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Direita europeia fez de Sánchez saco de boxe, mas sofreu murro no estômago da UE

Montenegro, Tajani, Feijóo, Ayuso e Aznar foram críticos de Sánchez e acreditam em vitória de Feijóo em 2027, mas decisão do TJUE sobre amnistia a catalães ensombrou encontro em Madrid.

Rui Pedro Antunes
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A nova coqueluche de Manfred Weber, o presidente do PPE, o Fórum Libertas, transformou num espaço de 36 horas Pedro Sánchez num saco de boxe. A estreia deste fórum de reflexão do maior partido europeu realizou-se em Madrid precisamente para ser um impulso para ajudar ao regresso do PP espanhol, liderado por Alberto Nuñez Feijóo, ao poder dentro de um ano. Montenegro ajudou, mas não foi o único. Isabel Díaz Ayuso e José María Aznar arrasaram o atual primeiro-ministro espanhol — que acabaria por ter, a meio do fórum da direita europeia, uma grande vitória continental.

Feijóo acredita que vai ser primeiro-ministro a partir de 2027 e mostrou as suas capacidades de adivinhação quando, na quarta-feira de manhã, antecipou o desfecho do Argentina-Inglaterra: “A final vai ser Espanha-Argentina e tenho a certeza de que a Argentina vai ser vice-campeã do mundo”. Era uma forma de puxar pelo ibero-americanismo, que ali se juntou em força. O que não conseguiu adivinhar é que, para infortúnio de todos os tubarões do centro-direita que passaram por Madrid, a União Europeia faria uma desfeita: o Tribunal de Justiça da UE deu razão ao Governo Sánchez ao decidir que a amnistia dada aos independentistas catalães não viola as leis fundamentais do bloco europeu.

O antigo primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, que falava minutos depois de se conhecer a decisão que falava minutos depois de se conhecer a decisão, dizia que “principalmente num dia como hoje, temos de dizer que os ataques insidiosos à lei não devem ficar impunes nem muito menos serem recompensados”. Em crítica à decisão europeia, Aznar defendeu que “quando se ataca a integridade territorial de um Estado-membro, o agredido é o conjunto do sistema institucional europeu. A integridade territorial de países como Espanha, França, Alemanha ou Itália é o cimento da unidade da Europa”. Em mais uma farpa a Sánchez, Aznar lembrou que “responsabilidade política implica o respeito pela verdade e pela decência”.

José María Aznar tinha exigido no início do mês que Pedro Sánchez lutasse por uma “maioria nacional“, que não permitisse ao PSOE continuar a subverter o sistema democrático. Agora vem explicar que o PP deve optar pela moderação, e tentar captar o maior número de eleitores, mas isso não significa estar “resignado a esperar pelo fim dos ciclos socialistas para governar por defeito”. Mas avisa que esse partido catch all, que deve ir buscar votos à esquerda e à direita, não deve abdicar dos seus princípios. “Nunca acreditei que o PP só tem êxito quando deixa de se parecer ao PP. O PP não é sucedâneo nem peça suplente de nada, é alternativa real. Tão centrada como decidida.” E faz, depois, rasgados elogios ao atual líder: “O seu contundente equilíbrio [do PP] é o de Feijóo. Ele lidera em Espanha a melhor versão do PP”.

PP avisou parceiros de direita que Sánchez quer criar uma Cuba na Europa

Alberto Nuñez Feijóo fez acusações violentas a Pedro Sánchez no Fórum Libertas, começando por dizer que “para reconhecer um autoritário, basta observar o que ele quer controlar”. Para o líder do PP espanhol “se Sánchez desconfia dos juízes, despreza as maiorias parlamentares quando não o favorecem, se substitui o mérito e o esforço pela dependência do Estado, se questiona a independência das instituições e se teme as urnas caso estas não lhe garantam poder, não precisa procurar mais: esse é um presidente autoritário“.

A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, acusou Sánchez de ser “um autocrata sem escrúpulos” e antecipou “consequências catastróficas” para a “deriva autoritária” que a Espanha está a viver. Ayuso apelou aos líderes políticos presentes para que oiçam o que Feijóo e todo o PP espanhol têm vindo a alertar há vários meses: Sánchez está a transformar Espanha numa Cuba ou numa Venezuela. “Entendo que seja difícil acreditar no que está a acontecer num Estado-membro da União Europeia, mas é verdade… Não se esqueçam que, quando lhes estava a acontecer, os venezuelanos e cubanos queriam acreditar nisso.”

O Fórum Libertas começou às 11h00 de quarta-feira e vai encerrar às 18h00 desta quinta. Luís Montenegro era para ter participado presencialmente, mas a marcação do debate do Estado da Nação e a presença do presidente moçambicano, Daniel Chapo, em Portugal, fizeram com que participasse à distância. Esta estreia do grupo de reflexão ibero-americano do PPE teve a maioria dos painéis fechados à imprensa. A ideia é que haja uma reflexão mais franca sem constrangimentos de poder tornar polémica, o que acabou por tornar a maior parte do evento fechado ao público. Na parte aberta à comunicação social, sendo o Observador o único órgão português presente, a grande tónica foi a defesa dos valores do centro-direita e da direita moderada, o estreitar das relações com a América Latina e, claro, o tiro-a-Sánchez. De fora do conhecimento público ficam painéis como o que o vice-presidente do PSD, Sebastião Bugalho, vai moderar esta quinta-feira à tarde entre o antigo presidente ucraniano, Petro Peroshenko, e o líder da oposição da Nicarágua, Juan Chamorro.

O jornalista do Observador viajou a convite do PPE ao primeiro evento do Fórum Libertas