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(A) :: Não há dia de descanso quando Tim quer ser o mais especial: Merlier vence sprint caótico e chega à terceira vitória (igualando Pogacar)

Não há dia de descanso quando Tim quer ser o mais especial: Merlier vence sprint caótico e chega à terceira vitória (igualando Pogacar)

Com Mourinho a assistir pela televisão, voltou a haver espectáculo num dia teoricamente mais acessível. Depois de Philipsen ter furado, corrida partiu-se e foi atacada até ao fim. Merlier fez o tri.

Tiago Gama Alexandre
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Em França também há vikings a mostrar como chegar ao topo do mundo. Numa altura em que muito se fala da prestação da Noruega no desporto, em particular no Campeonato do Mundo de futebol, os nórdicos mostram que também têm uma palavra a dizer no ciclismo. Na quarta-feira, já depois de Torstein Traen ter vestido a camisola amarela no final das etapas 4 e 5, Soren Waerenskjold deu ainda mais cor a um primeiro ano de sonho da Uno-X Mobility no WorldTour e venceu com um surpreendente ataque no final de um dia talhado para os sprinters. Essa foi a segunda vitória da equipa norueguesa na Volta a França, depois de Jonas Abrahamsen ter vencido no Tour de 2025, igualmente ao 11.º dia de competição. Destaque ainda para a velocidade, já que a etapa de quarta-feira se tornou a mais rápida de sempre da história do Tour de France (50,91 km/h). Para isso contribuiu Nelson Oliveira (Movistar), que andou mais de 140 quilómetros em fuga.

https://observador.pt/2026/07/15/quando-o-foguete-de-anadia-se-solta-os-vikings-mostram-como-contar-a-historia-waerenskjold-vence-etapa-mais-rapida-da-historia-do-tour/

“O melhor é tentar aproveitar cada dia e não pensar muito. Vivo um dia de cada vez, a desfrutar do que vier. Quanto aos recordes, depois veremos. Não há segredos. Temos que continuar a lutar. Estamos a fazer tudo o que podemos para estar, de alguma forma, envolvidos nas etapas. Estamos a mostrar que a equipa está bastante unida e tentamos estar presentes nas fugas. Há equipas que querem vencer as etapas e não permitem que as fugas se concretizem. Mas estamos motivados. Depois de o Cian [Uijtdebroeks] ter abandonado, continuámos a lutar. Queremos estar nas fugas porque, obviamente, é a nossa oportunidade de lutar por uma vitória de etapa. Mas as fugas precisam de acontecer. Vamos continuar a tentar porque ainda há um longo caminho a percorrer no Tour”, assumiu o português nascido em Anadia em entrevista à Marca. Oliveira, que leva 24 Grandes Voltas completas de forma consecutiva, finalizou esta quinta-feira uma etapa pela 473.ª ocasião.

“Foi uma etapa realmente rápida. Não foi fácil, mas pelo menos foi curta. Hoje [quarta-feira] foi tudo sobre manter a segurança. Tive um momento em que bati com a roda da frente num bidão e quase caí. Realmente assustei-me, vi-me no chão, mas, felizmente, consegui manter o guiador firme e tudo deu certo no final. É bom ter dias como este, mas precisas de estar focado em todas as partes da estrada. Aumento de velocidade? Não sei… os ciclistas começam a acreditar que estas etapas podem ir para a fuga e procuram a vitória. Como já vimos, isso é possível. Os ciclistas fortes querem ir para a fuga. Há sempre bons e fortes ciclistas na fuga, por isso andamos mais rápido, porque os outros precisam de alcançá-los. Hoje houve vento a favor o dia todo, o que obviamente ajuda bastante”, explicou o líder Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) no final do dia.

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Esta quinta-feira estava reservado mais um dia tranquilo e presumivelmente disputado pelos sprinters, que contou com um espectador especial: José Mourinho, ainda que à distância. A partida aconteceu no Circuito de Nevers Magny-Cours, localizado no coração de França, a 250 quilómetros de Paris, junto ao Vale do Loire. O traçado atual tem 4.411 quilómetros de asfalto e permanece intocável desde 2003, já depois de ter começado como um circuito para karts — na altura com apenas 510 metros — e de se ter transformado num circuito de Fórmula 1, recebendo uma etapa do Paris-Nice em 2014. Depois, havia que percorrer quase 180 quilómetros até Chalon-sur-Saône, num percurso com 1.800 metros de desnível acumulado, com destaque para as três contagens de quarta categoria.

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O calor voltou a fazer-se sentir, permanecendo acima dos 35°C na segunda fase da tirada, que voltou a ser atacada desde cedo, embora Baptiste Veistroffer (Lotto Intermarché) tenha sido o único resistente até ao sprint intermédio, que contou com mais um primeiro lugar do pelotão para Mads Pedersen (Lidl-Trek), com alguma polémica, por conta de ter fechado Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech) junto às barreiras, sem direito a desclassificação depois de vários minutos de análise. A partir daí, Damiano Caruso (Bahrain-Victorious), Ewen Costiou (Groupama-FDJ United) e Mattéo Vercher (TotalEnergies) juntaram-se ao francês na frente, mas o italiano que está em fim de carreira e Vercher viriam a ser alcançados a 58 quilómetros da meta. Nessa altura, Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) sofreu um furo e teve de trocar de bicicleta, voltando ao pelotão alguns quilómetros depois com o apoio de Victor Campenaerts e Edoardo Affini.

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Veistroffer isolou-se à entrada para os últimos 50 quilómetros, arrancando em busca da conquista de mais um prémio da combatividade, o seu terceiro em 12 etapas, aos quais se junta o prémio de melhor colega de equipa da primeira semana. A 37 quilómetros de Chalon-sur-Saône foi a vez de Philipsen furar, igualmente sem percalços. Na penúltima subida, no caso não categorizada, Quinn Simmons (Lidl) tentou selecionar a corrida e atacou antes de o belga regressar ao pelotão — chegando até a cumprimentar o pai. O grupo ficou com bastantes cortes, Veistroffer foi alcançado, o sprinter da Lidl voltou ao grupo quando este já estava reagrupado e na frente ficou uma nova fuga com 14 elementos, com destaque para Mathias Vacek (Lidl), Filippo Ganna (Netcompany Ineos) e Mauro Schmid (Jayco AlUla). A iniciativa terminou a 24 quilómetros da meta, mas a Lidl voltou a contra-atacar, com Mattias Skjelmose.

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Na Côte de Montagny-lès-Buxy, os ataques continuaram, Ganna furou e foi obrigado a mudar de bicicleta e até Pedersen assumiu a dianteira numa fase final que continuou bastante atacada. Depois de mais dois ataques do líder da classificação dos pontos, Max Walker (EF Education-EasyPost) voltou à carga, mas a XDS Astana assumiu o comando do pelotão. A entrada no último quilómetro foi feita com a Alpecin na frente, mas uma queda de Fernando Gaviria (Caja Rural-Seguros RGA) depois de um toque de Olav Kooij (Decathlon CMA CGM), que atirou ao chão Jenno Berckmoes (Lotto), Dorian Godon (Netcompany) e mais uma série de corredores, partiu o pelotão. Na frente ficaram os mais rápidos, com Tim Merlier (Soudal Quick-Step) a mostrar que é o melhor sprinter deste Tour. O belga chegou à terceira vitória — igualou Pogacar — à frente de Kooij e Philipsen, anotando ainda o 75.º triunfo da carreira. Esta etapa voltou a ser corrida a alta velocidade (49,095 km/h) e entrou para o oitavo lugar na lista das mais rápidas de sempre.

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Na geral continua tudo na mesma, com Tadej Pogacar a chegar a mais uma etapa de montanha com 3.36 minutos de vantagem para Jonas Vingegaard e 4.06 face a Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe). Nos pontos também não houve alterações nos sete primeiros, embora Merlier se tenha aproximado de Pedersen e colocado os quatro primeiros separados por 50 pontos. O dinamarquês lidera com 357, segue-se Biniam Girmay (NSN) com 317, ao passo que Philipsen completa o pódio com 311, mais quatro que o compatriota.

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