7 de novembro de 2015, Liubliana. É quase hora de almoço. Na esplanada de um café na capital da Eslovénia, dois homens estão sentados à mesa. Para quem não suspeitasse de nada, podiam ser perfeitamente dois amigos. Mas a verdade é que aqueles dois homens não só estão a ser vigiados, como também estão a ser filmados. Ambos são espiões. Em poucas horas, duas imagens retiradas desse vídeo vão chegar a Lisboa, à sede do Serviço de Informações de Segurança. Será a confirmação de algo de que o SIS suspeitava há meses: há mesmo uma “toupeira” dentro das secretas portuguesas. E a pessoa que anda a passar informações para fora é mesmo o homem do qual os serviços já suspeitavam.
A investigação tinha começado já no início de 2015. Algo de estranho estava a acontecer. Operações que deveriam ser de pura rotina, de recolha de informação sobre figuras de interesse, começaram a não correr como seria normal. Os alvos não apareciam onde eram esperados. E havia um dado em comum: de uma forma ou de outra, todos tinham algum tipo de ligação à Rússia.
Se dúvidas existissem, em junho desse ano são os próprios serviços secretos americanos que dão a confirmação final. Uma funcionária da CIA viaja até Lisboa e é recebida no gabinete do diretor do SIS. Na pasta que transporta traz um papel, e nesse papel tem escrito o nome de um espião português que os americanos garantem que se encontrou várias vezes com agentes do SVR, a agência internacional dos serviços secretos russos. Há fortes suspeitas de que foi “virado”. O nome escrito no papel? Frederico Carvalhão Gil.
O então diretor do SIS, Neiva da Cruz, não fica totalmente surpreendido. Carvalhão Gil já estava na lista de potenciais suspeitos. E Neiva da Cruz sabe bem quem ele é. Afinal, Carvalhão Gil foi um dos primeiros funcionários a entrar para as secretas. Está no SIS desde 1987 e já exerceu altas responsabilidades nos serviços de informações. Quando chega a confirmação da CIA, está colocado como analista no departamento de contraterrorismo. Tem a pasta dos Balcãs e da Ásia Central e é ainda o representante do SIS nos exercícios de gestão de crises da NATO. Isso garante-lhe acesso direto a informação sensível sobre como os vários membros da organização militar respondem a eventos críticos. Informação que agora poderia estar a ser passada aos russos.
Quando o encontro da Eslovénia aconteceu, em novembro de 2015, Carvalhão Gil já estava a ser seguido há meses. Foi por isso que os portugueses pediram a colaboração das secretas eslovenas. Os dois fotogramas enviados para Lisboa identificavam claramente Carvalhão Gil, mas também permitiam identificar o homem que estava sentado com ele à mesa: Sergey Pozdnyakov, um oficial dos serviços de informações russos. Carvalhão Gil passou-lhe uma pen, e há fortes suspeitas de que continha informação sensível. O SIS tinha mesmo uma “toupeira”. E aquele era um ato de traição.
Uma investigação sensível
Quando olha para as imagens do encontro em Liubliana, Júlio Pereira, o secretário-geral do SIRP (Serviço de Informações da República Portuguesa) já sabe o que vai fazer de seguida. O responsável máximo das secretas portuguesas não quer abafar o caso, está decidido a levar esta traição até às últimas consequências e a tornar públicas as ações de um dos mais antigos funcionários dos serviços em Portugal.
Entra rapidamente em contacto com a então Procuradora-Geral da República. A 9 de novembro, dois dias depois da reunião entre os dois espiões em Liubliana, o responsável máximo das secretas está no gabinete de Joana Marques Vidal. Na sala está também o responsável do Serviço de Informações de Segurança, Neiva da Cruz, o ramo doméstico das secretas portuguesas. Os dois partilham com Marques Vidal a informação que acabam de receber e que, sublinham, é uma prova determinante de que Carvalhão Gil está a cometer crimes de espionagem e de violação do segredo de Estado.
Assim que o caso lhe é apresentado, a Procuradora-Geral da República pega no telefone e liga para o então diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Uma investigação tão sensível tem de ser entregue a uma equipa onde são trabalhados os processos mais complexos da justiça portuguesa. E assim, em poucos minutos, Amadeu Guerra junta-se ao grupo.
Em conjunto, definem a forma como aquele processo vai ser iniciado: com as informações que recebeu, e que compilou num documento que levou consigo para a reunião com Marques Vidal, Júlio Pereira vai escrever uma carta formal à PGR a solicitar a instauração de um inquérito. A denúncia segue logo a 10 de novembro para o diretor do DCIAP e aponta diretamente a Carvalhão Gil: “Serviço congénere informou o SIS de que, segundo fonte segura, em data não apurada, mas anterior a 2010, Carvalhão Gil terá sido recrutado por agentes do SVR (serviço externo da Federação Russa)”, refere a carta. Pelo menos desde 2010 que o espião do SIS estará em contacto com oficiais do SVR, e desde essa altura — cinco anos antes do encontro na Eslovénia — que os contactos ter-se-ão repetido um número de vezes não exatamente apurado. O então secretário-geral do SIRP diz que os serviços desconfiavam da existência de pelo menos cinco encontros e que o espião português “terá passado informação secreta a troco de dinheiro”.
A denúncia continua: entre as informações secretas que entregou aos russos, Carvalhão Gil também terá feito chegar imagens de outros espiões dos serviços portugueses que o próprio foi recolhendo, discretamente, com o seu telemóvel dentro do Forte da Ameixoeira, a sede do SIS.
Na prática, há duas suspeitas que pendem sobre Frederico Carvalhão Gil: a primeira é a de que possa ter exposto, nos contactos com o espião russo, outros espiões com quem se cruza todos os dias porque, ao enviar vídeos ou fotografias de outros funcionários dos serviços, poderá ter identificado — e colocado em risco — não só os próprios espiões como as suas fontes, os seus informadores e um sem número de operações; a outra suspeita é de que Carvalhão Gil se tenha aproveitado das informações a que foi tendo acesso como membro destacado do SIS em reuniões NATO para alimentar o interesse da Rússia nas operações da aliança atlântica.
O grande dilema que os serviços têm de gerir, a partir do momento em que essas suspeitas se consolidam, é como vão conseguir manter a “toupeira” distante de informações sensíveis sem que o próprio suspeite de que é alvo de uma das investigações mais complexas e sensíveis da justiça portuguesa nas últimas décadas. Essa é uma preocupação permanente, não só para a cúpula dos serviços secretos como para a própria PJ: o espião não pode ter a mínima suspeita de que está a ser vigiado. Não pode haver passos em falso.
O espião mais vigiado do país
O caso é entregue a uma equipa da Unidade Nacional de Contra Terrorismo da PJ. Manuela Santos, uma experiente inspetora daquela unidade, é a coordenadora da secção e Pedro Prata é inspetor chefe. Juntos, decidem passar o caso ao inspetor Pedro Camarinha. “Pelo seu longo percurso também tinha já dado provas mais que suficientes, que era a pessoa com o perfil adequado, que era um indivíduo muito meticuloso, muito rigoroso, discreto na sua atuação. E, portanto, achámos por bem que teria que ser ele a ficar com o processo”, explica Manuela Santos ao Observador.
Camarinha passa boa parte dos dias a trabalhar no caso, fechado numa sala da brigada de Contra Terrorismo da PJ. Os outros elementos da unidade percebem que aquela não é uma investigação qualquer e que o alvo só pode ser alguém de relevo. As medidas de segurança são claramente acima da média — a começar pela forma como o próprio processo é manuseado, sempre da mão de Pedro Prata para a dos dois procuradores do DCIAP, João Melo e Vítor Magalhães, e dali para a mão do juiz de instrução, Ivo Rosa. Mesmo as informações inseridas no sistema informático são bastante reduzidas e, ao longo de vários meses, o nome de Frederico Carvalhão Gil é gerido com cautela, não é passado para suporte informático. Todas as medidas de segurança são tomadas para garantir o segredo da operação.
Manuela Santos recorda como todo aquele sigilo gerou atenção na unidade. “Há processos assim, que são mais discretos, mais sigilosos. E a brigada não tinha que estar a par daquela situação. Claro que suscitou muita curiosidade. Mas as pessoas perceberam. Foi-lhes explicado. Não era uma questão de desconfiar de ninguém. Era uma questão de princípio. Tinha que ser assim e, portanto, durante meses as pessoas andaram ali a pensar o que seria, com especulações, qual seria a matéria? Mas nunca ninguém acabou por saber de nada.”
Ao mesmo tempo, Frederico Carvalhão Gil torna-se um dos homens mais vigiados do país. São designadas equipas para vigiar de perto os passos do espião, sempre com a convicção de que vai voltar a encontrar-se com o controlador russo. E a PJ monta também um sistema de escutas que chega a intercetar as comunicações de quatro números de telemóvel diferentes que o espião vai usando. É numa dessas escutas que o inspetor Pedro Camarinha se apercebe de que o espião vai viajar para o estrangeiro quando nada o fazia prever. E é também nessa vigilância que os inspetores vão tendo maior noção da vida paralela que Frederico Carvalhão Gil leva.
As mulheres na vida do espião
Quando a investigação arranca, em novembro de 2015, Carvalhão Gil vai no seu segundo casamento. Aos 56 anos, vive com a mãe num apartamento na zona do Lumiar, em Lisboa, e a mulher, natural da Geórgia, está no país de origem, onde passa a maior parte do ano. Aliás, nos meses em que decorre a investigação, a mulher só vem a Lisboa uma vez, pela altura do Natal, e apenas por meia dúzia de dias.
Foi com ela, tradutora de profissão, que aprendeu as primeiras palavras em russo e que, com o tempo, se foi tornando um pouco mais fluente na língua. Mas há algum tempo que Elza decidiu voltar para a Geórgia. Segundo irá contar mais tarde o próprio espião, a companheira decidiu regressar a casa para acompanhar mais de perto os pais, já idosos.
Carvalhão Gil ficou por Lisboa e continua a trabalhar nos serviços. Mas a georgiana está longe de ser a única mulher na sua vida. Nas operações de vigilância que vão fazendo ao longo das primeiras semanas, os inspetores ficam a conhecer a rotina que o espião mantém quando não está a trabalhar no Forte da Ameixoeira, a sede do SIS: Carvalhão Gil era um membro ativo da comunidade maçónica lisboeta e participava regularmente em encontros no templo do Bairro Alto. Além disso, numa outra faceta que surpreende os inspetores, é visto a frequentar a um ritmo quase diário vários bares da cidade de Lisboa, mas também bares de alterne e de striptease. Foi num desses espaços — no Bar Vip, a poucas centenas de metros do Marquês de Pombal — que conheceu Natalia.
A mulher, natural da Rússia, é muito mais que uma conhecida da noite para Carvalhão Gil. O espião vai mesmo confessar que se imagina, um dia, a construir uma relação mais séria com Natália. Confissão que faz a Tatiana, mais uma mulher na vida do homem do SIS. Também ela é russa. E também ela mantém uma relação de proximidade com Carvalhão Gil. Conhecem-se há muitos anos, quase há uma década. Tatiana vive numa outra casa que também está em nome do espião e fica no Cacém, um subúrbio de Lisboa. Não paga um cêntimo pelo quarto que ocupa naquele apartamento onde, de resto, passa a maior parte do tempo sozinha.
Há outro dado da vida de Carvalhão Gil que prende a atenção da equipa da PJ: o tipo de movimentos nas contas bancárias. Na análise ao histórico do espião, os inspetores detetam uma clivagem clara, uma mudança de comportamento. É como se houvesse um antes e um depois de 2011.
“No nosso quotidiano, deixamos sempre uma pegada digital. Sejam portagens de via verde, seja a localização do telemóvel, sejam pagamentos, seja tudo e mais alguma coisa”, explica Pedro Prata, o inspetor chefe da UNCT e um dos poucos elementos com acesso à investigação. “Fomos a todas essas referências — desde os movimentos financeiros, os meios de comunicação, as viaturas, os contratos — para tentar perceber o que é que esta pessoa tinha feito e onde é que ela poderia ter prevaricado, onde é que poderia haver falhas relativamente ao quotidiano, que é normal para qualquer pessoa. Então, andámos à procura de movimentos financeiros estranhos”, detalha o inspetor.
Finalmente, a equipa encontrou o que procurava. “Detetámos que, de facto, havia um padrão de dificuldades económicas até 2011 e que deixaram de existir. Aqui com um adicional, que foi o seguinte: ele praticamente deixou de movimentar as contas bancárias. Quem tem dinheiro vivo na mão, não vai à conta bancária. Gasta o dinheiro que tem. E, portanto, detetámos este tipo de padrões”, recorda Pedro Prata.
A análise das contas reforça as suspeitas de que uma das motivações para o espião se ter vendido aos russos pode estar relacionada com as dificuldades financeiras que começou a sentir numa fase da sua vida. A troco de dinheiro, teria aceitado vender informações à Rússia.
Os extratos bancários do espião mostram que, entre 2010 e 2015, entraram quase 73 mil euros em duas das contas em nome de Carvalhão Gil. E não havia uma explicação oficial para aqueles valores. É dinheiro fantasma, que não deixa rasto. O ritmo de entrada não foi constante. Mas há um pico em 2014 — precisamente o ano em que o espião português acabaria por admitir ter conhecido Sergey Pozdnyakov. Só nessa altura, entraram mais de 17 mil euros numa das contas. E 12 mil euros na outra. De resto, todos os meses era depositado dinheiro vivo nas contas do espião. Dinheiro que entrava — mas não saía, a não ser para pagamentos regulares como a renda, a luz, água, internet. Se pagava as contas do dia a dia — e os inspetores sabiam que Carvalhão levava uma vida dupla que o obrigava a gastos avultados quase todos os dias — então esse dinheiro tinha de vir de outro lado.
A “armadilha” que a CIA quis montar ao espião português
A investigação dura há cerca de quatro meses. Apesar de já conhecerem as rotinas do espião quando não está no Forte da Ameixoeira, a verdade é que o caso não tem tido avanços significativos. É verdade que a PJ e o Ministério Público continuam convencidos de que é só uma questão de tempo até Carvalhão Gil voltar a encontrar-se com o seu controlador russo. Mas, até agora, não há qualquer sinal concreto de que isso vá mesmo acontecer.
É por essa altura que os procuradores do DCIAP e a equipa da PJ são contactados com uma proposta para irem até aos Estados Unidos. A sugestão vem diretamente das secretas norte-americanas, a CIA. E há uma razão para isso: é que, se Carvalhão Gil está a passar informações aos russos do SVR, então isso não é apenas um problema para Lisboa — é uma preocupação para toda a estrutura NATO.
Em Langley, na sede da CIA, os procuradores João Melo e Vítor Magalhães, a inspetora Manuela Santos e um responsável do SIS reúnem-se com funcionários da agência norte-americana. Na reunião participam também membros do FBI. E, então, o plano dos americanos é finalmente revelado: a CIA quer avançar com uma ação encoberta. Quer criar um perfil falso, de um suposto cidadão russo, abordar Carvalhão Gil online, fazer uma aproximação calculada ao espião português. E ver se cai na armadilha. Quer usar aquilo que na linguagem jurídica se chama um “agente provocador”.
Só que há um problema: a legislação portuguesa proíbe que isso seja feito, ninguém pode ser levado pelas autoridades a cometer um crime. A resposta é taxativa: a proposta das secretas norte-americanas está fora de questão. E os portugueses insistem: Carvalhão Gil vai voltar a encontrar-se com o controlador russo.
A Operação “Top Secret”
Maio de 2026. A investigação percebe que Carvalhão Gil está prestes a fazer uma nova viagem ao estrangeiro. Desta vez, para Roma. O sentimento que percorre os inspetores é o de que o momento está finalmente a chegar — vão apanhar o homem do SIS em flagrante.
Numa autêntica corrida contra o tempo, a PJ sugere — e o Ministério Público valida — que sejam emitidas cartas rogatórias e mandados de detenção, quer em nome de Carvalhão quer em nome do espião russo, Sergey Pozdnyakov. São também compradas passagens para três inspetores da PJ que vão voar, na mesma sexta-feira, mas algumas horas mais cedo, para Itália. E multiplicam-se os contactos entre portugueses e italianos para preparar a operação naquele país.
Na manhã de sábado, 21 de maio, há cerca de duas dezenas de inspetores no terreno, divididos em equipas de dois elementos cada. Além dos três portugueses — Pedro Prata, Pedro Camarinha e Sylvie Dias — há quase 20 inspetores italianos destacados. Em comum, têm uma missão: nunca perder o espião de vista. E, se tudo correr como esperado, prendê-lo e ao espião russo quando os dois se encontrarem na capital italiana. Está em curso a operação “Top Secret”, que é retratada no Episódio 4 do novo Podcast Plus do Observador, “Perseguição em Roma”.
É quase hora de almoço. Carvalhão Gil passou as últimas duas horas a passear-se por Roma, aparentemente sem destino concreto. Saiu do hotel na manhã daquele sábado de maio, por volta das 10h30, apanhou o metro junto à estação de Termini, e depois vagueou por algumas das principais avenidas de Trastevere, uma das zonas turísticas da capital italiana. Até que, subitamente, o espião do Serviço de Informações e Segurança (SIS) atravessou a rua e dirigiu-se a um homem que o esperava em pé, no passeio. Trocaram um cumprimento rápido e seguiram juntos até um café ali perto.
Sentam-se, pedem uma cerveja e alguns aperitivos. As equipas de vigilância assistem a tudo o que acontece a poucas dezenas de metros. Em dois momentos, alguns inspetores aproximam-se. Uma inspetora entra mesmo no café e grava alguns segundos da conversa entre os dois espiões.
Passaram menos de 20 minutos desde que os dois homens ali chegaram. Os italianos mostram-se cada vez mais tensos. Receiam que a operação seja desmascarada e que o sucesso fique comprometido. Pedro Prata, um dos três inspetores da PJ em Roma, segura-os mais uns minutos. Depois, assistem todos a um momento fundamental: Carvalhão Gil escreve algumas palavras numa folha e entrega-a de seguida a Pozdnyakov. Por seu lado, o espião russo pega num envelope e entrega-o ao homem do SIS.
É hora de avançar. A operação é dos italianos, mas Prata é quem dá a luz verde. Está na hora, podem prender os dois espiões.
Depois da detenção, os inspetores encontraram na bolsa de Pozdnyakov uma folha manuscrita com vários nomes de elementos atuais e antigos dos serviços de informações portugueses. O russo também tinha guardado uma folha, uma espécie de recibo, assinado pelo espião português. Na mochila de Carvalhão Gil, encontraram um envelope com 10 mil euros — o dinheiro recebido em troca do recibo – e vários documentos classificados.
Era precisamente a prova que a PJ esperava encontrar. É a prova que, em tribunal, vai servir de base a uma condenação histórica na justiça portuguesa: a 18 de fevereiro de 2018, quase dois anos depois de ser detido em Itália, o espião do SIS foi condenado a sete anos e quatro meses de prisão pelos crimes de espionagem e corrupção passiva para ato ilícito. Foi a primeira condenação do género desde que as secretas foram criadas em Portugal, no final da década de 1980.