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O general contra o jovem ministro. A guerra interna na Ucrânia que levou ao "pior erro de Zelensky" e a várias manifestações

Pressionado por militares, Zelensky demite popular ministro da Defesa e enfrenta um dilema entre inovação e pragmatismo sobre futuro da guerra. Ucranianos saíram às ruas para contestar a decisão.

José Carlos Duarte
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“Syrsky é o diabo”, “tirem as mãos de Fedorov” e “parem de sabotar a vitória”. Esta quinta-feira, em várias cidades ucranianas, milhares de pessoas saíram às ruas para contestar a demissão do ministro da Defesa, o jovem e altamente popular Mykhailo Fedorov. O membro do Governo foi afastado pelo Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no âmbito de uma remodelação mais profunda no Governo. Mas muitos manifestantes não acreditam que foi uma mudança inocente: defendem que o jovem ministro foi afastado pelo influente e experiente Olexandr Syrsky, comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia.

Antigo ministro da Transformação Digital, Mykhailo Fedorov converteu-se no rosto da modernização das táticas usadas no conflito contra a Rússia. Sob a sua iniciativa, o ex-governante de 35 anos levou a guerra para dentro das fronteiras russas, desde a Crimeia até às refinarias em redor de Moscovo. Neste momento, a Ucrânia atravessa um bom momento no rumo do conflito e tem criado várias dores de cabeça ao Kremlin. É este contexto positivo que leva muitos a questionar o motivo pelo qual Volodymyr Zelensky afastou Mykhailo Fedorov.

O soldado ucraniano Oleksandr contou à BBC que este foi o “pior erro que Zelensky cometeu em todo o seu mandato”. Nos protestos em Kiev, a manifestante Maria Lavrynets disse ao mesmo canal de televisão que a população vê que a estratégia de Mykhailo Fedorov tem “dado resultados”: “Vemos a motivação na cara dos soldados”. Para muitos na Ucrânia, o Presidente ucraniano escolheu o lado da cúpula militar e de Oleksandr Syrsky, um general que tanto é respeitado pelos sucessos militares como é bastante contestado internamente.

Mykhailo Fedorov não ficou em silêncio após a sua demissão. Em vez disso, organizou esta quinta-feira uma conferência de imprensa em que fez duros ataques a Oleksandr Syrsky. “Ao invés de tentar descobrir como derrotar a Rússia de forma assimétrica, descobriu como dividir o país. É um grande problema”, afirmou, reconhecendo que os dois tinham uma visão estratégica muito diferente. O general prefere apostar na guerra de atrito convencional na linha da frente, enquanto o antigo ministro aposta em estratégias disruptivas.

Para os ucranianos presentes nas manifestações, a estratégia de Mykhailo Fedorov é a que o país deve seguir. Neste conflito público, o ex-ministro foi benevolente com Volodymyr Zelensky. “Ele nunca me desapontou”, salientou, deixando um desejo na conferência de imprensa: “Tomamos sempre uma boa decisão após tomarmos todas as erradas. Estou confiante que o Presidente ouve o povo ucraniano, sabe o que precisa de ser feito e esta situação é corrigida”.

Por sua vez, Volodymyr Zelensky já veio garantir que queria que o seu antigo ministro da Defesa continuasse na sua equipa, mesmo que saísse do Governo. Aliás, foi o Presidente ucraniano que sempre apostou politicamente em Mykhailo Fedorov. No entanto, já escolheu o seu substituto interino, que transita do cargo de chefe das secretas ucranianas: Yevhen Khmara.

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Ambição vs. pragmatismo. As visões contraditórias da guerra que levaram à demissão de Fedorov

Os rumores de que Mykhailo Fedorov seria demitido já tinham circulado há dias. Mas só nesta quarta-feira é que o Presidente ucraniano decidiu afastá-lo, no dia em que houve, segundo o ex-ministro, uma “conversa cordial” entre os dois. “Ele ofereceu-me o cargo de conselheiro ou tentou encontrar outra forma de eu me manter na equipa. Rejeitei o cargo de conselheiro. O meu objetivo nunca foi tornar-me ministro, permanecer como ministro ou procurar posições governamentais.”

O antigo ministro assegura que se move por ideologia e pela crença inabalável de que a Ucrânia deve derrotar a Rússia. Mas não é só isso. Nascido em 1991, Mykhailo Fedorov representa a nova geração de ucranianos, que nunca viveu ou não tem quase memórias dos tempos da União Soviética. Cresceram na Ucrânia independente e têm uma perspetiva distinta da das gerações mais antigas: a de que o país deve romper totalmente com a Rússia, fugindo quer da sua zona de influência, quer dos seus métodos.

“Os ucranianos têm todas as ferramentas de que precisam para parar o inimigo. Nós não nos devemos tornar nos russos. Temos de mudar a nossa abordagem e dizer a verdade”, declarou Mykhailo Fedorov esta quinta-feira. Dito de outro modo, o antigo ministro acredita que o futuro da Ucrânia deve primar pela inovação e disrupção, até nos campos de batalha. O ex-ministro colocou isso em prática ao apostar em drones e equipamentos que não requerem humanos na linha da frente.

"Os ucranianos têm todas as ferramentas de que precisam para parar o inimigo. Nós não nos devemos tornar como os russos. Temos de mudar a nossa abordagem e dizer a verdade."
Mykhailo Fedorov, antigo ministro da Defesa da Ucrânia

Em sentido inverso, a Rússia mantém a mesma estratégia no campo de batalha: uma guerra de atrito longa e de desgaste no Donbass, que faz lembrar os conflitos do século XX. No Kremlin, sabe-se que o país terá sempre uma vantagem importante face a Kiev: pode recrutar mais homens. A Ucrânia não. O país atravessa uma forte crise no recrutamento de militares. De modo a colmatar esta inferioridade, Mykhailo Fedorov vê nos drones e na tecnologia de ponta a solução ideal.

Nascido em 1965 na província russa de Vladimir e com os pais ainda a viver no país vizinho, Oleksandr Syrskyi estudou na Escola Superior de Comando de Armas Combinadas de Moscovo — a célebre Academia Militar soviética. Fez depois o percurso tradicional no Exército Vermelho. Tendo em conta estes antecedentes, não é surpreendente que o comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas tenha bebido da doutrina militar soviética. Isso é uma vantagem: conhece bem as táticas que a Rússia usa no campo de batalha. Mas também pode ser um problema: a sua estratégia pode acabar por ser demasiado idêntica à russa.

Numa publicação nas redes sociais para comentar a demissão de Mykhailo Fedorov, Oleksandr Syrskyi jogou a cartada da experiência. “Estou orgulhoso de que, graças à operação defensiva de Kiev em 2022, fomos capazes de defender a nossa capital. E agora nesta cidade pode haver discussões, visões distintas e decisões podem ser feitas”, realçou o general, lembrando o papel que desempenhou ao comandar o fim da ofensiva russa contra a capital há quatro anos.

“Farei o meu melhor para garantir que eventos semelhantes podem acontecer numa Ucrânia livre e independente”, assinalou o chefe das Forças Armadas ucranianas, deixando depois o que parece ser uma farpa ao ex-ministro: “Para isso, precisamos de nos concentrar na guerra e numa estratégia eficaz que agora está a demonstrar resultados concretos”. “Agradeço a Mykhailo Fedorov pela sua contribuição como ministro da Defesa da Ucrânia. Desejo-lhe que continue a fazer parte da equipa ucraniana.”

Para Oleksandr Syrskyi não há dúvidas: a sua estratégia, que teve sucesso no passado, deve continuar a ser replicada no campo de batalha. O comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia tem insistido com a liderança política numa medida em particular: o recrutamento de mais homens para a linha da frente, a par de uma reforma profunda do processo de mobilização. E nunca escondeu que considerava as ações de Mykhailo Fedorov demasiado brandas no que respeita a este assunto.

Este terá sido o grande motivo de desentendimento entre o ministro de 35 anos e o general que passou pela Academia Militar soviética. As Forças Armadas ucranianas não estavam nada satisfeitas com a forma como Mykhailo Fedorov olhava para a situação, criticando as medidas pouco agressivas que não enchiam as fileiras das tropas ucranianas. Ao mesmo tempo, Oleksandr Syrskyi sentia que os investimentos em armamento pesado estavam a ser preteridos pelo Ministério da Defesa a favor de drones e equipamentos modernos.

Um deputado contou ao Ukrainska Pravda que, após a reunião desta quarta-feira em que Mykhailo Fedorov foi demitido, Volodymyr Zelensky chegou à conclusão de que o ministro e as Forças Armadas “viviam em mundos diferentes”: “O Mykhailo quer digitalizar tudo e construir o sistema em redor da tecnologia. As Forças Armadas simplesmente querem ser ouvidas. Elas pedem um determinado tipo de armas, [o ministro] recusa e providencia os fundos a outras áreas. Eles simplesmente pararam de se ouvir.”

Sobre o recrutamento, por exemplo, na conferência de imprensa desta quinta-feira Mykhailo Fedorov recusou as críticas dos chefes militares. “É impossível resolver a questão da mobilização sem um novo contrato social e sem mudanças reais nas Forças Armadas. Os ucranianos sabem ser responsáveis. Os ucranianos não precisam de ninguém a agitar um pau e a forçá-los a ir para a linha da frente por dez a quinze dias sob ameaças de drones. Os ucranianos tomam as suas próprias decisões, arriscam e entendem o que estão a fazer. Sentam-se nas trincheiras sabendo que estão a fazer isso pelas suas famílias.”

Os jovens que estão a lutar nas trincheiras “merecem respeito e contratos dignos”, assim como “bons líderes que os ouçam, serviços sociais a que possam acorrer e muitas outras coisas que devemos introduzir ao construir soluções sistémicas”. Para os manifestantes que ocuparam as ruas de várias cidades ucranianas esta quinta-feira, Mykhailo Fedorov procurava trazer dignidade e respeito pelos militares. Para a cúpula militar que gere a situação na linha da frente, estas exigências são vistas como totalmente irrealistas — especialmente quando paira no ar a possibilidade de a Rússia avançar com uma mobilização total em meados de setembro.

“Zelensky disse [a Fedorov] que, se Putin anunciar uma mobilização geral a 23 de setembro, ninguém vai estar a pensar sobre reformas digitais”, confidenciou um deputado ao Ukrainska Pravda. Para o Presidente ucraniano, o processo de recrutamento precisa de uma reforma urgente antes do início do outono, mas a visão das Forças Armadas e a do ex-ministro da Defesa colidem de frente.

Acima de tudo, Mykhailo Fedorov ambicionava alterar totalmente o paradigma das Forças Armadas ucranianas, mas embateu contra uma estrutura rígida e pragmática que privilegia a rotina e métodos mais convencionais. “A guerra mudou totalmente”, acredita, por sua vez, o ex-ministro, acrescentando: “A tecnologia de drones está a evoluir a cada mês. O sistema de controlo e comando mudou e precisamos mudar com ele. Não podemos continuar a fazer as coisas como fazíamos antes”.

Na mesma medida, as perceções do atual momento são distintas. O antigo ministro da Defesa tem sido o principal defensor da guerra tecnológica e tem recebido vários louros pelos sucessos militares, dando a impressão de que a guerra está num “ponto de viragem” e de que a Ucrânia está a sair-se melhor do que a Rússia. Isso tem alimentado alguma esperança entre os ucranianos, exaustos após quatro anos e meio de combates, e até entre os parceiros ocidentais.

Em contrapartida, Oleksandr Syrskyi recusa que esse “ponto de viragem” tenha chegado. Na semana passada, alertou que a Rússia “não abandonou os planos para a ocupação total das regiões de Lugansk e Donetsk”. “Parece expandir as suas operações ofensivas nas regiões de Dnipropetrovsk e de Zaporíjia, assim como deseja criar e alargar uma zona tampão nas regiões mais a norte da Ucrânia”, advertiu. Este discurso impregnado de realismo serve como um autêntico balde de água fria para o otimismo de Mykhailo Fedorov.

Zelensky foi obrigado a escolher entre um protegido político e as Forças Armadas — e pode demitir os dois

Tendo em conta a distância a que se encontram, nenhum dos dois parecia capaz de chegar a um consenso. As divergências ideológicas e operacionais atingiram um ponto em que Oleksandr Syrskyi terá exigido ao chefe de Estado ucraniano a demissão do ministro da Defesa. Volodymyr Zelensky ainda resistiu a afastar o seu protegido político, mas não conseguiu suster a pressão do alto-comando militar, onde outras vozes de peso demonstravam um desconforto crescente com a gestão de Mykhailo Fedorov.

Os dois homens já se conhecem desde 2019, quando Volodymyr Zelensky contratou o jovem Mykhailo Fedorov, que tinha fundado uma inovadora empresa de campanhas publicitárias nas redes sociais. Escolheu-o para gerir a estratégia digital no Facebook, Twitter e Instagram da sua campanha durante as eleições presidenciais de há sete anos. Desde aí, o Presidente ucraniano nunca mais abandonou o ambicioso jovem de ideias disruptivas. Após vencer as eleições, Fedorov foi nomeado ministro da Transformação Digital da Ucrânia, com o objetivo de “colocar o Estado num smartphone“.

Volodymyr Zelensky sempre pareceu nutrir uma elevada estima pessoal por Mykhailo Fedorov, que lhe retribuía com uma lealdade inabalável. Afinal de contas, ambos partilham um perfil político muito semelhante: destacam-se pela comunicação, compreendem o potencial das tecnologias digitais, são oradores eficazes, otimistas por natureza e movidos pela inovação. Não seguem a doutrina soviética e são o rosto de uma Ucrânia virada para o Ocidente.

Pressionado por uma estrutura hierarquizada que se sente incompreendida pelo ministro, Volodymyr Zelensky teve de tomar uma difícil decisão enquanto comandante supremo das Forças Armadas ucranianas: ou prolongava um braço de ferro com as altas patentes militares, ou afastava o ministro que colocou a liderar o Ministério da Defesa. Apesar de não ter fechado a porta a reintegrar Mykhailo Fedorov no Governo, o Presidente da Ucrânia optou por demitir o jovem que contratara em 2019.

Esta quarta-feira, segundo conta ao Ukrainska Pravda um deputado do partido do Presidente que assistiu à reunião, “foi muito difícil” para o Presidente ucraniano “falar sobre esse assunto” com Mykhailo Fedorov. “Por cerca de dez minutos, ele lutou para encontrar as palavras, escolher as frases para tentar explicar a sua decisão. Parecia racional, mas era claro que demitir Fedorov foi um passo extremamente difícil para ele.”

"Eu gostaria muito de ver união. Os dois lados não o encontraram. O problema aqui não é apenas com eles, mas também comigo. Não me estou a retirar essa responsabilidade."
Volodymyr Zelensky, Presidente ucraniano

O Presidente ucraniano admitiu publicamente, que “durante tempos de guerra”, não “devia ter de escolher” entre agradar a uma fação ou a outra. “Eu gostaria muito de ver união. Os dois lados não o encontraram. O problema aqui não é apenas com eles, mas também comigo. Não me estou a retirar dessa responsabilidade”, afirmou Volodymyr Zelensky esta quinta-feira, sentenciando: “As coisas são como são. E nesta situação, há uma escolha: ou um lado ou outro”.

Na conferênca de imprensa, Mykhailo Fedorov inocentou o Presidente ucraniano da decisão, garantindo que não está zangado com ele. No entanto, o antigo ministro culpou quem o aconselha: “Quando 90% das pessoas que o aconselham encontram problemas com o nosso trabalho no Ministério da Defesa, é provavelmente difícil para ele — quer como pessoa, quer como dirigente — analisar tudo isto e tomar as decisões corretas”.

Segundo avança a imprensa ucraniana, Volodymyr Zelensky também poderá afastar Oleksandr Syrskyi do cargo da liderança das Forças Armadas ucranianas, ainda que estes rumores não tenham sido confirmados. Seria uma forma de aliviar a tensão que surgiu pela demissão de Mykhailo Fedorov e travar as manifestações. Para já, o Presidente ucraniano somente escolheu Yevhen Khmara para liderar o Ministério da Defesa, que antes chefiava o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), isto é, as secretas ucranianas.

No X, o líder ucraniano deu a entender que deverá prosseguir muitas das estratégias do antigo ministro da Defesa, salientando que Yevhen Khmara também tem uma “experiência sem precedentes em operações de combate tecnológicas”. Ao mesmo tempo, procurou tranquilizar as Forças Armadas, assegurando que todos os “programas ativos destinados a fortalecer as Forças de Defesa vão continuar — desde fundos diretos para brigadas de combate à distribuição justa de materiais entre brigadas, incluindo veículos terrestres não tripulados e todos os tipos de drones”.

A remodelação mais profunda do Governo ucraniano

O Ministério da Defesa não foi o único a sofrer remodelações. O restante Executivo também foi renovado. O Presidente ucraniano conjeturou colocar Ihor Klymenko, ministro da Administração Interna, na tutela da Defesa. Muitos ucranianos criticaram essa escolha e Volodymyr Zelensky optou por uma solução menos óbvia: foi às secretas buscar Yevhen Khmara.

A mudança mais considerável foi a substituição da primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, que nem sequer cumpriu um ano no cargo. A chefe do Executivo deverá ser nomeada embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos da América, pelas boas relações que sempre manteve com os rostos da administração Trump. A mulher que ocupa o cargo em Washington D.C. atualmente, Olga Stefanishyna, deverá ser afastada, após ter sido aberta uma investigação contra ela na Ucrânia, antes de ter enveredado pela carreira diplomática.

À Deutsche Welle, Ihor Reiterovych, professor na Universidade Nacional Taras Shevchenko em Kiev, explica que os norte-americanos “possivelmente” não viam com bons olhos que a embaixadora ucraniana pudesse estar envolvida num escândalo de corrupção. “É por isso que Zelensky tinha de agir. Svyrydenko era uma boa candidata; cooperou bom no acordo de terras-raras com os norte-americanos e estabeleceu contactos. Os norte-americanos estão dispostos a trabalhar com pessoas com quem já trabalharam”.

Para substituir a primeira-ministra, Volodymyr Zelensky optou por Serhii Koretskyi, antigo diretor-executivo da Ukrnafta — a maior produtora de petróleo da Ucrânia — que tem experiência em cargos de liderança no setor energético. O objetivo do chefe de Estado é que o chefe de Governo prepare a Ucrânia para o inverno e para as consequências que os ataques russos poderão ter na rede elétrica ucraniana.

Esta quinta-feira, os deputados no Parlamento aprovaram a escolha de Serhii Koretskyi, que, no primeiro discurso enquanto primeiro-ministro, reconheceu estar “totalmente consciente” de que o próximo inverno “pode ainda ser mais difícil”: “É por isso que devemos estar unidos e ser resolutos, de maneira a proteger as pessoas e manter os sistemas críticos estatais a funcionar”.

No Parlamento ucraniano, onde o partido de Volodymyr Zelensky tem maioria, não foi votada, esta quinta-feira, a nomeação do ministro da Defesa, nem do ministro dos Negócios Estrangeiros (que também poderá ser substituído no futuro). Ao contrário dos restantes membros do Governo, estes dois cargos são propostos pela presidência ucraniana, embora as respetivas nomeações tenham de ser confirmadas pelos deputados.

O futuro do Ministério da Defesa será um dos temas que dominará as atenções nos próximos tempos na Ucrânia, tendo já relegado para um segundo plano a nomeação do novo primeiro-ministro. O Presidente ucraniano continuará num difícil impasse, em que terá de equilibrar as exigências dos generais com o anseio da população em ver Mykhailo Fedorov de regresso. Mais do que isso, Volodymyr Zelensky terá de gerir um dilema ainda mais profundo: se continuará a dar espaço a vozes inovadoras ou se manterá a aposta em ouvir líderes mais experientes.