental para enfrentar os desafios decorrentes da longevidade extrema”, cita-o o jornal La Voz de Galicia.
O Regace ficará sob a responsabilidade da Consellería de Sanidade, reunindo informações sociodemográficas, clínicas, epidemiológicas e estatísticas sobre a longevidade na Galiza, com o objetivo de melhorar os cuidados de saúde.
O registo destina-se a todas as pessoas com 100 ou mais anos que residam na região e disponham de seguro de saúde público ou privado. Esta rede de vigilância desempenhará um papel essencial na organização e no planeamento dos cuidados de saúde.
Os dados recolhidos ajudarão também a identificar os grupos populacionais com maior probabilidade de atingir o estatuto de centenário e os resultados serão divulgados através da colaboração com instituições espanholas, europeias e internacionais. Além disso, serão produzidas estatísticas, relatórios periódicos e publicações, que serão integrados no Observatório Galego de Saúde Pública para aprofundar o conhecimento sobre a longevidade.
Todos os envolvidos no estudo estão sujeitos ao princípio da confidencialidade, de forma a garantir a proteção dos dados pessoais e clínicos. Os dados médicos serão fornecidos pelos profissionais de saúde que trabalham em hospitais e unidades de saúde públicas ou privadas da Galiza e que acompanham e prestam cuidados aos centenários.
A esperança média de vida galega aumentou em 2024 para 81,19 anos entre os homens e 86,83 anos entre as mulheres. Em ambos os casos, estes valores estão acima da média nacional. Atualmente, a Galiza é a região espanhola com o maior número de residentes com 100 ou mais anos, que representam 11% da população centenária do país.
Embora ainda numa fase inicial, um estudo que a Sociedade Galega de Gerontologia e Geriatria publicará em breve, mas a cujo teor o El Mundo teve acesso, aponta já para várias características comuns aos que têm uma “longevidade extrema”. Entre elas está a prática regular de atividade física, uma alimentação baseada em produtos locais, fortes laços familiares e comunitários e uma extraordinária capacidade para superar adversidades.
“Estamos a falar de pessoas que viveram uma guerra civil, um difícil período do pós-guerra, tempos de escassez e todo o tipo de adversidades. Se há uma característica comum a todos os que chegaram aos 100 anos de idade, é a capacidade de se adaptarem a qualquer circunstância, algo que faz deles a verdadeira geração da resiliência“, declarou José Manuel Faílde, presidente da organização responsável pela investigação, ao El Mundo.
Os problemas de saúde mais frequentes entre estes centenários são a hipertensão, a diabetes tipo 2 e o colesterol elevado, explica Cristina Margusino, médica de família e presidente da associação de longevidade Ourensividad. A especialista acrescenta que também existe um número significativo de pessoas que atingiram estas idades sem desenvolver qualquer problema de saúde que exigisse tratamento.
Texto editado por Dulce Neto